por paulo eneas
A disputa pela liderança do PSL na Câmara dos Deputados revela a natureza de um partido que saiu do zero para tornar-se a segunda maior bancada do legislativo unicamente devido à força eleitoral do então candidato Jair Bolsonaro. Desde ontem (14/10), deputados leais ao Presidente Bolsonaro e ao programa de governo vitorioso nas urnas nas eleições passadas tentam colocar o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na liderança do partido.

De outro lado estão os parlamentares que defendem a continuidade do deputado Delegado Waldir (PSL-GO) na liderança partidária, e cuja atuação é francamente hostil ao Governo Governo. A maioria, ainda que apertada, da bancada assinou uma lista em apoio a Eduardo Bolsonaro. A minoria, formada por parlamentares hostis ao presidente, assinou outra lista em apoio à permanência de Delegado Waldir na liderança.

A disputa levou à retaliação por parte da direção nacional do PSL, cujo presidência da sigla está em guerra aberta contra o Presidente Bolsonaro: três parlamentares tiveram suas filiações suspensas até o momento, e deputados leais ao presidente estão sendo removidos de comissões internas importantes.

Ao mesmo tempo, a deputada Joice Hasselmann, que tem estado em conflito aberto nas redes contra parlamentares da ala bolsonarista e que assinou a lista favorável à permanência do Delegado Waldir na liderança do partido na Câmara dos Deputados, foi afastada da liderança do governo no Congresso.

Em um áudio que circula nas rede, o atual líder deputado Delegado Waldir (PSL-GO) ameaça “implodir” o Governo Bolsonaro e usa termos chulos para fazer insultos ao Presidente Bolsonaro. Por sua vez, um deputado aliado do Delegado Waldir chegou a agravar, sem autorização, uma conversa dele com o Presidente Bolsonaro, dando demonstrações de não ser merecedor da confiança do Presidente da República.

Interferência direta de Rodrigo Maia contra o Presidente Bolsonaro
A disputa interna no PSL tem também a ingerência direta de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados. Segundo informações que obtivemos, Rodrigo Maia reuniu-se há poucos dias em sua residência com Luciano Bivar, presidente nacional do PSL, com Felipe Francischini (PSL-PR) e outros parlamentares da ala hostil ao Governo Bolsonaro para definir estratégias para isolar os bolsonaristas do PSL.

A interferência de Rodrigo Maia, chefe do Poder Legislativo, assumindo um lado em uma disputa interna de um dos partidos do Congresso Nacional, confere um ingrediente adicional à crise. Primeiro por que revela o papel de anão político que Rodrigo Maia sempre representou, uma vez que não caberia a ele interferir em um assunto interno de um partido que não é o dele.

Em segundo lugar, sua interferência lança uma suspeita quanto à sua isenção para exercer o único papel que lhe cabe nessa disputa, como presidente da Câmara dos Deputados, que é o de conferir as assinaturas dos parlamentares e chancelar a escolha do novo líder do PSL no parlamento.

As informações que temos até esse momento dão conta de que Eduardo Bolsonaro tem o apoio da maioria da bancada do PSL para assumir a liderança. No entanto, o envolvimento de Rodrigo Maia com um dos lados em disputa, revelando assim uma aliança tácita entre uma ala do PSL e o Centrão contra o Presidente Bolsonaro, poderá talvez dar um novo desfecho à disputa. Continuaremos ao longo do dia trazendo mais informações. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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