por emma sarpentier
O castro-chavismo escreve uma nova “constituição” para a Venezuela, apenas para enterrar a Constituição de 1999, estabelecida pelo próprio Hugo Chávez. Mas isso é apenas em teoria, pois na prática não há nenhuma proposta que visa alterar a Constituição. O que existe é a intenção única e declarada de monopolizar as instituições que não são tão leais ao regime chavista, como o Parlamento, Ministério Público e outros.

Os representantes são eleitos ilegalmente se reunião a partir de amanhã sem prazo definido para a conclusão dos trabalhos. Poderão permanecer em assembleia constituinte por tempo ilimitado, alegando que estão ocupados na elaboração de uma nova constituição. Enquanto isso, os constituintes serão um super poder, acima mesmo da constituição chavista, e acima de todas as instituições, incluindo o presidente. Poderão até mesmo remover Nicolás Maduro a qualquer momento se assim decidirem fazer, e colocar outro em seu lugar.

O mais provável nesse caso é que o escolhido como presidente venha a ser Diosdado Cabello. Desta forma, a Venezuela tornar-se-á um país “legalmente comunista”, pois as premissas básicas do governo já estão dadas: são premissas socialistas e de economia socialista. A rejeição da “oposição”, toda ela de esquerda socialista, à iniciativa da constituinte, não é por temor de que Nicolás Maduro pretenda aumentar seu autoritarismo. O temor dessa oposição é a de que o ditador chavista venha enterrar Constituição de 1999, inspirada por Hugo Chávez.

O fato é que esta suposta oposição não é mais útil para o regime, razão pela qual Nicolás Maduro atendendo a ordens de Cuba, decidiu removê-la de cena e mandou novamente para a  prisão as duas principais referências do socialismo moderado venezuelano: Leopoldo López e o ex-prefeito de Caracas, Antonio Ledezma.

A constituinte permitirá ao chavismo a concentração total de poder. A comunidade internacional rejeita o novo abuso do chavismo, enquanto a liderança política da oposição afirma que o chavismo alterou os resultados do processo eleitoral de domingo e, por conta disso, convoca para estar quinta-feira uma marcha contra a Assembléia Nacional Constituinte.

A atual maioria parlamentar supostamente oposicionista continua em sessão, e ontem contou com os embaixadores de França, Reino Unido e México, para apoiar esta instituição. O Parlamento reafirmou ontem que não reconhece a Assembléia Constituinte e as decisões a serem tomadas. Os parlamentares prometeram fazer todo o possível para impedir sua instalação e temem um possível despejo ou novos ataques por parte dos coletivos chavistas, 
grupos de civis armados que defendem a revolução e que têm repetidamente agredido o Parlamento.

O novo parlamento eleito no último domingo em meio a violentos confrontos que deixaram mais de uma dezena de mortos, incluindo crianças, e muitos feridos graves, se reunirá em um salão em frente ao Parlamento da maioria supostamente oposicionista. Esse fato por si só tem levando rumores de possíveis confrontos.

Antes da eleição do último domingo o movimento político Rumo à Liberdade / Resistência fez um chamado para desconhecer a legitimidade de todos os poderes do Estado. Este movimento formado por jovens libertários e liberais é a única oposição real ao regime chavista e são eles que de forma clara e conscientemente conduzem o povo a rejeitar veementemente a implementação do estado comunista. O movimento devolveu a identidade aos venezuelanos, mostrando que a suposta oposição de esquerda socialista também é um inimigo para vencer.

O movimento mostrou também que o socialismo não pode ser combatido com mais socialismo. Nos últimos anos o Rumo à Liberdade mostrou às pessoas que as manifestações sem qualquer conteúdo levaram a nada, como de fato ocorreu. Mostrou também que a falta de alimentos e falta de todas as mercadorias eram resultado da falta de liberdade. Esses jovens conseguiram que cada dia que passa as pessoas se identificam com este movimento que é o orgulho da Venezuela.

A constituinte do chavismo foi instituída para permanecer no poder indefinidamente, estabelecendo um modelo comunista e neutralizar, matar e prender os críticos e adversários. Mas desta vez eles encontraram uma oposição real: o Movimento Rumo à Liberdade, que colocou em xeque não só o chavismo, mas também sua falsa oposição socialdemocrata.

Emma Sarpentier é venezuelana e colaboradora do Crítica Nacional em Caracas.
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