por paulo eneas
O fim de semana foi tomado por uma série de especulações na redes sociais e um conjunto enorme de fake news publicadas pela grande imprensa a respeito de pronunciamento feito na quinta-feira pelo General de Exército Hamilton Mourão durante evento no Clube Militar em Brasília. As especulações ganharam ainda mais relevo quando veio à público a informação de que o General Mourão havia sido transferido de sua função na Secretaria de Economia e Finanças do Exército para o exercer o cargo de adido na Secretaria Geral da instituição.

Essa transferência foi interpretada e noticiada como se o general houvesse sido desligado do Exército, e o termo exoneração foi empregado por muitos com esse sentido. Um canal chegou a noticiar que o presidente Michel Temer teria expulsado o General Hamilton Mourão do exército. Outros canais e páginas de desinformantes especularam sobre uma suposta ordem de prisão do General Mourão, em um autêntico exercício de especulação vazia, bastante comum entre aqueles que fazem, deliberadamente ou não, o jogo da esquerda e apostam no acirramento de uma crise institucional que venha a desaguar em um ambiente de caos e desordem.

As informações que apuramos junto às nossas fontes, bem como a leitura política que fazemos do cenário nesse momento, permitem que possamos afirmar o seguinte:

a) As afirmações feitas pelo General Mourão foram feitas durante evento do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), realizado no Clube do Exército na capital federal. Tanto a participação do General Mourão no evento, quanto sua realização nas instalações do clube, foram autorizados pelo comandante da força.

b) Em geral, as reuniões do Ternuma são restritas aos associados da entidade, que é uma associação civil. Excepcionalmente dessa vez, esse evento foi aberto ao público e contou inclusive com a participação da imprensa. A fala do General Mourão foi precedida por uma apresentação do General Paulo Chagas, da reserva, que dois dias depois conversou conosco do Crítica Nacional durante simpósio conservador realizado em Ribeirão Preto.

c) Ao contrário da mentira que toda a grande imprensa vem divulgando, em nenhum momento o General Mourão sugeriu ou insinuou que o governo atual tenha criado o chamado balcão de negócios para governar. O general fez a mesmíssima afirmação que já havia feito em pronunciamentos anteriores e que consiste, basicamente, no diagnóstico de uma prática política presente no país desde o fim do regime militar: a sarneyzação das relações entre executivo e legislativo, que consiste na prática de relações espúrias e não transparentes entre o poder executivo e o legislativo.

d) Essa prática, que também chamada de toma-lá-dá-cá, tem sido constantemente condenada pelo deputado Jair Bolsonaro, que já afirmou inúmeras vezes que não aceitará compactuar com práticas espúrias e não transparentes nas relações entre executivo e legislativo sob pretexto de assegurar governabilidade.

e) Em nenhum momento do evento o general falou em intervenção militar, no sentido usual que muitos conferem a essa expressão. O general mais uma vez repetiu o que já afirmou em declarações anteriores: que as forças armadas cumprirão sua missão institucional, com base na legitimidade que têm junto ao povo e à nação, de garantir a paz interna e a ordem na hipótese de as instituições políticas e o judiciário fracassarem nessa atribuição.

f) O general foi claro em afirmar aquilo que no entender das Forças Armadas seria o rompimento do limiar do aceitável: a candidatura à presidência da república de um condenado pela justiça, o que representaria um flagrante descumprimento da lei. O general foi explícito inclusive ao mencionar a Lei da Ficha Limpa. Embora não tenha mencionado o nome, ficou claro que o general fazia referência a Lula.

g) Por sua vez, o general foi explícito ao mencionar a boa acolhida junto às Forças Aramadas do nome de Jair Bolsonaro como postulante à presidência.

A transferência de função e a aparente punição
Dois dias após a palestra, o Exército emitiu comunicado oficial informando que o General Mourão havia sido transferido de função, saindo da Secretaria de Economia e Finanças para ocupar a o cargo de adido da Secretaria Geral, onde deverá permanecer até março, quando então entrará para a reserva por força do Regulamento do Exército.

Essa transferência foi interpretada por alguns como uma punição, em vista de um cargo de adido da Secretaria Geral ser de menor relevância que o cargo por ele ocupado até aqui. Ainda que seja possível tal interpretação, ela é apenas exatamente isso: uma interpretação, pois a rigor não houve punição alguma no sentido formal e nos termos do regulamento disciplinar do Exército, uma vez que a fala do general não incorreu em qualquer ato de indisciplina.

O jornal O Estado de São Paulo publicou no sábado uma matéria mentirosa e completamente descabida, assinada pela jornalista Tânia Monteiro, afirmando que o general havia sido destituído do cargo pelo Ministro da Defesa Raul Jungmann, a pedido do próprio Exército. A matéria ignora até mesmo o fato óbvio de que o Exército, assim como a Marinha e a Aeronáutica, é subordinado ao Ministério da Defesa. Portanto, do ponto de vista da relação hierárquica, a afirmação feita pela jornalista não tem sentido algum. Matérias igualmente mentirosas como essa foram publicadas nos demais veículos da grande imprensa.

Unidade de ação e de comando das forças armadas
Em nosso entender é ingenuidade achar que os pronunciamentos do General Mourão reflitam apenas seu ponto de vista pessoal a respeito da situação política do país. A ação das Forças Armadas Brasileiras sempre pautaram-se pela disciplina, respeito à hierarquia e estrita observância da lei e da Constituição, além da legitimidade intrínseca que a nação brasileira confere à instituição militar. Um oficial militar de alta patente como o General Mourão, quando pronuncia-se, o faz sempre refletindo uma coesão de pensamento da instituição a que pertence.

O nosso entendimento é de que a compreensão do cenário político nacional e da visão que as Forças Armadas têm manifestado a respeito dele refletem uma unidade de avaliação e de conduta entre o General Mourão, o comandante Eduardo Villas-Boas e o chefe do GSI General Sérgio Westphalen Etchegoyen. Essa coesão remete até mesmo ao período de impeachment, quando o comando das Forças Armadas deixou claro que não acataria a decisão, que seria ilegal, da então presidente petista de declarar Estado de Emergência.

Por fim, entendemos também que ao contrário do que costuma-se ver nas redes sociais e na grande imprensa, as Forças Armadas têm claro não apenas seu papel institucional de defesa da Pátria e de garantia da paz interna e da ordem, com a legitimidade que o povo lhe confere, como também acompanham o cenário político nacional melhor do que qualquer analista ou cientista político, com base em informações de inteligência que somente elas possuem.

O episódio envolvendo o General Mourão suscitou muita fumaça para pouco ou nenhum fogo. O general continua prestigiado como sempre foi por seus pares e subordinados, não descumpriu norma ou regulamento militar, e tecnicamente não sofreu qualquer tipo de punição, exceto aquela oriunda de interpretação subjetiva para sua transferência funcional. As fontes que consultamos nos asseguram não apenas isso, como asseguram que as Forças Armadas continuam e continuarão acompanhando o cenário político nacional, como parte de suas atribuições constitucionais. 

A íntegra do pronunciamento o General Mourão pode ser vista nesse link aqui. Com a colaboração de Carlos Arouck e Débora Portugal. #CriticaNacional #TrueNews


https://www.youtube.com/watch?v=2xEGfSj_rnY

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