por paulo eneas
O empresário Flavio Rocha, que é a nova imagem pública do MBL, publicou um twitter na manhã dessa quarta-feira em defesa de Luciano Huck, alegando que mais de noventa por cento dos jatos vendidos pela Embraer são financiados pelo BNDES. O empresário, que tornou-se repetidor de um discurso liberal e de uma retórica antipetista que silencia a respeito dos tucanos, seguindo portanto o script político elaborado pelo MBL, deveria explicar como fica o liberalismo que ele supostamente prega ao defender que um banco público financie com juros subsidiados a aquisição de bens de consumo por parte de um segmento minúsculo da elite de esquerda brasileira, elite essa da qual ele e seu amigo global Luciano Huck fazem parte.

É fato que pode haver argumentos razoáveis em defesa do financiamento que o BNDES faz da produção de jatos por parte da Embraer. Esses argumentos são exibidos com riqueza de detalhes no artigo Embraer: Um Caso de Sucesso com Apoio do BNDES, de autoria de Paulo Vinícios da Rocha Fonseca, e que pode ser visto nesse link aqui no site oficial do banco estatal. Mas ainda assim, são argumentos questionáveis do ponto de vista do liberalismo clássico que Flávio Rocha, cujas empresas também foram agraciadas com empréstimos generosos do banco na era petista, supostamente tanto defende.

O que é inaceitável e indefensável é um banco estatal financiar com juros subsidiados a compra de bens de consumo de luxo para um segmento da elite, ainda que essa compra seja maquiada como aquisição de bem de capital fixo por parte de pessoas jurídicas agraciadas com esse mimo bancado pelos impostos de todos os brasileiros, como parecer ser o caso do jatinho de Luciano Huck.

Ainda que não haja, salvo indicação em contrário por parte de alguma investigação, qualquer ilegalidade na operação, é questionável se é papel de um banco estatal que é o broker de recursos do tesouro federal, fazer esse tipo de operação, típica de um capitalismo de compadrio diametralmente oposto a tudo que se entende por liberalismo econômico.

Ao defender com naturalidade o agrado estatal a seu amigo e parceiro Luciano Huck, Flávio Rocha do MBL mostrou que o vício de origem de sua trajetória como empresário, e agora como aprendiz de político, continua presente e dificilmente dele sairá: o vício de achar natural que uma parcela da elite nacional beneficie-se, ainda que dentro da lei, das benesses do Estado.

Flávio Rocha do MBL pode até ser contra o Bolsa Família, conforme manda o figurino pseudo-liberal que o MBL envia pra ele. Mas parece nunca ter sentido-se incomodado com o Bolsa Empresário, principalmente quando os agraciados são ele mesmo e seus amigos globais. A publicação original do twitter de Flávio Rocha pode ser vista nesse link aqui. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews

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