por clau de luca
A Operação Castelo de Areia surgiu em 2009, e foi deflagrada após uma série de denúncias de esquemas de pagamentos de propinas, realizados pela empreiteira Camargo Corrêa. Os diretores e operadores da empresa eram suspeitos de fazer repasses de recursos a políticos dentro e fora do Brasil.

A operação foi em seguida anulada pela justiça. A Castelo de Areia guardava muita similaridade com a Operação Lava Jato, apesar de não ter sido encontrado um departamento de propinas como na empreiteira Odebrecht. Os empreiteiros paulistas também batizavam os políticos receptores com apelidos de animais para manterem o sigilo, e usavam uma empresa do Uruguai para dar um verniz de legalidade dos repasses aos destinatários.

O inquérito que deu origem à Castelo de Areia começou com uma denúncia anônima contra Kurt Paul Pickel, um suíço naturalizado brasileiro que mantinha relações estreitas com diretores da Camargo Corrêa naquela época. Em escutas captadas nas investigações realizadas pela polícia, Paul combinou repasses de recursos em espécie e via depósitos para Alemanha ou Ilhas Cayman com o diretor Pietro Bianchi.

Inicialmente os apelidos não eram decifrados, até que um mandato de busca e apreensão na empresa e na casa dos suspeitos, solicitado pelo juiz responsável pela operação, Fausto de Sanctis, foi executado. Com Pietro Bianchi foi encontrado um pendrive com documentos de anotações e planilhas, onde os repasses eram detalhados e onde nomes eram identificados na operação.

Foi a partir desta descoberta que estabeleceu-se a suspeita da existência de um cartel de empreiteiras para abocanhar obras públicas.

A operação avançava em políticos e autoridades, incluindo membros de tribunais de contas, quando foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça. A anulação foi feita sob a alegação de que o juiz De Sanctis não poderia ter autorizado escutas com base em denúncia anônima. Em 2011, a operação foi anulada.

A Camargo Corrêa foi pega mais tarde na sétima fase da Operação Lava Jato, e três de seus diretores foram presos. Esses não haviam sido pegos na Operação Castelo de Areia. Dalton Avancini e Eduardo Leite saíram meses depois da cadeia, pois fizeram um acordo de delação. A Camargo Correa fez um acordo de leniência, se comprometendo a pagar R$700 milhões em 2015.

A Camargo Corrêa foi também alvo de uma ação penal sobre um ajuste na licitação de projetos da refinaria Getúlio Vargas (PR) e Abreu e Lima (PE), e pagamento de propina ao ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Dalton Avancini, Eduardo Leite e o ex-presidente do conselho de administração da empresa, João Auler, foram condenados.

O núcleo investigado na Castelo de Areia não foi alvo na Lava Jato, embora tenha sido citado em depoimentos da Camargo Corrêa, que faziam parte da operação de 2009.

A Camargo Corrêa foi alvo da Castelo de Areia e da Lava Jato e no depoimento do filho do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado,  Expedito Machado conta que Bianchi fez um depósito de 9 milhões em uma conta em Andorra.

Nas conversas interceptadas se falava em repasses em espécie para Recife, e também há material apreendido sobre repasse de valores a pessoas ligadas às obras do Rodoanel e do Metrô de São Paulo, realizados pelo Governo de São Paulo.

Deltan Dallagnol afirma que se a Operação Castelo de Areia não tivesse sido anulada, teríamos uma operação nos moldes da Lava Jato anos antes e muitos crimes poderiam ter sido evitados. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews


 

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