por paulo eneas
Uma pergunta bastante recorrente que tem surgido nas redes sociais e mesmo em alguns blogs, na maioria das vezes ao nosso ver sob a forma de provocação ou mesmo de chantagem, a respeito das eleições presidenciais no ano que vem é a seguinte:
se o segundo turno for entre João Doria e Lula, em quem a direita deveria votar?

Essa pergunta hoje é puramente retórica, pois traz apenas um déjà vu de um cenário que já se repete no país há mais de duas décadas: entre um comunista-socialista e um socialdemocrata (ou socialista fabiano), os eleitores de direita sempre escolhem a segunda alternativa. E independentemente de quem vença a eleição, no cenário dessas duas opções, quem sai ganhando de fato é o Foro de São Paulo e a agenda da esquerda globalista internacional, que prossegue avançando quem quer que seja o vencedor eleitoral. E quem sai perdendo sempre é o país, como as últimas duas décadas de governos tucanos e petistas mostraram.

A pergunta correta que todos os segmentos de direita deveriam fazer, portanto, não é essa pergunta retórica e redundante, mas sim outra: de que maneira podemos hoje quebrar essa pseudo-polarização entre comunistas socialistas de um lado e socialistas fabianos de outro? A possibilidade desta quebra está objetivamente dada já há mais de um ano, pois pela primeira vez em décadas a direita poderá ter um candidato competitivo na disputa presidencial, representado na figura de Jair Bolsonaro. E quando afirmamos que esta possibilidade está materialmente dada não estamos adotando uma postura de torcida, mas sim analisando dados objetivos:

a) O desgaste do petismo em todos os setores da sociedade, inclusive nos setores que até então formavam seu eleitorado cativo.

b) A possibilidade de Lula não poder concorrer por conta de processos na justiça ou, mais remotamente, de estar preso.

c) Ainda que Lula concorra, o desgaste inequívoco de sua imagem nos últimos anos, que se evidencia pela sua recusa de ter contato direto com as pessoas comuns nas ruas, limitando-se a falar para plateias fechadas e cativas.

d) O descrédito generalizado por parte da opinião pública em relação a classe política como um todo, razão pela qual João Doria utiliza a estratégia de marketing mentirosa de apresentar-se à população como sendo apenas um gestor e não como um político, o que ele de fato o é há mais de trinta anos.

Por outro lado, é evidente que as dificuldades que o candidato da direita, Jair Bolsonaro, irá enfrentar nas eleições são enormes e não podem de modo algum ser subestimadas. Entre estas dificuldades estão em primeiro lugar o risco de fraude eleitoral por meio das urnas eletrônicas. Soma-se a isso as dificuldades de estrutura partidária de escala nacional, além da necessidade de vencer barreiras e resistências junto a certos setores formadores de opinião, inclusive nos campos conservador e liberal. Uma dificuldade que poderá ser superada no médio prazo por meio de um esforço de interlocução e aproximação recíprocas. 

Isto posto, entendemos que fazer escolhas políticas hoje com base na antecipação deste hipotético cenário futuro altamente improvável (o da repetição da falsa polarização entre tucanos e petistas) constitui-se ao nosso ver em um erro. Se não for um erro, trata-se apenas de um expediente puramente retórico, para justificar de maneira desonesta a adesão ao projeto de poder socialdemocrata por meio do subterfúgio do risco Lula. Essa segunda possibilidade, aliás, está em linha com um dos eixos centrais da estratégia de marketing político de João Doria, que é a de ter em Lula seu espantalho de estimação para bater, ao mesmo tempo em que procura manter excelentes relações com figuras chave do petismo.

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