por paulo eneas
A grande imprensa vem utilizando em tempos recentes de um método desonesto e ludibriador da opinião pública, para tentar deslegitimar o trabalho de mídias independentes como o Crítica Nacional e outros veículos de perfil semelhante. Esse expediente desonesto consiste na utilização deformada do conceito de fact checking, verificação de fatos, para tentar por meio dele deslegitimar qualquer visão política que esteja desalinhada com o pensamento esquerdista e globalista hegemônico nas redações e estúdios da mídia mainstream.

O fact checking é um instrumento comum e recomendado nas boas práticas de jornalismo profissional. Ele consiste, como o nome em inglês sugere, na verificação objetiva das informações que serão passadas ao público. Essa verificação diz respeito sempre a fatos e dados concretos que podem ser aferidos e verificados com isenção, e jamais diz respeito à opinião ou visão política ou diretriz editorial do veículo em questão.

Ainda que pareça redundante afirmar, o fact checking não diz respeito à opinião pois, por óbvio, uma opinião não tem como ser verificada: o público irá ou não concordar com uma dada opinião de um veículo sobre um assunto. Essa opinião, assim como qualquer outra, não está sujeita ao crivo de verdadeiro ou falso.

Da mesma forma, não é papel do fact checking avaliar o que um veículo de imprensa deixou de publicar, pois a decisão sobre o que publicar ou não, diz respeito à diretriz editorial de um veículo. Ou seja, os conceitos de falso ou verdadeiro não se aplicam ao que não foi publicado por um determinado veículo, e isso deveria ser óbvio para qualquer pessoa informada.

O fact checking transformado em julgamento de opinião
No entanto, o que temos observado na grande imprensa brasileira em período recente, é o uso da noção de fact checking para servir de suposto avalizador da opinião política que um dado veículo tem sobre sua própria linha editorial e sobre a linha editorial de outros veículos.

Assim, um determinado conteúdo de um veículo conservador como, por exemplo, o Crítica Nacional, vem sendo rotulado como falso ou fake por supostas agências de fact checking, não por que esse conteúdo traz alguma informação errada, mas por conta de sua diretriz editorial!

Ou seja, a grande imprensa está mentindo para seu público, ao afirmar que está fazendo verificação de fatos dos conteúdos de veículos conservadores, e rotulando tais conteúdos como falsos, quando na verdade está fazendo um juízo político e de opinião sobre esses conteúdos. Isto é, criou-se a categoria orwelliana de “opinião verdadeira” ou “opinião falsa”.

Agência Comprova: métodos distorcidos e conflito de interesses
Para essa investida, um grupo de veículos da grande imprensa formou um pool para a criação da Agência Comprova, supostamente destinada a fact checking. Esta agência, que já rotulou como falso alguns conteúdos do Crítica Nacional, tem adotado essa prática de “julgar” determinadas opiniões ou escolhas editoriais como sendo falsas ou verdadeiras, em uma completa corrupção da boa prática do fact checking.

Além da desonestidade no método empregado, a Agência Comprova opera sob flagrante conflito de interesses, uma vez que ela foi criada pelos mesmos controladores de alguns veículos da grande imprensa, veículos esses cujos conteúdos a agência supostamente deveria também verificar.

A situação é equivalente àquela em que acionistas de um grupo de empresas viessem a criar uma empresa de auditoria que, por sua vez, iria fazer a auditoria nestas próprias empresas, além de empresas concorrentes, configurando um flagrante conflito de interesses.

Diante dessa situação, que ao nosso ver consiste em um ataque à liberdade de expressão por meio de subterfúgios que enganam e ludibriam o público, o Crítica Nacional e alguns outros veículos, elaboraram um Manifesto que pode ser lido mais abaixo.

De nossa parte, não reconhecemos a isenção, o rigor técnico e muito menos conferimos qualquer legitimidade ao trabalho de suposta verificação de fatos que a Agência Comprova vem fazendo, tanto dos conteúdos do Crítica Nacional quanto dos conteúdos de outros veículos.

Entendemos que a Agência Comprova, ao usar uma noção distorcida do bom conceito de fact checking, está na verdade promovendo guerra política contra veículos independentes e ao mesmo tempo enganando o público ao apresentar essa guerra política sob o disfarce de um suposto trabalho independente de fact checking. CriticaNacional #TrueNews #RealNews

Manifesto: Quem Conferiu às Agências de Fact Checking o Poder De Julgar o Que É Verdadeiro Ou Falso?
Os sites Critica Nacional, Avança Brasil, Liga Patriótica e Movimento Soberanistas vêm a público manifestar o seu repúdio contra a tentativa de ditadura do fact check que está sendo instalada no Brasil. Repudiamos os seguintes fatos:

1) Militantes travestidos de jornalistas e ex-dirigentes partidários não estão aptos a estabelecer a verdade com viés opinativo e ideológico;

2) Entidades privadas não são “trbunais da verdade” e não tem legitimidade para – com base em seus interesses privados – dizer o que é “verdadeiro” ou “falso”;

3) “Opiniões” não são “fatos” e não se pode aceitar que alguém tente impor uma agenda política através de fact check;

4) O fact check nasceu para checar condições objetivas (datas, fatos concretos, atributos, nomes, pessoas) e não para censurar opiniões e pontos de vista, como querem fazer alguns desqualificados projetos políticos travestidos de fact check no Brasil, em especial o Projeto Comprova;

5) É inadmissível que “jornais” que mantêm relações promíscuas com institutos de pesquisas se utilizem da manipulação do fact check para, em notório conflito de interesses, defenderem-se mutuamente, com o claro objetivo de manter um mercado cativo de pesquisas de opinião ultrapassadas e duvidosas. Pesquisas essas que afirmavam que o atual Presidente da República “perderia no segundo turno para todos os adversários” (sic);

6) Ao se utilizar de frases como “redes sociais não servem para auferir popularidade”, algumas agências de comprovação ou de checagem de fatos se colocam contra a inovação e contra a democratização plena da sociedade civil;

7) Todo esse discurso de combate às redes sociais parece convergir com a alegação de que algumas agências desse tipo tentam, na verdade, sufocar a voz das pessoas comuns nas mídias sociais, elegendo-as como inimigas de seu modelo ultrapassado de poder centralizado e baseado em intermediação.

Assim sendo, conclamamos:
a) As pessoas de bem para que repudiem, contestem e manifestem seu descontentamento contra essa tentativa de censura moderna;

b) O Poder Judiciário, para que avalie o monopólio da jurisdição estatal definido na Constituição Brasileira. Somente o Estado pode exercer a jurisdição: julgar fatos, proclamar vereditos. Somente a jurisdição pode dizer o que é “falso” e o que é “verdadeiro”.

Conforme diz a boa doutrina:
“A jurisdição é a realização do Direito por um terceiro imparcial em uma situação concreta. Trata-se de uma das funções do Estado. São características da jurisdição a substitutividade, a exclusividade, a imparcialidade, o monopólio do Estado, a inércia e a unidade.”

Monopólio do Estado: “só o Estado pode exercer a jurisdição. Estado é que julga e que diz quem pode julgar” (LFG). Desconhecemos qualquer tipo de autorização estatal para que agências de fact check venham a substituir o Estado na tarefa de julgar.

c) O Poder Executivo Federal, para que sancione, nos termos da Lei, os veículos de comunicação – concessionários do Poder Público – que estiverem se utilizando do estratagema do fact check para criar um “judiciário paralelo”, segundo o qual julgam, agridem e atacam pessoas de bem, de acordo com seus interesses privados e empresariais.