por claudia wild
Passada a euforia da comemoração acerca da prisão do criminoso mais infame do Brasil, é preciso pensar no jogo que a esquerda adotará daqui para frente e suas linhas de atuação.

Como se sabe, a esquerda vive de narrativas mentirosas e cadáveres. Nesse sentido, Lula, além de uma mentira, poderá também se transformar em dois tipos de cadáveres. Um que servirá para nutrir a narrativa do homem do povo, benfeitor dos pobres, perseguido pelo sistema opressor de uma elite impiedosa. O outro, aquele cadáver a ser enterrado politicamente, pois não é mais possível convencer sobre suas boas intenções, estas, fabricadas ao longo de décadas.

Em sendo assim, descartarão o preso-mito em uma cova rasa. Ainda é cedo para falarmos qual cadáver vingará, mas a possibilidade maior é a do segundo. Entendemos que, politicamente, Lula já está enterrado, restando apenas a força da organização da estrutura socialista existente no país.

O mito-chefe da esquerda, Lula, não nasceu ou cresceu do nada. Ele é fruto de uma engenharia política que há décadas arrasta-se na América Latina e no Brasil. O herói macunaímico – homem pobre, ignorante, raivoso, vaidoso e que demonstra sérios traços psicopatológicos foi uma escolha mambembe para algo devassador: manterem vivos os ideais fajutos, enganadores e deletérios do comunismo em nosso continente. Dando continuidade, assim, a tudo aquilo que a esquerda promete, vende e não entrega.

Lula pode ser descartado com muita facilidade, caso a narrativa comece a falhar. É o modus operandi do marxismo que carrega o gene da mutação em seu DNA. A esquerda, pós-era lulopetista, virá repaginada, cheirosinha, de cabelo penteado e com algo mais bem elaborado do que o grosseirão alcoólatra, a voz rouca do ABC Paulista. Eles são mestres em disfarce – e, hoje, nos tempos da velocidade da internet – nem tão disfarçado assim. Quem não se lembra do orgulho do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, ao dizer, anos atrás: temos algo inédito no Brasil, só candidatos de esquerda estarão disputando a Presidência da República.  

Ele não mentiu, pois o Brasil foi tomado pelo grau máximo do esquerdismo ambulante e pensante. Hoje, depois da descoberta dos planinhos malditos da patota de Lula e do Foro de São Paulo, o cenário mudou e a esquerda não está mais sozinha no cenário político, apesar de ainda manter sua hegemonia cultural e mostrar seu poder na inquestionável contaminação institucional no país.

Os três viveiros do lulopetismo
O lulopetismo e suas franjas são mantidos graças aos três “viveiros” marxistas criados no Brasil ao longo de décadas. O primeiro deles: escolas e universidades, que via doutrinação criam zumbis ideológicos incapazes de pensar racionalmente ou admitirem fatos relacionados ao estrondoso fracasso do comunismo/socialismo mundo afora. Estes viveiros intelectuais e culturais propagam a ideologia de Marx e Gramsci como o bálsamo para todas as dores humanas e o único caminho para o desenvolvimento democrático com distribuição justa da riqueza. Exatamente o contrário que a ideologia efetivamente entrega: miséria, mais dores, repressão e atraso.

O segundo viveiro vem do primeiro. Ele, após sua doutrinação formal e metodológica, incorpora a mentalidade marxista, tratando de distribuí-la na forma de “justiça social, direitos do cidadão, direitos humanos, pensamento coletivista, benefícios do público em detrimento do privado, malefícios da ganância capitalista”,  e outros cacoetes amplamente trabalhados no viveiro de origem. As informações falaciosas dos seus propagadores são colocadas em prática nos mais variados setores da sociedade brasileira.

É o que hoje se vê na mentalidade dos representantes dos mais altos cargos da República, no funcionalismo público em geral, na burocracia, na imprensa, etc. Geralmente, uma parcela de pessoas extremamente bem pagas – direta ou indiretamente – pelo Estado, que vive em bolhas artificiais, completamente alheia aos reais problemas do país, e que tem aversão à produção de riquezas e ao empreendedorismo, enquanto ela própria desfruta de tudo que o dinheiro e a riqueza podem proporcionar.

O terceiro viveiro que mantém a estrutura do socialismo, depois de passar também pelo primeiro, usa do imaginário irrequieto/questionador daqueles que pretendem transformar o mundo por meio da leveza e da expressão artística. Esta última, geralmente cheia de inconformismo, cheia da rebeldia própria daqueles que dedicam suas vidas ao repto da modernidade. Rebeldia que repudia o “velho modelo”, a mentalidade racional sobre o que deu certo e proporcionou avanços à humanidade.

Daí a necessidade do progressismo – a quebra de conceitos, paradigmas e valores – como meta e instrumento da mudança social por meio da cultura e da arte. Este viveiro marxista investiu na essência humana: o gosto pelo luxo, pelo vil metal – de preferência – sem peso na consciência. É um setor dominado por artistas e intelectuais movidos a dinheiro (muito dinheiro), muito discurso hipócrita e pouca (talvez nenhuma) serventia para o real desenvolvimento do país.

São os nossos descolados, os rostinhos e vozes que embelezam palanques, palcos, campanhas políticas e propagandas. É a massa de manobra mais vista do marxismo, apesar de politicamente ser limitada ao extremo. Praticamente ventríloquos programados para ganharem dinheiro com seus ofícios e influenciarem o público cada vez mais minguado.

Uma militância minguada
No desenrolar dos últimos capítulos da excepcional derrocada do ex-presidente Lula, percebemos que o povo que sustenta o marxismo é menor, muito menor do que aquele que o repudia. A militância está minguada, restrita a setores historicamente ligados à esquerda, como sindicatos, movimentos sociais e a massa de manobra mais intelectual e economicamente fraca, porém organizada, paga com migalhas e extremamente doutrinada.

Assim, o desafio – caso queiramos o real desenvolvimento do Brasil com o surgimento de uma nova mentalidade – é desativar ao longo dos anos os três viveiros, para que eles não possam mais influenciar nos rumos políticos do país. Somos, indiscutivelmente, maioria, mas somos dispersos, desorganizados, infantis, amadores, e, portanto, politicamente fragilizados diante do profissionalismo marxista, que há muitas décadas especializou-se em enganar e usar incautos, gente preguiçosa e invejosa.

Ele ainda investiu pesadamente no método para roubar mentes humanas em prol da causa e criar ojeriza em muitos, para não participarem do processo político de uma nação. Com isso, o método marxista se mantém vivo e vai se reinventando. Estamos com a faca e o queijo nas mãos, resta saber o tamanho da nossa fome e a destreza das nossas mãos.

Claudia Wild é advogada brasileira, analista política e autora e residente na Alemanha. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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