por paulo eneas
O Brasil esteve ausente da cerimônia histórica ocorrida hoje (23/01) em Jerusalém em memória do Holocausto. A cerimônia, realizada no Memorial do Holocausto Yad Vashem em Jerusalém, rememora os 75 anos da libertação do Campo de Extermínio de Auschwitz, ocorrida em 23 de janeiro de 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial. O evento foi aberto com pronunciamentos do presidente israelense, Reuven Rivlin, e do premier Benjamin Netanyahu.

Cerca de cinquenta delegações estrangeiras e chefes de Estado e de governo de diferentes matizes políticas compareceram à cerimônia. De maneira inexplicável, o Brasil não esteve representado nem pelo Presidente da República nem por uma delegação de alto nível governamental.

Entre os chefes de governo e de Estado, compareceram o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, o vice-presidente norte-americano Mike Pence, o presidente russo Vladimir Putin, a própria Rainha Elisabeth II, o presidente da Índia Ram Nath Kovind, o francês Emmanuel Macron, além dos presidentes da Bulgária, Romênia, Finlândia, Geórgia, Chipre, Bósnia e Herzegovina. Nancy Pelosi esteve presente na condição de representante do Congresso dos Estados Unidos.

O Presidente Bolsonaro foi convidado, mas alegou incompatibilidade de agenda, por conta da visita oficial à Índia, visita essa que teve início na mesma data de hoje, 23/01. Nem o vice-presidente Hamilton Mourão ou o Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foram escalados para atuar como representantes de alto nível do Presidente Bolsonaro e do Governo do Brasil na cerimônia.

Em que pese a importância do estreitamente das relações bilaterais com a Índia, especialmente visando esvaziar e diminuir de importância o BRICS, a ausência do Presidente Bolsonaro ou de uma representação de alto nível governamental, via chancelaria ou vice-presidência, constitui-se ao nosso ver em um erro considerável da bem-sucedida e correta política externa brasileira.

Um erro que adquire mais relevância especialmente quando as relações bilaterais entre Brasil e Israel alcançam um nível de aproximação nunca antes visto, com a abertura do Escritório de Representação Comercial do Brasil em Jerusalém e a reafirmação permanente do compromisso do Presidente Bolsonaro de transferir a Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém, reconhecendo assim oficialmente a Cidade Santa como capital do Estado de Israel.

Entendemos que a ausência do Presidente Bolsonaro ou de uma representação de alto nível do Governo do Brasil nos eventos de hoje em Israel deve-se a um erro de natureza logística e operacional do próprio presidente ou do Ministério das Relações Exteriores, e não a alguma diretriz equivocada da bem-sucedida política externa brasileira. Ainda assim, é um erro que precisa e merece ser apontado.


 

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