por paulo eneas
O empresário Flávio Rocha é o novo balão de ensaio do establishment político para a disputa sucessória. O nome do empresário foi lançado como candidato presidencial pelo MBL, após o grupo libertário ter assistido ao naufrágio do projeto presidencial do socialdemocrata tucano João Doria, o que deixou o grupo com uma posição menos cacifada, e portanto necessitando de uma alavancagem, no interior do PSDB.

O discurso de Flávio Rocha é idêntico ao discurso do grupo libertário que o lançou: uma tônica liberal na economia, ataques convenientes e fáceis ao moribundo petismo e seus satélites, e uma concessão conveniente e calibrada a algumas pautas conservadoras. Esse conservadorismo de ocasião não é difícil de decifrar: afinal, o conservadorismo está em alta e há oportunistas de todo tipo surfando nessa onda depois de apoiar Hillary Clinton e demonizar Donald Trump, por exemplo.

O discurso de Flávio Rocha também guarda um silêncio obsequioso em relação aos tucanos, como se os socialdemocratas brasileiros não tivessem nada a ver com a ascensão do petismo e a adoção de políticas públicas estatistas e esquerdistas que estão na contra-mão até mesmo do liberalismo econômico clássico. 

A tônica de seu discurso o faz parecer um remake do projeto presidencial de João Doria, mas agora urdido com as técnicas avançadas de crescimento em redes sociais das oficinas do MBL. Flávio Rocha é conhecido também por ter cultivado excelentes relações com os donos do poder durante os governos de tucanos e petistas.

No final do mês passado, o empresário deu entrevista ao cientista político Bruno Garschagen no podcast do website do Instituto Mises Brasil. Em um trecho da entrevista, cuja íntegra pode ser ouvida nesse link aqui e cuja transcrição encontra-se abaixo, o empresário fala do BNDES, o banco público no qual suas empresas obtiveram empréstimos da ordem de R$1.4 bilhões durante a era petista.

(…) eu acho uma ótima definição do que é o BNDES: o BNDES é uma máquina de tirar de quem sabe fazer para dar para quem sabe conversar. Tira de quem gerou a riqueza, [pois] ao gerar riqueza você paga o imposto para alguém que não necessariamente criou ou mostrou aptidão para criar a riqueza, mas faz um belo PowerPoint, vai lá no Rio de Janeiro e apresenta uma ideia e leva o cheque, né? (…)

O adendo que faríamos a essa confissão de Flávio de Rocha é que o dinheiro do BNDES durante a era petista não era apenas para quem fazia um belo PowerPoint, mas para quem sabia não apenas conversar mas o quê conversar e com quem conversar nos círculos de poder sob controle petista.

Nota: a transcriação completa da entrevista pode ser vista em uma publicação de Lucas Primum no facebook nesse link aqui. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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