João Doria no Programa Roda Viva: Uma Amostra da Hegemonia Cultural da Esquerda

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por paulo eneas
O prefeito paulistano João Doria participou nessa segunda-feira do Programa Roda Viva da TV Cultura. Sua participação transcorreu-se conforme o esperado, pois com uma bancada amigável de entrevistadores,  com exceção de uma mocinha um pouco assustada e mais preocupada em defender os petistas, o programa foi um exemplo vivo da hegemonia cultural da esquerda: em nenhum momento o prefeito paulistano foi questionado à direita.

João Doria pôde discorrer com facilidade, como se estivesse num programa de horário eleitoral, sobre algumas das iniciativas de sua gestão que têm recebido mais esforço de marketing por parte de sua equipe. No entanto, em nenhum momento o prefeito foi questionado de modo mais substantivo sobre a real solução que pretende dar às cracolândias da cidade. Assim como não foi questionado sobre o Decreto Municipal 55.874 do antigo prefeito, que confere tratamento diferenciado e privilegiado a gays e travestis nas áreas de saúde e assistência social do município.

As ciclofaixas e ciclovias, que privatizaram para ninguém parte expressiva das vias públicas da cidade,  parecem ter sumido do radar da imprensa paulistana, pois sequer foram tratadas na entrevista. Da mesma forma que o prefeito não foi questionado sobre doutrinação ideológica e ensino de ideologia de gênero nas escolas públicas municipais. E o fato de a prefeitura ainda continuar repassando verba pública para um evento privado da indústria da moda também não foi mencionado.

Um palanque a céu aberto para defesa do estado controlador
Como não era questionado com nenhuma pergunta mais relevante, o prefeito paulistano ficou à vontade para repetir o malabarismo verbal que tem usado para tentar dissimular o fato de que já é o candidato tucano para a disputa presidencial do ano que vem. O mesmo malabarismo que ele usa para dizer que entrou na política “há apenas dois anos” ao mesmo tempo em que confirma que vem ocupando cargos políticos na vida pública há mais de trinta anos.

Na entrevista, João Doria não perdeu a oportunidade de reafirmar suas convicções de socialdemocrata no que diz respeito à presença do estado na vida das empresas e empreendedores por meio de taxação, controle e regulamentação: o prefeito defendeu a lei recém-aprovada que passa a regular, taxar e controlar os serviços de transporte individual por meio de aplicativos como Uber e outros.

A alegação do prefeito tucano para defender uma lei que é um retrocesso em termos de livre iniciativa e empreendedorismo, é a de que os taxistas já são submetidos a controle e fiscalização e taxação pelo poder público. Portanto, segundo o raciocínio do alcaide tucano que muitos consideram um liberal por defender privatizações, nada mais justo do que “socializar” o setor de transporte individual impondo a todos o mesmo controle e regulamentação e taxação por parte do Estado.

Ao falar de privatizações, o prefeito mostrou a necessidade de se observar melhor o que ele realmente pretende fazer na cidade nesse setor. Pois ao insistir no uso dos termos desestatização e parcerias público-privadas, João Doria deixou escapar sua aparente adesão ao modelo em que o estado (no caso, a prefeitura) continua tendo a propriedade formal de determinado bem, mas delegando sua gestão ao setor privado, sem abrir mão do poder de controle e regulação.

Esse conceito está em linha com as noções modernas dos socialistas e socialdemocratas a respeito de como o estado deve controlar a economia, porém com base em critérios de eficiência de gestão, que somente são encontrados no setor privado.

Sinceridade involuntária e temas ausentes
Um momento de sinceridade possivelmente involuntária no decorrer da entrevista, foi quando o prefeito afirmou que decidiu “entrar para a política” (leia-se: disputar uma eleição, pois ele já está na política há mais de três décadas) devido ao que ele chamou de fracasso do petismo.

A sinceridade aqui reside na constatação de que com o esfacelamento do petismo como principal projeto político partidário da esquerda, os socialdemocratas tucanos precisaram apresentar uma alternativa viável, para assegurar que o jogo combinado que petistas e tucanos vem jogando há décadas não fosse interrompido.

E de fato esse jogo combinado, que na literatura da ciência política é chamado de estratégia das tesouras, continuará a ser jogado, com Doria sendo o principal jogador do lado da tesoura que agora está bem mais afiado por meio da incorporação de alguns itens, ou apenas palavras-gatilho, do repertório liberal.

Temas como aborto, políticas imigratórias, demarcação de terras supostamente indígenas, segurança e proteção de fronteiras, Foro de São Paulo, política externa e direito de defesa não foram abordados durante o convescote transmitido em forma de entrevista. No entanto, sobre o tema direito de defesa, o prefeito já se encarregou de expressar seu ponto de vista em outro programa de televisão, cujo trecho é exibido abaixo e em seguida comparado com o que outra figura pública pensa a respeito do assunto.



#CriticaNacional #TrueNews


 

6 comments

  1. Mas achei as perguntas fraquíssimas! A representante da Isto E parecia de revista de fofoca perguntando sobre como
    Dória se referiu a lula, ciro e tal. Perdemos uma ótima oportunidade se ver se Dória está no partido errado ou se é o mesmo de sempre um pouco melhorado.. sua análise foi muito boa !

  2. Dória é um psdb repaginado. O que fez Serra, Alckimin e Aécio perderem a eleição foi uma posição, frouxa, com medo de atacar o PT. Com Dória resolveram mudar o ponto fraco dos candidatos e orientaram Dória a ser duro com o PT, ainda mais que os petralhas estão em baixa. Se fosse tempos atrás, talvez o Dória não assumisse tal postura; bate em cachorro morto.
    Entretanto, as propostas de Dória são as mesmas dos candidatos anteriores do psdb, a diferença são os ataques ao PT e ao Lula.
    Quem sempre foi contra a esquerda, o pt, Lula e assemelhados foi o Bolsonaro, o autêntico, o verdadeiro direita.
    Bolsonaro 2018!

  3. Show! Adorei a análise. Espero que o povo se conscientize que existe a estaratégia das tesouras em andamento no Brasil, Doria é o novo FHC, parece ser brasileiro mas na verdade é comunista. Doria diz: _ “O meu pai foi para o exilio”. Eu pergunto: _ “porque exatamente?
    Eu tiro a conclusão que o pai dele era um desses comunistas revolucionários, o que mais eu poço pensar.

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