por paulo eneas
Admitimos e reconhecemos que existem dificuldades de todo tipo a serem superadas. Mas estamos seguros o bastante para afirmar que irá cometer um enorme erro de avaliação política quem subestimar a capacidade de mobilização de viés conservador e de direita que a candidatura de Jair Bolsonaro representará nas eleições do ano que vem. E não se trata aqui de profissão de fé ou de torcida (até porque, quem assume que faz torcida disfarçada de análise política é Reinaldo Azevedo, como ocorreu nas eleições americanas).

Nossa análise se baseia na constatação óbvia do desgaste e da total falta de credibilidade e falta de legitimidade dos principais expoentes da classe política junto à opinião pública. O episódio da votação da famigerada Lei de Imigração mostrou o completo descolamento entre os anseios reais do segmento informado da população e o conjunto da classe política, comprometida em sua quase totalidade com interesses distintos daqueles dos interesses do país.

As revelações da Operação Lava Jato, que jogam na vala comum da corrupção e do capitalismo de compadrio, praticamente todos os principais nomes da classe política, acompanhadas das manobras quase diárias no Congresso Nacional no sentido de tentar blindar essa classe política das consequências legais dessas revelações, reforçam nossa convicção. Da mesma forma, reforçam nossa convicção as tentativas dessa classe política de blindar-se até mesmo do eleitor, por meio do expediente autoritário e antidemocrático da lista fechada de votação.

Ainda que se confirmem as previsões de melhoria do cenário econômico a partir do segundo semestre, o que obviamente esperamos que aconteça para o bem do país, não acreditamos que algum segmento da classe política possa conseguir se beneficiar desse fato, tentando assumir a paternidade de uma situação econômica mais favorável. O único que poderia tentar fazê-lo seria o próprio presidente Michel Temer por meio de uma tentativa de reeleição, hipótese que não está colocada hoje.

Seguramente haverá na disputa eleitoral algum integrante do establishment político tentando se descolar desse establishment por meio de um esforço de marketing, apresentando-se como pretenso outsider da política. É possível que essa operação, que a rigor é uma operação destinada a mais uma vez enganar a população apresentando uma embalagem que não corresponde ao produto, possa ser bem-sucedida em alguns aspectos. Se esta operação de marketing político dará ou não os resultados eleitorais esperados, não temos a pretensão de avaliar nesse momento.

No entanto, tal operação não impedirá a formação de um enorme movimento conservador e de direita em torno da candidatura de Jair Bolsonaro, pelo que ela representará em termos da defesa de valores que são caros à maioria da população brasileira e que nunca foram vocalizados por nenhuma candidatura desde a volta das eleições presidenciais diretas. Esse fato por si só já reveste a candidatura de uma importância ímpar na história política do país, e dela resultará possivelmente a formação e a consolidação de uma direita política nacional organizada e estruturada que há décadas o país necessita.
(Publicado originalmente em 20/04/2017)

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