por mariana frechon
A hiperinflação é dramaticamente visível nas ruas venezuelanas, onde a cada dia há mais miséria. Poucas casas estão enfeitadas para o natal, os pais não procuram brinquedos para seus filhos pequenos, ninguém pode comprar roupas e, é claro, as comidas tradicionais desta data já não fazem parte da mesa do venezuelano. Os poucos que conseguem, o fazem com grande esforço.

Juntamente com isso, ter o chamado cartão da pátria consigo é algo obrigatório. O famoso cartão foi imposto pelo governo já nesse período natalino, e sem ele não é possível realizar as coisas mais básicas como realizar compras na maioria dos estabelecimentos alimentares. O cartão também é obrigatório para fazer a solicitação e obter algum documento oficial, como certificados de nascimento, diploma universitário, passaporte e outros.

Ao chegarmos tão perto da data que deveria ser cheia de alegria e felicidade, o socialismo (que está longe de ser expressão de alegria e felicidade) dificulta a união de familiares e de tradições que tanto prezam os venezuelanos. Pelo contrário, a semana foi cheia de protestos em meu país, pois a falta de gás e de gasolina nos estados do interior da Venezuela desencadeou uma série de manifestações. Ao mesmo tempo, em outros estados existe gás e gasolina, mas não há comida o bastante e isso também gerou protestos.

Na região da capital do país, os protestos foram para exigir do governo aquilo que foi prometido para que as pessoas fossem votar nas últimas eleições. Ou seja, as pessoas foram manipuladas com a chantagem de que, se não votassem, não receberiam as bolsas da CLAP (Comitês Locais de Abastecimento e Produção) que correspondem às cestas básicas do Brasil. O problema é que, para essas pessoas, as promessas do governo foram quebradas.

Em meio a esse cenário de miséria e dependência do poder estatal, observamos com tristeza que os venezuelanos, na sua ignorância, culpam os comerciantes quando toda a verdadeira culpa reside no governo, que sempre procura apontar outros culpados, culpa os governos anteriores, o império, as sanções, a oposição, a guerra econômica. Afinal, é o governo que detém a posse das empresas de gasolina, de gás e das cestas básicas da CLAP.

Um organismo denominado SUNDDE, sigla em espanhol para Superintendência Nacional para Defensa e Direitos Socioeconômicos tem estado presente nos negócios e empreendimentos da Venezuela. Trata-se de uma entidade que regula os preços dos estabelecimentos, uma regulação que tem levado à quebra e ao colapso dos pequenos estabelecimentos, uma vez que o organismo obriga os empresários a baixarem seus preços, gerando resultados negativos para os pequenos comércios.

Este é o natal socialista, que tem levado à falência das empresas comerciais que ainda têm tido a coragem de permanecer abertas. É o Natal de protestos por causa da fome ou e da falta de coisas tão essenciais como o gás. O Natal socialista que tem levado à destruição um país lindo. Uma destruição que afeta toda a população, exceto os integrantes do governo. Espero que por esta data, o Natal nos dê mais sabedoria, menos ignorância e muita fé, para continuar lutando por uma Venezuela melhor. Triste Natal Socialista!

Mariana Frechon é venezuelana e moradora do Estado de Miranda, Venezuela. Edição de texto de Paulo Eneas. #CriticaNacional #TrueNews