por emma sarpentier
O pior que nos rouba o comunismo não é dinheiro, mas sim o nosso tempo. Pois o 
primeiro pode ser recuperado, enquanto o segundo representa nossa vida. Imagine quantas horas os venezuelanos perdem fazendo filas, fervendo a água que beberão, preparando sabonete, pasta de dente ou desodorante caseiro, colando seus sapatos, costurando roupas, plantando e cuidando de alguma planta medicinal ou comestível, tentando encontrar por milagre algum dinheiro em uma caixa. Imagine-se o tempo gasto afiando seus raspadores, esperando que a internet carregue, ou esperando durante horas o caminhão de lixo, ou aguardando nas poucas lojas que ainda permanecem abertas recolham seu lixo para tentar obter sua única ração de supostos alimentos.

O salário não é suficiente para cobrir os custos da cesta básica familiar, que custa três milhões de bolívares, o equivalente a US$ 75.00. Recentemente passou a entrar carne no mercado, mas como o venezuelano não pode pagar, o regime decidiu exportá-la. A escassez de farinha de milho, trigo, manteiga, óleo, grãos, leite, açúcar,  café e outros alimentos continua elevada. Não há como contrastar com números oficiais a deterioração social, econômica e da infra-estrutura. Por todo lado o que se vê é miséria, e o ditador Maduro não permite a entrada de ajuda humanitária.

O salário básico de um trabalhador é de 350.000 bolívares, que corresponde a 8.75 dólares. Para receber esse salário, o trabalhador deve perder entre sete e oito dias no banco para fazer o saque, pois não há papel moeda em quantidade suficiente: os saques são limitados a 15.000 bolívares de cada vez, o equivalente a 0.37 dólares, por pessoa por dia. Cerca de 5 milhões de venezuelanos comem apenas uma vez por dia e oitenta por cento de toda a população de trinta milhões de pessoas fazem apenas duas refeições básicas por dia. A comida é da pior qualidade devido à falta crônica de produtos e à inflação.

A população está sendo submetida à fome atroz e a epidemias de doenças haviam sido erradicadas há mais de meio século, o levou a entidade religiosa Caritas a declarar uma situação de emergência humanitária. Diariamente milhares de pessoas esperam ansiosamente e correm atrás do caminhão de lixo: trata-se literalmente de uma corrida diária contra a fome, que obriga milhares de venezuelanos a comerem do lixo.

Dezenas de crianças morrem de desnutrição todas as semanas. Estima-se que um terço da população infantil já apresenta um atraso no crescimento. Este dano físico e mental os acompanhará cada uma dessas crianças por toda a vida, pois trata-se de um dano irreversível: são pessoas que estão condenados a serem retardadas.

A situação que a Venezuela vive hoje com a escassez de alimentos e remédios é tão séria que somente pode ser comparada com a dos países nos anos do pós-guerra. Uma situação que poderia agravar-se com a destruição da base econômica produtiva do país e o fim da distribuição populista resultante da queda nos preços do petróleo.

Tudo no socialismo pode ser pior, muito pior. O socialismo é mais do que um erro intelectual, é um dogma do mal. O socialismo latino-americano avança, orientado a partir de Havana e através do Foro de São Paulo, e mantém o poder pelos recursos que foram dilapidados e roubados e ao aumento dos preços das matérias-primas, restando apenas manter-se no poder pela repressão quando a realidade fala mais alto. Na Venezuela, a repressão econômica e política atroz funcionou até agora, em favor do regime de ditadura narco-comunista do chavismo.

O grande problema na Venezuela, como em todo continente sul-americano, é que não tivemos outras alternativas políticas nesses anos. Os países de nosso subcontinente ainda assistem disputas da esquerda versus esquerda, mesmo que se insultem entre eles chamando um ao outro de direita. A América Latina ainda continua esperançosa nas próximas eleições para sair das garras do Foro de São Paulo, e olham para a Venezuela como um fato isolado, ou uma realidade que encontra-se muito distante. Enquanto isso, meu país continua agonizando.

Emma Sarpentier é Coordenadora do Movimento de Resistência Rumbo Libertad e colaboradora do Crítica Nacional em Caracas. Edição de texto: Paulo Eneas.
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