por paulo eneas
Passada a febre revolucionária desencadeada pelo movimento de greve e de locaute no setor do transporte de cargas, é possível agora avaliar com mais frieza e objetividade o prejuízo enorme que esse movimento causou ao país. Um prejuízo que será pago por todos os brasileiros, pois de nada adiantará dizer que Essa Conta Não É Nossa ou então afirmar que Não Pagaremos Essa Conta, pois essas palavras de ordem não passam de retórica: a conta desse prejuízo cairá nas costas dos brasileiros e, em alguns casos, especialmente dos brasileiros mais pobres.

Segundo projeção da Fundação Getúlio Vargas, os prejuízos causados pela interrupção dos serviços de transporte de carga resultarão em um recuo de 0.3% na previsão de crescimento do PIB desse ano, que deverá ficar em 2.0%. Se confirmadas essas projeções, o movimento paredista teria comprometido então cerca de 16.5% do crescimento da economia nacional esse ano. Em condições normais, somente um desastre natural de grandes proporções poderia afetar a economia de um país nesse escala.

O pilar da economia nacional foi o mais afetado
O setor mais afetado foi justante o setor que tem sido o pilar da economia nacional nos últimos anos: o agronegócio, que depende fortemente do transporte de cargas para o escoamento de produção e para o recebimento de insumos para a produção agrícola ou de criação de animais.

Os números da destruição nesse setor são avassaladores: estima-se em 100 milhões de aves mortas e 300 milhões de litros de leite jogados fora. Cerca de 120 mil toneladas de carne deixaram de ser exportadas, e praticamente todas as instalações de produção e de processamento de carne no país ficaram paradas. Os prejuízos acumulados do setor estão estimados em R$14 bilhões.

O impacto da greve e do locaute em outros setores da economia foi igualmente expressivo e não pode ser ignorado ao se analisar as consequências de um movimento paredista movido por razões políticas e que atentou contra os interesses dos país. Segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Logistas, as perdas no setor de varejo foram de R$27.0 bilhões. A construção civil também foi afetada com a paralisação de obras, causando um prejuízo projetado de R$2.9 bilhões.

O setor público perde e a sociedade paga
O setor público também foi impactado: os impostos sobre combustíveis respondem por cerca de 5% de toda a arrecadação tributária nacional. Os dez dias de paralisação impactaram em cerca de R$4.7 bilhões a menos de arrecadação somente desse setor. Somente o Estado de Minas Gerais teve uma perda estimada de arrecadação de ICMS de R$874 milhões, segundo a federação estadual das indústrias mineira. A federação também projeta uma perda de R$2.4 bilhões no setor industrial mineiro.

As perdas do setor público, que na prática correspondem a perdas de toda a sociedade, foram acentuadas pela forma como foram atendidas as demandas dos caminhoneiros: a redução no preço do diesel ocorreu por meio de renúncia fiscal e subsídios, que somados chegam a R$9.6 bilhões, que serão cobertos em parte pelo Tesouro Nacional e em parte pela elevação da alíquotas de tributação em outros setores. Será também compensado pela re-oneração da folha de pagamento de outros setores de atividade econômica, medidas essas que impactam negativamente em investimentos e geração de empregos futuros.

Do ponto de vista estritamente econômico, a interrupção dos serviços de transporte de cargas foi obviamente um péssimo negócio para a economia nacional. A solução encontrada, ainda que atenda demandas legítimas dos caminhoneiros autônomos, foi igualmente ruim, uma vez que não representou a diminuição do Estado na economia, mas a realocação dos custos dessa presença para outros setores com menor poder de lobby e de pressão.

O resultado mostra que, como afirmamos desde o início, movimentos dessa natureza jamais podem atender aos reais interesses do país do um todo. A solução para os problemas de conflito distributivo no país, conflitos esses que existem em qualquer economia de mercado, passam não por ações revolucionárias como as que assistimos esses dias.

A solução passa por mais mercado, menor regulação, fim de monopólios públicos ou privados, e pelo fim da presença sufocante do Estado na economia nacional. E nenhuma dessas soluções será obtida por meio de greves e paralisações que, na melhor das hipóteses, servem apenas para atender interesses de grupos de pressão e jamais contemplar os interesses nacionais.

Com informações do Jornal O Estado de Minas. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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