por paulo eneas
O pré-candidato presidencial Ciro Gomes vem adotando durante essa fase de pré-campanha uma retórica esquerdista em suas falas, que parece ter sido talhada para atingir um objetivo muito bem definido. Esse objetivo seguramente vai muito além da interpretação óbvia e imediata que muitos analistas fazem, de que ele estaria apenas interessado em conquistar o eleitorado de esquerda, especialmente os órfãos do petismo.

Ciro Gomes, cujo partido tem relações assumidas com os comunistas chineses, tem falado em re-estatizar empresas públicas privatizadas, saiu em defesa da ditadura comunista venezuelana, promete tabelar lucros da Petrobras, faz elogios rasgados ao MST, ataca e combate gratuitamente os cristãos, particularmente os católicos, promete ressuscitar o modelo econômico desenvolvimentista da era petista.

Esta semana, o presidenciável dos comunistas chineses fez um insulto racista, visivelmente calculado e pensado, a um vereador paulistano durante uma entrevista em um programa de rádio, com o objetivo explícito de fazer esse insulto repercutir o máximo possível na grande imprensa e nas redes. Soma-se a isso, sua hostilidade assumida em relação ao que convencionou-se chamar de mercado: os agentes e operadores econômicos capazes de influenciar os rumos da economia nacional.

A estratégia de Ciro Gomes seguramente não tem nada de intempestivo ou tresloucado, como querem acreditar algumas análises mais imediatas. Da mesma forma que sua retórica não limita-se a conquistar o eleitorado petista hoje órfão, pois é sabido que parcela desse eleitorado já não é mais susceptível aos discursos e bravatas como os de Ciro Gomes ou mesmo à retórica do líder petista criminoso que encontra-se preso.

Poupar os tucanos para viabilizar o centro
Cumpre-se observar que existe um elemento comum em todas as bravatas recentes de Ciro Gomes: a ausência de qualquer crítica aos tucanos. Uma ausência que contrasta com a trajetória do “coronel” cearense que, nos últimos vinte e poucos anos, tem marcado sua conduta pela adesão ao petismo e pela retórica virulenta contra a socialdemocracia, especialmente contra os tucanos paulistas.

Isso posto, podemos inferir que a estratégia de Ciro Gomes na verdade é um jogo combinado. Um jogo destinado a criar uma pseudo-radicalização à esquerda, coisa que o petismo não consegue fazer hoje com a mesma intensidade que fazia antes de seu líder ser preso. Essa pseudo-radicalização teria como objetivo deliberado empurrar setores do eleitorado para o chamado centro. O mesmo centro tão esperado e desejado pelo estamento burocrático e que até agora não conseguiu viabilizar-se eleitoralmente na figura de Geraldo Alckmin.

Ao usar dessa retórica radicalizada à esquerda e ao conseguir repercuti-la na grande imprensa, Ciro Gomes estaria atuando no sentido de viabilizar o chamado centro, que viria então a apresentar-se como alternativa ao radicalismo de esquerda representado por ele mesmo, e ao suposto radicalismo de direita que sempre tentaram e continuarão tentando  impingir a Jair Bolsonaro.

Em outros momentos do passado, Ciro Gomes já mostrou-se disponível para desempenhar certos papeis, inclusive o de cão de guarda raivoso do petismo. Estando agora o petismo, em vista de sua decadência, ausente do grupo de protagonistas dessa disputa eleitoral, é bastante provável que Ciro Gomes esteja agora desempenhando um novo papel: o de ser o impulsionador do chamado centro. E ele faz isso por meio de uma postura dissimulada que adota o artifício de uma radicalização esquerdista retórica artificial.

Ciro Gomes pode, portanto, estar apenas trabalhando para tentar viabilizar aquilo que todo estamento burocrático, incluindo os setores corruptos da classe política e até mesmo parcela da esquerda pragmática, deseja: a formação do chamado centro político em torno de um líder tucano para fazer frente à ascensão e ao favoritismo da direita representada por Jair Bolsonaro. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE