por paulo eneas
O vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, participou no último fim de semana da Brazil Conference, evento organizado pelos estudantes brasileiros do MIT e da Universidade de Harvard, o principal celeiro universitário do pensamento esquerdista e globalista dos Estados Unidos e de todo o mundo ocidental. Foi desse celeiro que saiu, dentre entre outros, Barack Hussein Obama, o pior e mais antiamericano de todos os presidentes da história norte-americana.

Além do vice-presidente brasileiro, participaram da conferência o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os governadores comunistas Fátima Bezerra (RN), Flavio Dino (MA), e Camilo Santana (CE), além dos ex-candidatos à presidência Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Henrique Meireles. Também estavam entre os convidados o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, e o ministro Luís Roberto Barroso, além da desarmamentista Ilona Szabó e o invasor de propriedades Guilherme Boulos, do MTST.

Pelo lado da grande imprensa nacional, estiveram presentes os seus principais nomes, como Andrea Sadi e Vera Magalhães, além de Patrícia Campos Melo, da Folha de São Paulo, que no ano passado fez acusação caluniosa, sem provas, contra a campanha de Jair Bolsonaro envolvendo um suposto caixa dois eleitoral.

Do lado do governo, além do vice-presidente, estiveram presentes também o General Santos Cruz, um integrante do Ministério da Economia, e um deputado do PSL-RJ. Duas outras presenças que vale destacar foram as de Raquel Dodge, Procuradora Geral da República, e da antropóloga feminista e abortista Débora Diniz. A lista completa pode ser vista nesse link aqui.

O ponto alto do evento foi a fala do vice-presidente, General Hamilton Mourão, que fez um pronunciamento breve e em seguida respondeu a perguntas. O pronunciamento do vice-presidente conteve pontos importantes e corretos, como a preocupação com o crime organizado e o terrorismo, a defesa do livre mercado, do empreendedorismo e da propriedade privada, e o diagnóstico dos problemas do Estado brasileiro agigantado e tomado pela corrupção.

Ao falar do novo governo, o vice-presidente destacou a formação de um ministério técnico, a ruptura com as práticas da velha política no que diz respeito a preenchimento de cargos, os projetos de reforma do sistema previdenciário e de combate efetivo ao crime organizado, e as reformas tributária e administrativa, além das medidas para o necessário equilíbrio das contas públicas por meio de ajuste fiscal visando enxugar a máquina do estado e torná-la mais eficiente.

Um pronunciamento tecnocrático esvaziado de conteúdo político
A fala do vice-presidente foi correta e irretocável em sua quase totalidade, se a tomarmos pelo seu valor de face, cabe fazer uma objeção ao seu início, onde a menção às redes sociais ficou confusa por dar a entender que seriam elas locais de disseminação do chamado discurso de ódio, que é a narrativa falaciosa que a esquerda globalista usa para impor o cerceamento à liberdade de expressão dos conservadores nas redes sociais.

No entanto, exceto por diferenças de ênfase e de tom em alguns tópicos, o conteúdo da fala do vice-presidente poderia muito bem ser encontrado num discurso de Henrique Meireles, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes ou até mesmo de Fernando Henrique Cardoso. Mas esse mesmo conteúdo não foi capaz de espelhar na sua totalidade o discurso e a pauta que levaram Jair Bolsonaro à vitória nas eleições do ano passado.

O leitor poderá objetar afirmando que as eleições acabaram e o momento é de governar. De fato, o momento é de governar, mas governar em coerência com a pauta conservadora que elegeu Jair Bolsonaro. E essa pauta não foi centrada em um programa tecnocrático, ainda que correto e necessário e muito bem apresentado pelo vice-presidente.

A pauta vitoriosa nas urnas fala em defesa da vida desde a concepção, em direito a posse legal de armas, em segurança jurídica para o trabalho das polícias, e não apenas sua capacitação técnica como afirmou o vice-presidente. Essa pauta fala em pôr um fim à ideologização esquerdista no sistema de ensino, e não apena em modernização da educação, como disse o vice-presidente.

Até porque, modernização do ensino por si só não assegura o fim de práticas odientas como o ensino de ideologia de gênero, que Presidente Bolsonaro prometeu banir da educação nacional, bem como qualquer outra forma de violação da intimidade e indução de comportamento de crianças e adolescentes sob pretexto de educação para diversidade e para a tolerância.

Jair Bolsonaro foi eleito com o compromisso de fazer valer o peso geopolítico do Brasil para ajudar o povo venezuelano a pôr um fim à narco-ditadura chavista de Maduro. Ditadura essa que não nasceu em decorrência de um projeto inadequado para atender anseios de inserção global e que gerou crises que desestruturaram o sistema produtivo nacional, como descreveu o vice-presidente. Trata-se, outrossim, de uma ditadura nascida sob os auspícios do Foro de São Paulo, com o objetivo de implantar o comunismo em solo venezuelano e em todo o continente.

