por paulo eneas
A greve dos caminhoneiros adquiriu proporções nacionais graças à estrutura sindical poderosa e muito bem organizada em nível nacional que congrega a maioria dos caminhoneiros autônomos. Essa estrutura conta com sindicatos, federações e uma confederação em nível nacional, denominada Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, CNTA, presidida pelo sindicalista Diumar Bueno. A confederação reúne cerca de quarenta por cento dos caminhoneiros do país, sendo que os demais são contratados das empresas transportadoras, que também aderiram à greve.

Nesse sentido, a greve dos caminhoneiros é uma combinação de paralisação que reúne de um lado empreendedores autônomos, representados em grande parte pela CNTA e liderados pelo sindicalista Diumar  Bueno, e de outro lado uma ação de locaute por parte das empresas transportadoras que atuam no setor, e que também estão articuladas em nível nacional pelos sindicatos patronais do setor.

Logo, dizer que a greve é um movimento de resistência civil espontâneo chega a ser uma enorme ingenuidade: o que ocorre hoje no país é um poderoso movimento grevista e de locaute em nível nacional, levado a cabo por sindicalistas experientes que há décadas vivem da estrutura sindical patronal ou dos trabalhadores autônomos.

O líder sindical Diumar Bueno relata ele mesmo que entrou para a vida sindical ainda em 1984, há mais de trinta anos portanto. Em 1987 ele fundou o sindicato do transportadores autônomos do Paraná, e desde então ajudou a formar federações estaduais e a confederação nacional, que reúne as federações, a qual ele preside. Portanto, ele vive no e do mundo sindical há mais de três décadas, tendo adquirido expertise o bastante para promover um movimento bem-sucedido de paralisação de caminhoneiros autônomos em nível nacional.

Diumar foi um dos sindicalistas que esteve, juntamente com líderes sindicais de outras entidades do setor, reuniram-se com o presidente Michel Temer essa semana para dar início à negociações envolvendo a greve. Greve que hoje completou quatro dias e que tem provocado bloqueio de rodovias, desabastecimento de alimentos e combustíveis e que começa a afetar o setor de farmácias.

Assim, não pode restar dúvidas de que essa greve não tem nada de espontâneo e muito menos pode ser associada a uma resistência civil: trata-se de uma ação bem articulada de uma poderosa máquina sindical chefiada por um sindicalista com décadas de experiência no setor. No vídeo abaixo, em seus minutos iniciais, o líder sindical descreve sua trajetória.

Com a colaboração de Débora Portugal e Zanza Mincache. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Deixe um comentário