por paulo eneas
Em uma declaração ambígua dada para à grande imprensa na manhã desta quinta-feira (10/10), o deputado federal Bozzella Junior (PSL-SP) ameaçou punir os parlamentares e filiados do PSL que supostamente “atacarem” o partido. O que o deputado chama de ataques ao partido corresponde, na verdade, à lealdade destes parlamentares e filiados ao Presidente Bolsonaro e ao seu programa de governo.

Imediatamente após a declaração, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) reagiu, desafiando Bozzella Junior a retirá-lo da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados. Eduardo Bolsonaro também desafiou Bozzella Junior a dar os nomes dos parlamentares que estariam supostamente atacando o PSL.

A fala desastrosa de Bozzella foi uma indireta infantil dirigida aos mais de vinte parlamentares que ontem reafirmaram seu apoio ao Presidente Bolsonaro. O episódio reflete a tensão existente dentro do PSL, partido que até o ano passado era um nanico que mal teria conseguido superar a cláusula de barreira nas eleições passadas, se não fosse a força eleitoral do então candidato Jair Bolsonaro.

De um ano para o outro, o PSL transformou-se de um nada no cenário político nacional, para tornar-se a segunda maior bancada no parlamento. Uma bancada que, com algumas poucas exceções, é formada majoritariamente por parlamentares que conseguiram seus mandatos unicamente por conta do potencial eleitoral do então candidato Jair Bolsonaro.

Bozzella Junior é um desses casos: o político novato disputou o cargo de prefeito da cidade litorânea paulista de São Vicente em 2016, e ficou em terceiro lugar com 7.3% dos votos, tendo candidatado-se pelo PSD, partido criado por Gilberto Kassab em 2014 por ordem da então presidente petista Dilma Rousseff. Bozzella elegeu-se associando sua imagem a de Jair Bolsonaro, pois de outra forma dificilmente conseguiria alçar voos maiores por mérito próprio.

Bozzella Junior é autor de um estúpido projeto de lei que criminaliza jogos eletrônicos que possam ser considerados violentos. Trata-se de um exemplo de iniciativa legislativa própria de políticos medíocres, absolutamente ignorantes em matéria de guerra política, mas que viram no potencial da candidatura de Jair Bolsonaro no ano passado a oportunidade de surfar na onda conservadora e de direita e conquistar uma vaga no parlamento.

O Governo Bolsonaro enfrenta enormes desafios relacionados aos interesses do País, e os problemas internos do PSL seguramente não estão na lista de prioridades nacionais. No entanto, uma vez o exercício do poder político depende também de uma sólida base de apoio partidário, é imprescindível que o partido pelo qual o Presidente da República elegeu-se reflita plenamente a agenda de governo aprovada nas urnas. O PSL hoje não cumpre esse papel na sua plenitude.

Em que pese a presença de uma expressiva bancada fiel ao presidente e comprometida com o programa do Governo Bolsonaro, os setores oportunistas e surfadores presentes na estrutura partidária, representados por figuras medíocres como o próprio deputado Bozzella Junior e o presidente da sigla Luciano Bivar, constituem-se em um óbice que precisa ser removido. E essa tarefa cabe aos conservadores, que precisam assumir de fato o controle do partido.  #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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