O Fim das Faculdades de Sociologia e Filosofia?

por paula marisa
Na sexta-feira passada, o presidente Jair Bolsonaro, postou em seu twitter que o ministro da educação estuda descentralizar o investimento em faculdades de sociologia e filosofia para focar em outras áreas. Como era de se esperar, os especialistas empoderados imediatamente começaram a soltar morteiros com o bumbum por causa dessa notícia, mas a declaração também provocou reações de reprovação no lado dos apoiadores do governo. Este artigo propõe uma reflexão sobre quais serão os possíveis desdobramentos dessa medida.


Medida polêmica
Em primeiro lugar é preciso salientar que ainda não houve nenhuma ação efetiva, o que está acontecendo é um estudo acerca do tema. Também é necessário dizer que em nenhum momento foi dito que iriam cessar totalmente os investimentos nessas áreas, apenas que os recursos teriam uma nova escala de prioridades. Que me desculpem os leitores por esses esclarecimentos iniciais tão óbvios, mas na pátria educadora as pessoas perderam até a capacidade de interpretar simples tweets e as coisas precisam ser explicadas nos seus mínimos detalhes.

As reações de desaprovação chegaram imediatamente, especialistas da área falando sobre o imenso retrocesso que uma medida desse tipo pode acarretar em nosso “maravilhoso” sistema de ensino. Por outro lado, algumas reações vindas dos apoiadores do governo também me deixaram preocupada. Vi muitas pessoas comentando que a população não está nem aí para as ciências humanas e que temos mesmo que acabar com essas “faculdades de maconheiros”.

Em linhas gerais a filosofia busca refletir sobre temas éticos, morais e políticos, enquanto a sociologia se debruça sobre o comportamento humano e os processos que ligam os indivíduos. Como podemos dizer que estes estudos são dispensáveis? Como pode um movimento que surgiu a partir da iniciativa de um filósofo, Olavo de Carvalho, falar que a filosofia e a sociologia são totalmente dispensáveis?

Eu acredito que estudos na área da filosofia e da sociologia são muito importantes sim, mas o que está em jogo aqui é, em primeiro lugar, a escala de prioridades dos investimentos do MEC e, em segundo lugar, o que de fato anda acontecendo nas nossas faculdades de ciências humanas.

As universidades estariam deturpando o ensino das ciências humanas
Embora a existência de faculdades da área das ciências humanas seja importante, o que estamos vendo dentro das universidades públicas brasileiras é a total deturpação do conteúdo da área.

Em 2016, por exemplo, o Instituto de Filosofia e ciências humanas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ofereceu um curso de extensão intitulado “O golpe de 2016 e a nova onda conservadora”. Este curso foi inspirado em uma disciplina optativa da grade da Universidade de Brasília (UNB). Esse é um dos muitos exemplos que temos de doutrinação escancarada, paga com dinheiro dos cofres públicos, com o objetivo de formar militância para os partidos políticos de esquerda.

Nessa mesma linha a Unicamp e a UEPB também ofereceram cursos semelhantes para seus alunos. Entre as disciplinas que foram ofertadas para os alunos estão:
• Golpe, relações de gênero e pessoas LGBTQ;
• O Golpe de 2016 e a desdemocratização do Brasil;
• Movimentos sociais, contramovimentos e o golpe de 2016.

Os autores mais exaltados nestes cursos obviamente são os esquerdistas. Qualquer outro tipo de pensamento passa bem longe das grades curriculares ou, quando aparecem, é apenas para que sejam estudados como os representantes do mal na terra, sempre vistos pela ótica do professor progressista.

A escola de Frankfurt e seus pensadores são vistos como um modelo a ser seguido. Os alunos da graduação, mestrado e doutorado produzem inúmeros trabalhos que trazem o pensamento de Adorno e Marcuse, por exemplo, sempre enaltecendo suas teorias “maravilhosas”.

Autoras feministas também são muito difundidas em cursos como por exemplo o intitulado Feminismo e Filosofia, ofertado pela UNB, que se propõe a resgatar autoras feministas esquecidas pela academia.

Não estou dizendo que devemos censurar autores de esquerda e que nada neste sentido pode ser produzido dentro das universidades, porém me parece no mínimo estranho que a esmagadora maioria dos trabalhos e cursos caminhem nesta direção. Creio eu que o mais saudável para o pensamento acadêmico seja a diversidade de ideias para que possamos fazer contrapontos. No entanto, infelizmente não é isso que observamos na academia brasileira.

Estabelecendo prioridades
Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2017, apenas cerca de 2% dos alunos matriculados nas universidades públicas estão nos cursos da área de sociologia e filosofia. Nada mais natural do que dar prioridade de investimento às áreas que tenham maior procura.

Sabemos que há muito tempo nossas universidades estão aparelhadas por partidos de esquerda, não só nestas disciplinas como em todas as outras. Claro que podemos notar uma certa ênfase na área de humanas, como denuncia o professor da UEL, Galdino Andrade, neste artigo aqui.

A questão toda é realmente muito complexa e é preciso levar muitos detalhes em consideração na análise do problema para buscarmos uma solução, que certamente não será fácil e muito menos rápida. O fato é que o governo precisa utilizar seus recursos da melhor maneira possível para que nosso sistema de educação saia do buraco em que se encontra; disso depende o futuro do país.

Enquanto fazia a pesquisa para escrever este artigo me deparei com uma entrevista de Rodrigo Jungmann, professor de filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que já sofreu diversas retaliações dentro da universidade por declarar apoio a Bolsonaro. Nesta entrevista ele critica a medida anunciada pelo ministro da educação por entender que devemos ocupar os espaços nesta área ao invés de cortar os investimentos.

“A direita não deve abolir cursos de humanas. Deve entrar neles, assim como no direito, na imprensa e todas as demais instâncias de formação e circulação de ideias”. 
Rodrigo Jungmann

Eu entendo suas razões para ter feito essa declaração, mas por outro lado também penso na dificuldade que enfrenta um aluno que tem um pensamento divergente da ideologia esquerdista que domina estes cursos. Se o próprio professor sofreu severas retaliações, o que poderá acontecer com um simples aluno? É comum professores darem notas baixas em provas e trabalhos onde são expressos quaisquer pensamentos com viés conservador.

Há muita coisa que precisamos mudar dentro das universidades sem dúvida alguma, mas também precisamos entender que os alunos que conseguem chegar ao ensino superior já estão com uma enorme bagagem de marxismo cultural embutidas em seu subconsciente.

Será muito difícil resolvermos o problema das universidades se estivermos focados apenas neste nível de ensino. É necessário um conjunto de ações que se realizem em todos os âmbitos do sistema educacional. Mas principalmente, em minha modesta opinião, na formação de professores, pois neles está a raiz do problema nababesco que se apresenta diante de nós.

Paula Marisa é professora de ensino fundamental na rede municipal em Canoas-RS e no ensino médio na rede Estadual no Rio Grande do Sul. Especialista em Supervisão Escolar e Orientação Educacional. Seu canal no youtube possui mais de 250 mil inscritos e apresenta mais de 20 milhões de visualizações e pode ser acessadon nesse link aqui. Seu perfil no facebook pode ser acessado nesse outro link, e sua conta no twitter pode ser vista aqui. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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