E é com esse entendimento, de que a situação na Venezuela não é apenas um problema dos venezuelanos resultante de um suposto projeto equivocado de inserção global, mas sim o resultado da ação orquestrada e criminosa do movimento comunista na América Latina, que o Brasil deve usar de todo o seu peso geopolítico para resolver esse problema. Pois ao contrário do já afirmou várias vezes o vice-presidente, entendemos que o problema da Venezuela é também um problema dos brasileiros.

Um pronunciamento que ignorou a bem-sucedida política externa
Ao falar dos primeiros cem dias de governo, o vice-presidente elencou de modo muito apropriado o esforço concentrado para elaborar o projeto de reforma previdenciária e o aprimoramento da legislação de combate ao crime organizado. No entanto, estranhamente deixou de mencionar aquela que ao nosso ver é a área mais bem-sucedida do governo até o momento: a política externa.

Em apenas cem dias, a diplomacia brasileira chefiada pelo Chanceler Ernesto Araújo retirou o Brasil da posição histórica recente de financiador internacional de ditaduras comunistas e proto-comunistas, e de linha auxiliar de categoria inferior da ONU para execução de missões de paz – missões essas nas quais nossas Forças Armadas Brasileiras mostraram seu profissionalismo e capacidade de ação – porém longe de exercer qualquer influência relevante no cenário geopolítico internacional.

E o Brasil sai dessa posição de coadjuvante geopolítico internacional menor para uma posição soberanista, de alinhamento com os Estados Unidos e Israel, e de retomada gradual da liderança geopolítica natural na América Latina, além do início de uma aproximação mais efetiva com o centro-leste europeu.

Essa mudança de orientação na política externa em apenas cem dias foi coroada com os entendimentos iniciais para a entrada do Brasil na OTAN (Organizaçao do Tratado do Atlantico Norte) e na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), e a não menção a esses resultados nas falas do vice-presidente é um fato que precisa ser lamentado.

Um ato falho, um gesto simbólico equivocado e um micro-constrangimento diplomático
A participação do vice-presidente Hamilton Mourão na Brazil Conference também foi acompanhada de algumas situações que ao nosso ver trazem dificuldades para o governo no âmbito da guerra política junto à opinião pública, e que também causam fissuras ou dificuldades de coesão na base social de apoio ao Governo Bolsonaro.

Na primeira situação, ao ser questionado por um esquerdista da plateia a respeito da presença de militares no governo, em um direto paralelo com o Governo Geisel, o vice-presidente respondeu que a diferença que existia entre ele e o ex-presidente do regime militar era que ele, Hamilton Mourão, havia sido eleito enquanto Geisel não. Apesar de aplaudido efusivamente pela plateia e viralizado pelas redes sociais, a resposta constitui-se num ato falho e numa injustiça histórica.

O ato falho foi o vice-presidente de hoje comparar-se com o presidente de então, numa equivalência que não existe: a única equivalência formal existente é entre o presidente de hoje, que é Jair Bolsonaro e não Hamilton Mourão, com presidentes de períodos anteriores. Obviamente esse ato falho pode ser atribuído a um descuido que pode ocorrer com qualquer palestrante, incluindo os mais bem-preparados, como é o caso do vice-presidente.

Ao referir-se ao fato de ser eleito, enquanto Geisel não, o presidente incorreu no erro de endossar a narrativa da esquerda segundo a qual o regime militar carecia de legitimidade pela ausência de eleições diretas para presidente. O vice-presidente obviamente sabe que Ernesto Geisel, bem como os demais presidentes do regime militar, foram eleitos pelas regras então vigentes, as eleições indiretas, de modo que não há por que falar em ilegitimidade dos governantes daquele período.

Esse erro, seguramente involuntário da parte do vice-presidente, servirá apenas para endossar a narrativa mentirosa da esquerda a respeito daquele período.

O gesto equivocado ficou por conta da foto com Fernando Henrique Cardoso. Aqui o equívoco foi completo e injustificável, uma vez que a conferência não era um evento oficial envolvendo um cerimonial e um protocolo que obrigassem o vice-presidente a posar para uma foto com Fernando Henrique Cardoso, que dias antes havia publicado um artigo na grande imprensa atacando e demonizando o Presidente Jair Bolsonaro. Os sinais emitidos por esse gesto equivocado podem dar origem a interpretações que indiquem ausência de unidade política no núcleo do governo.

Por fim, o micro-constrangimento diplomático ocorreu com uma afirmação feita pelo vice-presidente brasileiro após reunir-se com o vice-presidente norte-americano para tratar da Venezuela: o vice-presidente brasileiro informou ao público que os Estados Unidos não iriam intervir militarmente na Venezuela. A estranheza inicial óbvia constitui-se no fato de uma autoridade estrangeira, no caso o vice-presidente brasileiro, precipitar-se em anunciar uma decisão tomada por outro país, os Estados Unidos.

