por paulo eneas
O jornalismo brasileiro flerta com a canalhice, andando de mãos dadas com a mentira e a desonestidade, e namora e convive com narrativas levianas e imaginárias, criadas para iludir e enganar o seu público, com o objetivo único de fazer a guerra política pautada pela absoluta falta de compromisso com a verdade e a total indiferença com a ética jornalística.

Um exemplo desse padrão rasteiro do jornalismo tupiniquim de meia pataca, foi dado essa semana pela jornalista Vera Magalhães, da Rádio Jovem Pan, que teve ousadia o bastante e a ausência de pudor, para afirmar que as manifestações de 17/11 eram de natureza golpista e que flertavam com o autoritarismo e o obscurantismo.

A jornalista não deu, nem tinha como dar, qualquer evidência que corroborasse sua estúpida afirmação. O que não a impediu de proferi-la em total indiferença e desrespeito à inteligência média de seu próprio público. A conduta da jornalista resume o que o professor Olavo de Carvalho descreve como discurso baseado na reação emotiva provocada por determinadas palavras, sem qualquer preocupação com o significado substantivo dos termos empregados.

Vera Magalhães não consegue perceber que milhares de pessoas foram às ruas para exigir que a lei seja cumprida, no caso, a lei que prevê o impeachment de membros da suprema corte, por cometimento de crime de responsabilidade. Ela não consegue perceber que a ida dos cidadãos às ruas pacificamente para exigir o cumprimento da lei e para preservar uma das instituições da república, o Supremo Tribunal Federal, pode ser descrito como qualquer coisa, exceto como ação golpista.

A jornalista parece ter dificuldade de compreender que golpe pressupõe a ruptura com a ordem legal, enquanto os manifestantes nas ruas no último domingo exigiam exatamente o contrário: a preservação da ordem legal e da instituição da suprema corte, contra a ação ilegal de um de seus integrantes.

Ao simplesmente recitar, como numa cantilena desafinada, a narrativa de um suposto golpe, Vera Magalhães comporta-se como qualquer petista que enxerga democracia em atos de violência e vandalismo, praticados por comunistas em outras partes do mundo, e enxerga golpe quando o rigor da lei contraria seus interesses e projetos de poder.

A realidade contrariou de modo fulminante a narrativa mentirosa de Vera Magalhães. Ninguém foi às ruas no último domingo (17/11) para flertar com golpe. Milhares de pessoas foram às ruas para exigir o cumprimento da lei e para declarar a intenção de preservar a instituição do Supremo Tribunal Federal, como pode ser constatado nos inúmeros discursos registrados e filmados.

Desafiamos a jornalista a apresentar uma única fala que insinuasse qualquer veleidade golpista e que justifique sua narrativa imaginária e mentirosa.

Por outro lado, se a pauta for o flerte com o golpismo, podemos citar as articulações ocorridas no primeiro semestre desse ano, propondo explicitamente a adoção de um certo parlamentarismo branco, um expediente inexistente em nosso texto constitucional.

Não vimos, naquela oportunidade, a jornalista expressar suas preocupações com flerte com o golpismo, ainda que ele estivesse ocorrendo a olhos vistos naquele momento. Pois era evidente que havia no início do ano uma intenção, verbalizada por figuras como Kim Kataguiri e outras com microfone e assento sempre disponíveis na Jovem Pan, de afastar ilegalmente da chefia do Poder Executivo, um presidente legitimamente eleito.

Ao usar da mentira para descrever a natureza supostamente golpista das manifestações democráticas e legalmente legítimas realizadas no último domingo, e silenciar-se sobre a reais intenções golpistas daqueles que falavam em parlamentarismo branco no primeiro semestre, a jornalista Vera Magalhães exibe a seletividade de seus juízos.

A mesma seletividade presente no jornalismo brasileiro, que flerta com a canalhice, anda de braços dados com a mentira e a desonestidade, e que não tem compromisso algum com a verdade nem o mínimo respeito pela inteligência de seu público.

Nota:
O empresário Otávio Fakhoury, integrante do Movimento Avança Brasil, e também membro do Conselho Editorial do Crítica Nacional, produziu um vídeo curto em resposta a Vera Magalhães e que pode ser visto abaixo. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews

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