Os movimentos de rua realizaram novas manifestações em diversas cidades do país nesse último domingo, dia 26/03. Ainda que a presença de público não tenha se equiparado àquelas das principais manifestações do período do impeachment, a data marcou o reinício das manifestações conjuntas que deram a tônica do gigantesco movimento de massas do ano passado e que foram as maiores já realizadas na história do país.

Na capital paulista, os grupos se organizaram em caminhões palanque em diversos pontos da Avenida Paulista. Acompanhamos de perto o caminhão palanque do grupo Movimento Liberal Acorda Brasil, no qual os oradores se revezavam na defesa, entre outros, do projeto de lei do Escola Sem Partido, no posicionamento contrário à lista fechada, pelo fim do foro privilegiado, pela revogação do estatuto do desarmamento, pela prisão de Lula e pela defesa da Lava Jato e apoio ao juiz Sérgio Moro.

Acompanhamos também a movimentação no caminhão palanque do grupo UND (União Nacionalista Democrática), no qual a tônica principal dos discursos foi a defesa da intervenção militar constitucional, e onde também foi feita a defesa da revogação do estatuto do desarmamento, defesa essa feita pelo editor do Crítica Nacional, como mostra o vídeo mais abaixo.

Obtivemos também a informação em tempo real de que a defesa da revogação do estatuto do desarmamento foi feita por todos os demais grupos, a exceção de um deles, que já havia anunciado que não iria abraçar essa bandeira. Até onde nos foi possível verificar, não houve qualquer manifestação pedindo a saída do presidente, que é uma das principais bandeiras da esquerda hoje.

Mentiras da grande imprensa e desafios para o futuro
Cumprindo seu papel habitual de agente desinformante mentiroso a serviço do establishment e da classe política, a grande imprensa mentiu na cobertura das manifestações, afirmando terem sido um fracasso ou um fiasco. O jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, exibiu com destaque nessa segunda-feira, dia 27/03, uma foto que mostra o momento final da manifestação na capital paulista, para sugerir uma suposta baixa adesão.

A narrativa mentirosa da grande imprensa irá contrastar com o testemunho dos que organizaram e estiveram presentes na manifestação, principalmente considerando-se o histórico de credibilidade zero da grande imprensa quando se trata de fazer cobertura de manifestações que não sejam da esquerda.

O que ao nosso ver ficou claro nesse domingo, ao menos na manifestação na capital paulista, é que a profusão de pautas é um fator que dificulta a maior adesão da população. Ainda que muitas das pautas trazidas sejam legítimas, a profusão tira o foco, e sem um foco único definido, palpável e assimilável, o cidadão e a cidadã comuns nem sempre irão se dispor a sair de casa para ir às ruas.

Contribuiu também para uma menor adesão em relação às manifestações do ano passado a falta de clareza na comunicação por parte de alguns setores do movimento de rua no período de convocação.

Por exemplo, um dos grupos cometeu o erro de associar a manifestação à defesa da reforma da previdência. Obviamente não faz sentido algum trazer um tema dessa complexidade, que precisa ainda ser debatido e esclarecido junto aos ativistas, para a pauta de movimentos de rua. Esse erro, associado à percepção do alinhamento desse grupo com a classe política, se refletiu na baixa presença de público no caminhão palanque desse mesmo grupo.

Desde a consolidação do impeachment no ano passado, defendemos que os movimentos de rua deveriam ter continuidade, com pautas e orientações políticas que refletissem o novo cenário político. O longo período de desmobilização, no qual a esquerda tentou retomar o protagonismo das ruas, mostrou que nossa análise estava correta. Desta forma, esperamos que as mobilizações nesse último domingo, em que pese as dificuldades apontadas, possa talvez representar a retomada de um real movimento de massas que nunca deveria ter sido interrompido.

Crédito da Foto: Luciana Bulau (Movimento Liberal Acorda Brasil)
Filmagem do Vídeo: Débora G. Portugal
Agradecimentos ao Dr. Antônio Ribas Paiva, coordenador da UND

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