por paulo eneas
O crescimento espantoso do nome de Jair Bolsonaro junto a parcelas cada vez maiores da população, independentemente do que dizem os institutos de pesquisa, tem levado a um recente movimento perceptível entre importantes nomes do establishment político, a começar por João Doria. Inicialmente, a estratégia do socialdemocrata fabiano parecia ser a de apresentar-se como alternativa de uma pseudo-direita, e para tal chegou-se até mesmo a cunhar um termo: nova direita.

Essa suposta nova direita escolheu um alvo fácil e óbvio: o moribundo petismo, a quem  João Doria escolheu como espalho preferido para bater, em um esforço de buscar a tesoura perdida, ao mesmo tempo em que o tucano deixava claro ser contra a prisão do já condenado líder petista. Por algum tempo Lula foi, para todos os fins práticos, o principal cabo eleitoral de João Doria, por conta da falácia do Risco Lula. O único problema dessa estratégia é que seus atores esqueceram de combiná-la com a imensa maioria dos brasileiros: uma maioria que despreza Lula, que ignora João Doria e que já decidiu votar em Jair Bolsonaro.

Diante dessa contatação, parece estar havendo uma mudança de curso de ação por parte dos principais atores envolvidos. A ideia de uma suposta nova direita possivelmente será abandonada, uma vez que esses atores perceberão o óbvio: a única maneira de fazer frente ao favoritismo de um nome da direita é apresentar uma alternativa à esquerda, com discurso calibrado com doses de pautas liberais e suficientemente descolado da herança maldita representada pelo petismo. Basicamente, é a mesma engenharia política feita por Emmanuel Macron, na França.

Os sinais dessa provável mudança têm sido claros nas falas de algumas figuras chave do establishment político: Geraldo Alckmin afirmou dias atrás que Lula é de “extrema-direita”. João Doria essa semana repetiu, mais uma vez, que não é de direita, além de repetir a defesa enfática de Lula com argumentos que superestimam a força política do decadente líder petista. E o socialista Fernando Henrique Cardoso publicou artigo no final de semana falando da necessidade de um polo democrático, para combater a direita.

O que o sociólogo tucano (amigo de Hugo Chaves, Fidel Castro, George Soros e Bill Clinton) chama de polo democrático é a articulação das forças socialdemocratas alinhadas com os globalistas para dar prosseguimento à agenda destes mesmos globalistas, agenda esta iniciada no país pelo próprio Fernando Henrique e continuada depois pelos petistas. Para estas forças, é imprescindível impedir a vitória da direita nas próximas eleições, bem como impedir o crescimento dos conservadores.

Se necessário for, para fazer frente à direita, a socialdemocracia globalista e seus aliados irão jogar fora a fantasia de direita-fake representada pela já quase moribunda e falaciosa  nova direita.  Possivelmente estas forças irão apresentar-se como opção de esquerda confiável e antipetista, ainda que uma vasta parcela do petismo venha a abrigar-se sob seu guarda-chuva. E irão apresentar-se adotando o rótulo de progressistas ou democratas ou até mesmo de liberais. Esta parece ser, de momento,  a estratégia que está sendo desenhada. Resta saber, mais uma vez, se os estrategistas socialdemocratas e globalistas não esqueceram de novo de combinar o jogo com a esmagadora maioria conservadora da população brasileira.

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