por paulo eneas
A confirmação do nome de Joaquim Levy para a presidência do BNDES representa um ônus político para o futuro governo de Jair Bolsonaro. Levy foi convidado para o cargo por Paulo Guedes, com a missão de alavancar recursos internacionais para o banco estatal de fomento, para que o BNDES possa aumentar em contrapartida o volume de repasses ao tesouro nacional para fins de redução da dívida pública, e ao mesmo tempo manter e ampliar sua capacidade de atuação no programa de privatizações.

Ainda que esse modelo de redução de perfil da dívida pública combinado com o aumento da capacidade de atuação do banco estatal de fomento esteja tecnicamente correto, e ainda que Joaquim Levy reúna as qualificações necessárias para sua implementação, existe um problema político intrínseco com a escolha do ex-ministro da Fazenda do governo de Dilma Rousseff para esta função.

O problema político começou pela maneira como foi feita a escolha: Levy foi convidado por Paulo Guedes aparentemente sem consulta prévia ao presidente eleito. O convite saiu na imprensa e criou uma situação de fato, o que colocou o presidente eleito diante da opção de desautorizar publicamente seu futuro ministro da Economia ou concordar com a escolha feita, ainda que a contra-gosto.

Prevaleceu a segunda opção, mas com Jair Bolsonaro exercendo sua autoridade e reafirmando seu compromisso de fazer a abertura da chamada caixa preta do BNDES e exigindo de Levy o cumprimento dessa determinação, sob risco de demissão. Ou seja, ficou claro para o público que a escolha de Levy não agradou ao presidente eleito e  espelhou uma intransigência de seu futuro ministro da Economia: afinal, existem outros técnicos tão ou mais qualificados que Joaquim Levy para chefiar o BNDES e levar adiante a missão, correta, que será dada ao banco estatal no novo governo.

Joaquim Levy possui um histórico de serviços prestados ao establishment político e financeiro. O economista fez carreira no Bradesco, um dos bancos que mais se beneficiou da desastrosa política econômico da era petista. O banco esteve entre os principais operadores dos recursos do BNDES repassados à JBS e à Odebrecht, incluindo as operações da construtura no exterior.

Joaquim Levy esteve à frente do Ministério da Fazenda ao longo do ano de 2015. Enquanto chefiava a área econômica do governo petista, Levy assistiu a decisão da então presidente petista de impor sigilo às operações do BNDES, o que deu origem à chamada caixa preta do banco estatal. A decisão de impor sigilo às operações do banco foi tomada em maio daquele ano, e Joaquim Levy somente deixou o governo sete meses depois, quando o pedido de impeachment da ex-presidente petista já havia sido aprovado.

A escolha de Joaquim Levy representa um ônus político para o futuro governo. Primeiro, porque ele não é o único nome qualificado para exercer a função de chefia do BNDES. Em segundo lugar, por que significa trazer um nome claramente ligado ao establishment político-financeiro e ex-integrante do governo petista, sem que isso signifique atender alguma necessidade para formação da base política no Congresso.

E em terceiro, porque o processo de escolha ocorreu de tal forma que passou para a opinião pública a percepção, que acreditamos em princípio ser uma percepção errada, de que o presidente eleito estaria refém das escolhas feitas por seus colaboradores mais diretos, o que o teria levado a vir a público para reafirmar seu compromisso de abertura da caixa preta do banco estatal sob risco de demissão do futuro presidente da instituição caso não cumpra essa determinação. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

Comente com seu perfil do facebook: