por paulo eneas
O criminoso terrorista confesso Adélio Bispo de Oliveira, que tentou matar Jair Bolsonaro no início desse mês, possivelmente irá conceder duas entrevistas antes do dia do primeiro turno das eleições. Uma das entrevistas será para a Revista Veja e outra será para um programa de televisão do SBT. A defesa do criminoso solicitou à justiça a autorização para estas entrevistas e o Ministério Público, inacreditavelmente, não se opôs.

Diante da indiferença do Ministério Público, a justiça limitou-se a considerar os aspectos puramente operacionais de segurança e rotina do local onde o criminoso está preso para a realização das supostas entrevistas, e encaminhou a decisão ao diretor da Penitenciária Federal de Campo Grande-MS. O diretor, até informações de momento, concordou com a realização das entrevistas.

A omissão do Ministério Público diante do pedido absurdo da defesa do criminoso é inaceitável e inexplicável. O criminoso foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional e qualquer afirmação que ele venha a fazer, que não aquelas em juízo no âmbito do devido processo legal, implicará em questões que envolvem a segurança nacional, além das óbvias implicações eleitorais. O Ministério Público teve atitude de poliana e decidiu ignorar essas implicações ao não se opor ao pedido de entrevistas.

Uma absurda inversão de valores
Os brasileiros correm o risco de nos próximos dias assistirem a um criminoso falando livremente para a imprensa o que bem entender, apresentando o seu ponto de vista sobre o crime por ele cometido que comoveu o País e que causou um desequilíbrio na disputa eleitoral, impedindo o principal concorrente de prosseguir campanha.

Por outro lado, as investigações da Polícia Federal prosseguem com lentidão, e informações ainda não confirmadas dão conta de que a polícia pretende tornar públicas as conclusões das investigações sobre o crime somente após as eleições, justamente para que essas conclusões não interfiram no processo eleitoral.

Fica patente a absurda inversão de valores dessa situação: o criminoso jamais poderia ter o direito de vir a público através da imprensa apresentar a sua versão do crime que ele assumidamente cometeu por razões políticas, com as implicações eleitorais óbvias que isso acarreta. Da mesma forma, é inaceitável que uma instituição de Estado de investigação policial como a Polícia Federal decida pautar o ritmo de suas investigações de acordo com as conveniências do calendário eleitoral.

Os brasileiros têm o direito de saber quem mandou Adélio Bispo matar Jair Bolsonaro. E têm o direito de saber se os mandantes têm ou não alguma relação com os demais candidatos e partidos políticos. Isso não é interferir no processo eleitoral, mas assim assegurar a sua transparência. E cabe à Polícia Federal ter ciência dessa urgência e apresentar as conclusões ao público, em vez de permitir que o ponto de vista do criminoso venha constituir-se como narrativa predominante às vésperas das eleições.

Boatos e informações incertas na rede
A natureza quase surrealista dessa situação tem dado origem a uma série de boatos e de informações duvidosas que têm circulado pela rede nos últimos dias. Em uma dessas informações, o autor não identificado afirma que teria tido acesso ao “texto” da entrevista na qual o criminoso aponta que os mandantes do crime seriam pessoas do próprio partido de Jair Bolsonaro.

Pela forma com que a informação circula, e a referência obscura a um suposto “texto”, entendemos até o momento que essa informação não passa de boato, destinado unicamente a causar alarde e conturbar ainda mais o ambiente. No entanto, a demora da Polícia Federal em apresentar suas conclusões, e leniência da justiça e do Ministério Público em permitir que um criminoso use a imprensa para apresentar livremente sua versão do crime, contribuem para a disseminação desse tipo de boato.

De nossa parte, entendemos que tanto a justiça comum quanto a justiça eleitoral precisam e devem ser acionadas, para impedir que uma bizarrice político-eleitoral e institucional venha a conspurcar o já conturbado cenário eleitoral brasileiro. Um cenário que começou com a candidatura fake de um presidiário tendo grande destaque na grande imprensa, e que pode terminar com os holofotes dessa mesma imprensa voltados para glamourizar outro detento: um assassino homicida assumido, que tentou matar o líder inconteste da disputa eleitoral.  #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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