por paulo eneas
A real disputa de poder que ocorre no mundo há décadas não se dá em torno da adoção de um modelo econômico mais liberal ou menos liberal, mais estatista ou menos estatista. Acreditar que modelos econômicos determinam opções político-ideológicos é resvalar, ironicamente, para a visão marxista de mundo. A visão segundo a qual a infraestrutura da sociedade, que na linguagem marxiana é formada pelas relações de produção e propriedade dos meios produtivos, determinará a superestrutura,  que seria essencialmente a esfera da cultura e dos valores morais. Já no fim de sua vida Marx abandonou essa noção e o caminho de revisão do marxismo nesse quesito teve prosseguimento com a Escola de Frankfurt e Antonio Gramsci.

Se a adesão a um dado modelo econômico fosse o fator definidor do posicionamento dos agentes na disputa de poder, as principais forças políticas conservadoras e de direita do mundo ocidental seriam justamente os mega ou meta capitalistas, que alcançaram essa condição justamente por conta das vantagens do capitalismo e da economia de mercado. Da mesma forma, o capitalismo e a civilização ocidental que o engendrou não teriam defensor mais ferrenho do que a elite muçulmana dos países produtores de petróleo. Elite essa que se enriqueceu o bastante para comprar cidades, redes de televisão até mesmo times de futebol no mundo ocidental.

Mas são justamente os mega ou meta capitalistas que financiam e bancam toda esquerda política ocidental, desde comunistas até socialdemocratas, formando o que se convencionou chamar de bloco globalista ocidental. A esse bloco se junta a elite do mundo muçulmano, em um objetivo comum bem determinado: destruir e aniquilar a civilização ocidental, não necessariamente por meio de uma guerra, mas por meio de engenharia social e solapamento das soberanias nacionais.

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Portanto, é preciso entender que o mundo contemporâneo não vive uma disputa entre modelos econômicos mais liberais ou menos liberais. Até porque, para os comunistas e socialistas, o modelo econômico é o que menos importa, pois o comunismo-socialismo não diz respeito à economia, mas sim à constituição de um poder político autoritário e permanente para a imposição de um modelo de sociedade, distinto daqueles que foram formados com base na tradição judaico-cristã da civilização ocidental.

O que está de fato em jogo no mundo é se a civilização ocidental vai continuar existindo ou se será substituída pela civilização islâmica. Se os países continuarão a existir com sua soberania e seu poder político próprio em regimes democráticos, ou se deixarão de ter soberania e fronteiras definidas, e consequentemente poder político próprio, de modo a submeter todos os povos do mundo ocidental a um poder burocrático transnacional não eleito.

O resultado das eleições francesas, bem como das eleições alemãs e britânicas que serão realizadas em meados desse ano, a vitória de Donald Trump, os desdobramentos do cenário político pós-impeachment no Brasil, com a esquerda se remodelando e recuperando sua imagem rapidamente graças ao beneplácito do antipetismo, são todos fatos que devem ser analisados sob a ótica desses movimentos islâmico-globalistas para serem melhor compreendidos.

Nesse aspecto, algumas correntes liberais brasileiras têm fracassado miseravelmente ao restringir suas análises, e o consequente posicionamento político, às relações entre gestão do estado e economia, ainda que essas relações sejam importantes e determinantes para a formação de um ambiente de mais prosperidade econômica. Mas não são essas relações que estão em jogo, e sim a soberania dos países do ocidente, a sobrevivência da nossa civilização e da nossa cultura e de nossas democracias.

Ou essas correntes liberais entendem isso, ou farão jus à anedota que afirma que, quando questionado sobre a islamização do ocidente, a única resposta que um liberal consegue dar é saber se o estado irá ou não interferir no comércio de burkas.

Publicado Originalmente em 25/04/2017 #CriticaNacional #TrueNews


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