por paulo eneas
É um erro achar que fatores econômicos de curto prazo podem ser desprezados em nome da guerra cultural, que por definição apresenta resultados apenas em longo prazo. Se a economia do país degringolar estará aberto o espaço para que a esquerda possa apresentar suas soluções simples e erradas, que seguramente ganharão adesão popular. Soluções essas que no médio e longo prazo aprofundarão a crise econômica e dificultarão ainda mais a formação do ambiente para a guerra cultural.

O desafio dos conservadores e da direita hoje é, em meio a um dos cenários políticos mais confusos da história do país, definir uma estratégia de ação que se traduza numa oposição à direita ao governo de Michel Temer (e pautas para esta oposição à direita não faltam, como por exemplo a Lei de Imigração e a atuação esquerdista do MEC) sem com isso apostar num aprofundamento da crise econômica. O exemplo da Venezuela deve nos servir de lição: crise econômica aprofundada somente interessa à esquerda. Não existe ganho econômico desprezível, nesse sentido.

Todas as forças de esquerda do país fazem oposição ao governo de Michel Temer, especialmente a imprensa via Empiricus Research/O Antagonista, Organizações Globo e Folha de São Paulo. Estas forças pouco estão se importando com as consequências econômicas de uma possível inviabilização política do governo. Pelo contrário, apostam no aprofundamento da crise econômica e torcem por ela (basta ver o viés negativista das notas de economia do blog da Empiricus Research/O Antagonista) pois sabem que esta será a via mais rápida para anular qualquer possibilidade de êxito da direita e dos conservadores na guerra cultural.

É fato que é no âmbito da cultura e dos valores que se define a disputa do poder político no longo prazo. Mas diante de um cenário de conjuntura que exige resposta imediata, o fator econômico não pode ser desprezado. Afinal, quem irá se preocupar com as sutilezas da guerra cultural, ou até mesmo com denúncias de corrupção, quando seu maior problema hoje é saber se vai ter o que comer amanhã? São esses dados da realidade que precisam ser levados em conta pela direita conservadora para demarcar sua posição em relação à oposição cada vez mais ferrenha que a esquerda vem fazendo em relação ao governo.

E para a direita, demarcar posição nesse caso significa não servir de caixa de ressonância da pauta e de linha auxiliar involuntária da estratégia da esquerda, pois é exatamente isso que parte da direita vem fazendo.

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