por paulo eneas
O vereador Carlos Bolsonaro e o deputado federal eleito pelo PSL-PB Julian Lemos fizeram uma troca de mensagens públicas ontem pelo twitter. Em suas mensagens, Julian Lemos afirma que Carlos Bolsonaro nunca esteve no Nordeste, apresenta-se como “coordenador político” daquela região, e atribui a si próprio um papel de destaque pelo resultado eleitoral obtido por Jair Bolsonaro no Nordeste.

Usando de uma linguagem esquiva e dissimulada, e essencialmente demagógica, Julian Lemos não aborda nem responde ou contesta nenhuma das afirmações feitas por Carlos Bolsonaro, entre elas: a de que ele, Lemos, nunca foi “coordenador político” do Nordeste, tendo no máximo recebido apoio de Jair Bolsonaro para sua campanha. O mesmo apoio que o presidente eleito deu para centenas de candidatos do PSL no país inteiro.

Ele também não responde satisfatoriamente a afirmação de Calos Bolsonaro que o acusa de comportamento oportunista, ao procurar sempre associar sua imagem à do presidente eleito em todo e qualquer evento, tentando passar para o público a ideia de que ele, Julian Lemos, tem algum papel relevante na formulação de estratégias políticas para o novo governo. De nossa parte, sabemos que esse papel não existe nem nunca existe, até pelas limitações do deputado eleito em termos de capacidade de formulação política.


Visita de Carlos Bolsonaro ao Nordeste em 2015, o que desmente afirmação feita por Julian Lemos

O que dizem os ativistas de direita da região
Nós entramos em contato e conversamos a respeito desse assunto com algumas lideranças dos principais grupos de direita do Nordeste. Conversamos com os grupos Movimento Liberta Brasil (RN), Direita Paraibana (PB), Endireita Fortaleza (CE), e Direita Pernambuco (PE). A maioria das lideranças desses grupos são mulheres.

Esses grupos já estão há anos empreendendo a guerra política e cultural contra a esquerda na região, muito antes portanto de Julian Lemos aparecer, há cerca de um ano e de maneira absolutamente circunstancial e fortuita, na cena política local na condição de dono de empresa de segurança para prestar serviços para um evento com o então candidato Jair Bolsonaro.

A ativista Michele Assis, da Direita Paraibana, diz: Julian usurpou a direita na Paraíba, é a pior farsa da direita no Brasil. Ele não fez campanha para Bolsonaro, a Paraíba não teve comitê de Bolsonaro e nem material de campanha do Bolsonaro. O comitê era de Julian, tanto que no segundo turno precisou ser fechado, e o material de campanha de Bolsonaro, como adesivos e panfletos eram feitos e distribuídos pelo movimento através de vaquinha com os membros.

Michele Assis prossegue na narrativa:
O ônibus da caravana também foi disponibilizado pelo movimento, através de doação. Ele falava que o partido não tinha dinheiro para investir na campanha do Nordeste, e muito me estranhou quando Bolsonaro falou que doaria mais de 1 milhão de reais que sobrou da campanha. Depois que ganhou, ao invés de aproveitar o segundo turno para fazer a campanha que não fez no primeiro turno pelo presidente, ele viajou para o RJ e abandonou a campanha nas costas dos movimentos.

Por sua vez, Manuela Melo, coordenadora do Endireita Fortaleza, afirma: A campanha do Bolsonaro foi feita principalmente pelos movimentos de direita no nordeste, por voluntários e independentes. Julian só usou da imagem.

A ativista Carla Vale, do Movimento Liberta Brasil-RN segue na mesma avaliação: Participamos de toda a campanha e não vimos nenhuma vez a presença desse coordenador por aqui no Rio Grande do Norte durante a campanha. As pessoas aqui nem sabem quem ele é, portando não representa o RN, nem o Nordeste. Foi o povo potiguar apoiador de Bolsonaro que fez a campanha, e como movimento seguimos com nossos esforços e convicções servindo a Nação.

Em Pernambuco, Mateus Henrique, do Movimento Direita Pernambuco, endossa as afirmações anteriores: Somos um dos pioneiros na campanha pró Bolsonaro. Julian nunca coordenou nada. Com muito trabalho, independência e determinação continuamos propagando os princípios conservadores em Pernambuco.

Rafael Pimentel, Coordenador do Direita Campinense, de Campina Grande-PB, e do Movimento Endireita Paraibana, foi enfático em mostrar como a conduta de Julian Lemos prejudicou a campanha de Jair Bolsonaro na cidade natal do pretenso “coordenador político” do Nordeste: A campanha na Paraíba foi a mais atrasada perante os outros estados, não tivemos nenhuma movimentação durante quase dois anos. No sertão do estado então nem se fala, e mesmo assim o pouco que tivemos agradecemos aos grupos! Isso explica o porque ganhamos em João Pessoa e em Campina Grande, que já era uma cidade antipetista antes mesmo do Bolsonaro, pois Dilma perdeu aqui tanto em 2010 como 2014. Com certeza se tivéssemos um trabalho sério e não um projeto pessoal, teríamos um resultado bem melhor!

De nossa parte, pudemos constatar ao longo da nossa cobertura da campanha presidencial que a campanha no Nordeste de fato ficou enormemente prejudicada por conta do boicote que os grupos de direita sofreram na região por parte do segmento da coordenação nacional do PSL capitaneado por Julian Lemos. O caso da Bahia, onde o campanha de Bolsonaro e o próprio PSL tiveram o desempenho ruim, e onde petistas venceram, foi emblemático.

Soma-se a esse quadro o fato de durante a campanha terem surgido denúncias de processos na justiça contra Julian Lemos por estelionato e agressão a mulheres, denúncias essas que ao nosso ver nunca foram suficientemente esclarecidas. Portanto, com base nos relatos expostos acima, podemos afirmar com razoável convicção que o desempenho eleitoral de Jair Bolsonaro no Nordeste foi satisfatório, apesar do papel desagregador desempenhado pelo agora deputado eleito Julian Lemos.

Nota:
Após a troca de mensagens com Carlos Bolsonaro, Julian Lemos apagou todas as publicações de sua conta no twitter e abriu nova conta, trazendo um vídeo onde ele aparece ao lado do presidente eleito, Jair Bolsonaro. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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