por christina fontenelle
Agentes de informações estrangeiros que trabalham em diferentes locais do mundo costumam enviar relatórios de observação de cenários e de fatos locais aos seus países de origem, e esse procedimento sempre fez parte do trabalho regular da comunidade de informações de todos os países. 
Estes agentes fazem este trabalho a partir de diferentes postos de observação nos quais atuam, tais como embaixadas, consulados, universidades, em grandes empresas, como pequenos empresários, e outros.

Os agentes enviam aos seus países de origem relatórios ou memorandos que são documentos oficiais, mas a natureza desses documentos é de observação. Ou seja, o documento enviado é oficial, mas o seu conteúdo não constitui-se em prova documental destes relatos, nem corresponde necessariamente à verdade, pois ele sempre é baseado nas observações do próprio agente que descreve tais cenários e fatos.

É precisamente esse o caso do memorando que foi enviado pelo diretor da CIA, William Colby, ao secretário de estado norte-americano Henry Kissinger a respeito do que ocorria no Brasil durante a gestão do presidente Geisel, em 1974. A versão em português da íntegra desse memorando pode ser vista mais abaixo, ao final desse artigo.

A infiltração esquerdista no serviço de inteligência norte-americano
É imprescindível, entretanto, contextualizar fatos e pessoas envolvidas no caso desse memorando. Primeiramente, é preciso ter em mente que Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA, enfrentava infiltração esquerdista americana desde antes de 1954, como se pode ver nas denúncias do Senador Republicano Joseph P. McCarthy, de Wisconsin,  conforme descrito nesse link aqui. O senador foi época acusado pelos opositores de estar fazendo alarmismo para alavancar prestígio. 
Mas ele não estava.

Um exemplo dessa infiltração comunista no serviço de inteligência norte-americano é John Brennan, chefe da CIA durante o governo de Barack Obama. John Brennan afirmou na Conferência Legislativa Anual do Comitê Parlamentar Negro, em 15 de setembro de 2016, que quando ele ingressou na CIA em 1980 admitiu ter votado no candidato do Partido Comunista dos EUA, Gus Hall, na eleição presidencial de 1976, e que ficou muito aliviado ao descobrir que essa informação não causava rejeição para fazer parte da agência.

Outro fato a ser levado em consideração é o de que o Secretário de Estado dos Estados Unidos naquele ano, Henry Kissinger,  sempre foi um agente globalista atuando no governo daquele país e que, portanto, trabalhava junto a entidades internacionais para promover a chamada abertura democrática de viés esquerdista no Brasil. Henry Kissinger também fez todo tipo de pressão para que o governo de Ernesto Geisel desistisse do programa nuclear brasileiro que resultou no acordo com a então Alemanha Ocidental para a construção das usinas nucleares de Angra dos Reis.

A questão de saber se tal acordo de cooperação na área de tecnologia nuclear era bom ou não para o Brasil e se o então presidente Ernesto Geisel era simpatizante do nacionalismo, sem se importar se vinha da direita ou da esquerda, é um tema que merece discussão à parte.

Um documento forjado e altamente inverossímil
Isso posto, é razoável considerar que o olhar sobre o governo brasileiro da época por parte dos norte-americanos não fosse o dos melhores e que, por conseguinte, os agentes informantes do nosso cenário para as agências de inteligência dos Estado Unidos tratassem inclusive de forjar informativos que sinalizassem ao governo americano que aqui ocorreriam gritantes violações dos chamados direitos humanos. Isso mesmo: forjassem!

E a ânsia de forjar era tanta que, no caso desse tal memorando, o diretor da CIA descreve uma reunião entre quatro generais, sendo um deles o próprio presidente da república, da qual aparentemente, e de modo ridículo, o agente informante teria conseguido ter acesso ao conteúdo dos diálogos ali travados.

Cabem aqui algumas perguntas: o agente mandou colocar uma escuta na sala? Se sim, foi essa informação que foi omitida como not disclassified (não desclassificado, secreto)? Se houve então tal escuta, onde está a gravação para que o público possa ter acesso foi omitido e dessa forma possivelmente criar uma enorme crise diplomática retroativa!

Se nada disso for elucidado, o que está ali naquele memorando não passa de especulação, de informação forjada para forçar o governo dos Estados Unidos a pressionar o governo brasileiro, tanto pela abertura como pelo fim do programa de cooperação nuclear com os alemães.

Guerra geopolítica e fake news nacionais por motivação eleitoral
O contexto do tal memorando ficará mais claro ser lembrarmos que William Colby foi o responsável pela desastrosa operação phoenix, no Vietnã, durante a guerra. Uma operação que matou milhares de vietcongs (comunistas) e de civis, dando motivos para que uma onda de protestos nos Estados Unidos e mundo afora acabasse por obrigar os americanos a saírem daquele país. A saída dos americanos da Guerra do Vietnã deixou o caminho livre para que os comunistas assassinassem milhares de vietnamitas anticomunistas e civis.

Ou seja, o chefe da CIA responsável pelo tal memorando sobre supostas ações do governo de Ernesto Geisel, William Colby, é a mesma pessoa incompetente que, guiada pela noção de maquiavélica de que os fins justificam os meios, concebeu a estratégia militar dos norte-americanos na Guerra do Vietnã que resultou na saída dos Estados Unidos daquela guerra. Uma saída que visava possibilitar a vitória dos comunistas naquele país, bem como a vitória dos comunistas no vizinho Camboja. Vitórias essas que resultaram na matança de milhares de vietnamitas e na matança de milhões de cambojanos.

