por paulo eneas
A repercussão do caso do assassinato da vereadora carioca comunista tem dado origem a um questionamento: não estariam os conservadores e a direita em geral cometendo o erro estratégico de permitirem-se serem pautados por um fato protagonizado pela esquerda?

Trata-se ao nosso ver de um questionamento legítimo, uma vez que esse episódio tem servido para eclipsar nos últimos dias aquela que deve ser a pauta prioritária da direita conservadora ao longo desse ano: a exigência do cumprimento integral da lei do voto impresso e a legalidade e transparência no processo eleitoral, desde a votação até a apuração.

Isso posto, no entanto, é necessário levar em conta que o crime ocorrido na capital carioca ensejou o ambiente para que a esquerda pudesse criar narrativas mentirosas e desonestas na opinião pública visando cumprir sua agenda ideológica. Uma agenda que inclui, entre outros, os seguintes pontos:

a) Culpar a polícia por um crime cuja responsabilidade principal é da própria esquerda, por conta de sua relação promíscua, motivada por razões ideológicas e por interesses financeiros, com o mundo do narcotráfico e do crime organizado em geral.

b) Criar pretexto para atacar e condenar a intervenção federal no estado.

c) Glamourizar a tragédia ocorrida com a vereadora para criar um mártir.

d) Repetir à exaustão a narrativa mentirosa de que a culpa pela criminalidade crescente (que a esquerda nunca chama de criminalidade, mas de violência) é da polícia e das forças da lei da ordem em geral, incluindo agora a intervenção federal.

e) Reforçar a exibição da narrativa que ignora que o agente principal do crime é o criminoso, e tratar esse criminoso como sendo também uma vítima da sociedade, que seria por si mesma intrinsecamente violenta por razões econômicas e sociais; ou seja, por não ser uma sociedade comunista-socialista.

f) Reunir mais elementos para levar adiante uma das pautas prioritárias dos comunistas e dos agentes globalistas que os financiam, além do próprio crime organizado, que é a extinção da polícias militares e a unificação das polícias sob o governo central.

Diante dessa situação concreta, os conservadores e a direita em geral deveriam ignorar esse tópico da guerra política, sob pretexto de não deixarem-se pautar pelo protagonismo circunstancial da esquerda, deixando essa mesma esquerda construir livremente essa narrativa na opinião pública sem ser contestada?

Em nosso entender, não. Pois isso equivaleria a retornar à situação que prevaleceu no país durante décadas, na qual a esquerda exercia a hegemonia absoluta na formação da opinião pública, justamente por não ser contestada por nenhum antagonista e por deter o controle total de todos os meios de ação da guerra política e cultural.

Essa hegemonia da esquerda começou a ser quebrada justamente quando a direita passou a contestar as narrativas esquerdistas sobre os fatos relevantes da vida pública. E essa contestação deve continuar sendo feita pela direita, e não pode ser confundida com deixar-se pautar pela agenda esquerdista.

É evidente que os meios de ação à disposição dos conservadores são absurdamente menores do que aqueles que estão sob controle dos revolucionários. Afinal, a direita não tem uma Rede Globo para ser sua porta-voz, ao contrário da esquerda que tem nessa emissora carioca a repetidora quase oficial da agenda ideológica revolucionária, especialmente nos temas de segurança pública e de indução de comportamento.

Também é evidente que nesse esforço para quebrar a hegemonia esquerdista na guerra cultural, a direita conta basicamente apenas com as redes sociais e os veículos de imprensa conservadora de alcance ainda limitado, quando comparados àqueles da grande imprensa.

A despeito disso, a hegemonia da esquerda vem sendo quebrada ao longo desse anos justamente por conta dessa disposição dos conservadores em fazer essa disputa de narrativas. Uma disputa da qual não devemos de modo algum abrir mão, pois isso equivaleria a abrir mão de disputar a guerra política. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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