Por óbvio, a decisão sobre se os norte-americanos irão ou não intervir militarmente para derrubar a narco-ditadura comunista venezuelana será anunciada no momento apropriado pelo presidente dos Estados Unidos, e não pelo vice-presidente do Brasil.

Além disso, o “anúncio” feito pelo vice-presidente Mourão constituiu-se na prática em uma refutação direta e contraditória ao presidente norte-americano Donald Trump, que já afirmou reiteradas vezes que todas as opções estão na mesa, no que diz respeito aos meios de ação para derrubar a narco-ditadura comunista venezuelana. Na linguagem dos chefes de estado, todas as opções significa exatamente todas as opções, incluindo a da intervenção militar.

É provável que essa afirmação do vice-presidente Mourão tenha causado um micro-constrangimento ou um mal-entendido nos canais diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos. Se for esse o caso, seguramente o constrangimento deverá ser desfeito pelo excelente corpo diplomático brasileiro chefiado pelo Chanceler Ernesto Araújo.

Uma estratégia que precisa ser revista
Outros temas igualmente relevantes que formam o núcleo da pauta conservadora que elegeu o Presidente Jair Bolsonaro ficaram de fora das falas e pronunciamentos do vice-presidente. Entre estes estão a necessidade de revogação da Nova Lei de Imigração, o fim das cotas raciais nas universidades e no serviço público, e a compromisso irretratável do Presidente Bolsonaro de efetuar a mudança da Embaixada do Brasil em Israel para a capital daquele país, Jerusalém.

Não foi discutida ou sequer mencionada a correta decisão do Presidente Bolsonaro de retirar o Brasil do Pacto Global de Migração da ONU. Ignorou-se a decisão igualmente acertada do presidente da república de cancelar a realização em nosso País da próxima Conferência das Partes do Acordo Climático Global, onde seria tratada mais uma vez a falácia pseudocientífica do aquecimento global antropogênico.

A despeito do vice-presidente ter destacado em suas falas alguns pontos relevantes da pauta conservadora que elegeu Jair Bolsonaro, como a defesa da necessidade de redução da maioridade penal e o fim da progressão de pena de condenados, de um modo geral o conjunto de seus pronunciamentos não apresentou o tônus político que identifica de modo inequívoco a totalidade dessa pauta, até mesmo pela omissão de temas importantes, como mencionado acima.

Esse descompasso visível entre as falas do vice-presidente e a totalidade da pauta conservadora vitoriosa nas urnas, aliado ao tipo de relação que ele próprio mantém com a grande imprensa e com diversos agentes políticos, produz na opinião pública a percepção de que existem dois projetos distintos no núcleo do governo.

Se esse descompasso e essa percepção, que é claramente sentida nas redes sociais, decorrem de alguma estratégia de guerra política, trata-se de uma estratégia ao nosso ver equivocada, pois gera dificuldade de coesão junto aos apoiadores do governo em geral, na sua maioria cristãos e conservadores.

Se essa suposta estratégia tem por intenção blindar o Presidente da República, seu resultado tem se mostrado o oposto: ela blinda apenas quem emprega essa estratégia, no caso o vice-presidente, e expõe e fragiliza a figura do presidente nessa mesma grande imprensa e principalmente no Congresso Nacional, que passa a ver no Executivo a existência de um segundo projeto, que não submeteu-se ao crivo das urnas, e que apresenta-se como moderado, conciliador, de viés tecnocrático, inofensivo aos globalistas e indiferente às inúmeras facetas da guerra política e cultural.

Um exemplo dessa percepção de um suposto segundo projeto político no núcleo do governo é a mensagem publicada essa semana pela jornalista Rachel Sheherazade em seu twitter, onde ela faz elogios ao vice-presidente e ao mesmo tempo ataca mais uma vez o presidente da república. Ou ainda os elogios feitos ao vice-presidente Mourão pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que dias antes havia condenado com veemência o governo federal, particularmente o Presidente Jair Bolsonaro.

E por fim, o exemplo mais patente dessa percepção gerada na opinião pública por esta estratégia equivocada é maneira como a grande imprensa, inimiga declarada de nosso governo, trata o vice-presidente: elogiando-o pelas suas inegáveis qualidades ao mesmo tempo em essa mesma grande imprensa ataca com mentiras e calúnias a figura do Presidente Bolsonaro, evidenciando assim que essa estratégia não gera blindagem alguma ao chefe do governo.

As consequências dessa percepção, principalmente junto ao Congresso Nacional, são óbvias em termos de estabilidade política e institucional do governo, e iremos discorrer sobre esta percepção e seus desdobramentos em um próximo artigo. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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