Disso pode-se concluir que a grande imprensa brasileira disseminadora de fake news, em especial a Rede Globo, trouxe a público um memorando opinativo que não traz prova alguma sobre o que diz. A divulgação de tal memorando que em si não constitui-se em prova alguma de nada dada a sua completa inverossimilhança, destina-se apenas a fazer propaganda anti-militarista.

A motivação para mais essa investida da grande imprensa fake news reside no temor que tomou conta da esquerda nacional, após cheque-mate que levou com divulgação da filiação do general Hamilton Mourão ao PRTB. Uma filiação que tem um valor estratégico para a direita, pois torna sem nulas as intenções da esquerda tentar impedir a candidatura de Jair Bolsonaro ou mesmo de tentar cassá-lo depois de eleito. 

Cabe também lembrar que a atuação do Centro de Inteligência do Exército junto ao TSE para garantir a lisura do pleito, como foi confirmado pelo General Hamilton Mourão na entrevista exclusiva concedida essa semana ao Crítica Nacional, tornará ainda mais difícil para a esquerda conseguir fraudar a eleição.

Nesse cenário, restaria a esquerda apenas alegar que a vitória eleitoral da direita, que a esquerda já sabe que vai ocorrer, deveu-se a supostas fake news, como já sinalizou o ministro Luiz Fux em artigo que o Crítica Nacional publicou essa semana e que pode ser acessado nesse link aqui. Ou então restaria a esquerda simplesmente alegar fraude eleitoral, como já aventou José Dirceu em seu último artigo e vídeo, para tentar anular a eleição da chapa de Jair Bolsonaro.

Todas estas estratégias da esquerda estão sendo desarmadas, e a cartada lançada pela Rede Globo com o tal memorando fajuto sobre o regime militar da CIA indica claramente que a esquerda precisará elaborar outro plano para evitar sua iminente derrota.

Christina Fontenelle é jornalista e analista de estratégia política. Edição de texto de Paulo Eneas. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


COMPLEMENTO: A TRADUÇÃO DO MEMORANDO DA CIA

Observação preliminar: existem dezenas de outros documento de relatos, neste mesmo arquivo, que não falam nada disso e, ao contrário, descrevem o processo de abertura do regime, eleições, e outros dentro da normalidade.

RELAÇÕES EXTERIORES DOS ESTADOS UNIDOS, 1969-1976, VOLUME E-11, PARTE 2, DOCUMENTOS SOBRE A AMÉRICA DO SUL, 1973-1976

Fonte: https://history.state.gov/historicaldocuments/frus1969-76ve11p2/d99?platform=hootsuite 

99. Memorando Do Diretor da Agência Central de Inteligência Central, Colby, ao Secretário de Estado Kissinger (1)

Washington, 11 de abril de 1974.

ASSUNTO:
Decisão do Presidente do Brasil, Ernesto Geisel, de continuar a execução sumária de subversivos perigosos sob certas condições.

1. [1 parágrafo (7 linhas) não desclassificado]

2. Em 30 de março de 1974, o presidente brasileiro Ernesto Geisel reuniu-se com o general Milton Tavares de Souza (chamado General Milton) e com o general Confúcio Danton de Paula Avelino, respectivamente os chefes de saída e chegada do Centro de Inteligência do Exército (CIE). Também esteve presente o general João Baptista Figueiredo, chefe do Serviço Nacional de Inteligência (SNI).

3. O General Milton, que fez a maior parte da conversa, delineou o trabalho do CIE contra o alvo subversivo interno, durante a administração do ex-presidente Emilio Garrastazu Médici. Ele enfatizou que o Brasil não pode ignorar a ameaça subversiva e terrorista, e disse que métodos extralegais devem continuar a ser empregados contra subversivos perigosos. A este respeito, o General Milton disse que cerca de 104 pessoas nesta categoria foram sumariamente executadas pelo CIE durante o ano passado, aproximadamente. Figueiredo apoiou essa política e insistiu em sua continuidade.

4. O Presidente, que comentou sobre a seriedade e os aspectos potencialmente prejudiciais dessa política, disse que queria refletir sobre o assunto durante o fim de semana, antes de chegar a qualquer decisão sobre se deveria continuar. Em 1º de abril, o presidente Geisel disse ao general Figueiredo que a política deveria continuar, mas que muito cuidado deveria ser tomado para assegurar que apenas subversivos perigosos fossem executados. O presidente e o general Figueiredo concordaram que quando o CIE prender uma pessoa que possa se enquadrar nessa categoria, o chefe do CIE consultará o general Figueiredo, cuja aprovação deve ser dada antes que a pessoa seja executada. O Presidente e o General Figueiredo também concordaram que o CIE deve dedicar quase todo o seu esforço à subversão interna, e que o esforço geral do CIE será coordenado pelo General Figueiredo.

5. [1 parágrafo (12½ linhas) não desclassificado]

6. Uma cópia deste memorando será disponibilizada ao Secretário de Estado Adjunto para Assuntos Interamericanos. [1½ linhas não desclassificadas] Nenhuma distribuição adicional está sendo feita.

W.E. Colby

Resumo: Colby relatou que o Presidente Geisel planejava continuar a política da Médici de usar meios extralegais contra subversivos, mas limitaria as execuções aos subversivos e terroristas mais perigosos.

Fonte: Agência Central de Inteligência, Escritório do Diretor de Inteligência Central, Job 80M01048A: Arquivos de Assunto, Caixa 1, Pasta 29: B – 10: Brasil. Segredo; [restrição de manuseio não desclassificada]. De acordo com uma anotação carimbada, David H. Blee assinou com Colby. Elaborado por Phillips, [nomes não desclassificados] em 9 de abril. A linha para a concordância do Diretor Adjunto de Operações está em branco.


 

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