por paulo eneas
O globalismo pode ser interpretado como mais um capítulo ou uma vertente da história da mentalidade revolucionária, uma vez que ele é ancorado em um projeto de transformação radical da sociedade por meio da concentração do poder político e econômico nas mãos de um único ente, de natureza transnacional. O globalismo ambiciona a dissolução de fronteiras e identidades étnicas nacionais e culturais, com o objetivo de formar uma sociedade uniformizada submetida a esse poder global absoluto e não sujeito a qualquer controle democrático.

O conceito de globalismo em seu sentido moderno nasce na civilização ocidental e é resultado da iniciativa de metacapitalistas, tanto no campo da elaboração teórica quanto no de ações políticas concretas. Para sua implementação, o globalismo conta com as ferramentas que são dadas pelos comunistas e por toda a esquerda mundial, como o multiculturalismo, indução de comportamento, um amplo cardápio de possibilidades em termos de experimentos de engenharia social, e outros mecanismos de guerra cultural.

Ainda que na sua origem deite raízes na ideia de um governo mundial, que por sua vez nasce antes mesmo da Revolução Francesa, o globalismo na sua versão mais moderna foi concebido por gigantes metacapitalistas que dificilmente teriam conseguido avançar a passos tão largos no ocidente se não fosse a relação umbilical com a esquerda clássica, seja ela socialista-comunista ou socialdemocrata fabiana. E essa mesma esquerda possivelmente não passaria de uma corrente ideológica marginal e irrelevante não fosse o suporte e financiamento bilionário proporcionado pelos criadores do globalismo moderno.

No entanto, o aparente sucesso até aqui obtido pelo globalismo pode vir a ser a indicação e a explicação futura de seu possível fracasso, uma vez que suas práticas destruidoras, centradas fundamentalmente na aniquilação da estrutura familiar, no combate seu tréguas à moralidade judaico-cristã e na supressão de estados nacionais acompanhadas de processos de islamização, poderão levar de fato ao solapamento das próprias sociedades ocidentais onde o globalismo nasceu, e de onde seus criadores e proponentes extraem sua imensa riqueza e poder.

O entendimento de que esse projeto globalista em aliança com os comunistas e muçulmanos possa talvez ter ido longe demais em seu seu intento, colocando em risco os interesses de uma parcela de seus próprios agentes no mundo ocidental, explicaria em parte o surgimento de uma dissidência ou ruptura no interior desse projeto. Uma dissidência que no âmbito geopolítico tem sido expressa pela saída do Reino Unido da União Europeia, pela chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e pela crescimento das forças políticas de direita e anti-islâmicas no continente europeu.

O coronel Enio Fontenelle, oficial reformado do Exército Brasileiro e estudioso de geopolítica, chama essa dissidência de Nova Nova, numa alusão ao termo Nova Ordem Mundial, usualmente usado para designar o projeto globalista na sua versão mais moderna. Essa dissidência no projeto globalista de um lado, que tem reunido em seu entorno as forças políticas de direita, incluindo principalmente os conservadores e cristãos, e de outro lado as relações cada vez mais umbilicais entre globalistas e comunistas e islâmicos, constituem-se na chave interpretativa para entender a geopolítica contemporânea.

O enfrentamento aos comunistas não pode de modo algum ser dissociado do enfrentamento ao projeto globalista e aos seus aliados muçulmanos. E esse enfrentamento hoje passa em primeiro lugar pela defesa da soberania nacional de cada estado-nação do mundo ocidental, pelo rechaço ao multilateralismo nas relações comerciais internacionais, pela deslegitimação da ONU e suas agências e sua agenda, em particular aqueles itens da agenda do marxismo cultural que são mais caros aos comunistas, como feminismo, ideologia de gênero, ambientalismo e diversidade.

Esse enfrentamento passa também pela compreensão da natureza última do globalismo como expressão da mentalidade revolucionária, numa relação quase simbiótica em torno do objetivo que a mentalidade revolucionária busca há mais de um século e que a levou a associar-se ao mundo islâmico: a completa destruição da civilização ocidental de base judaico-cristã. Esse artigo é destinado exclusivamente aos assinantes do Crítica Nacional. #TrueNews


 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE