por paulo eneas
O Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi convidado pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado para falar sobre a posição do Brasil em relação ao Plano de Paz para o Oriente Médio apresentado na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O convite para o comparecimento do chanceler brasileiro foi feito pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), e foi aprovado nesta quinta-feira (06/02) em reunião da comissão. Não foi divulgada ainda a data para o comparecimento do ministro ao plenário da comissão.

O Governo do Brasil adotou a posição de apoiar o Plano de Paz apresentado por Donald Trump, afirmando em nota oficial divulgada no dia 29/01 que a proposta do mandatário norte-americano está em linha com os princípios constitucionais que regem a atuação externa do Brasil.

Em que pese o esperado linguajar protocolar e formal de comunicações desse tipo, o que se espera da diplomacia brasileira é que seus formuladores não deixem de reconhecer, ainda que não publicamente, que o plano apresentado pelo presidente norte-americano frustrou as expectativas e tem pouca chance de prosperar, como já mencionamos inúmeras vezes neste Crítica Nacional desde quando o plano foi apresentado.

A política externa tem sido uma das áreas onde o Governo Bolsonaro mais tem acertado, especialmente no que tange ao aprofundamento das relações com o Estado de Israel, que culminou com a decisão histórica de transferir a Embaixada do Brasil para Jerusalém.

Para manter a coerência com essa diretriz acertada da política externa brasileira em relação a Israel, espera-se que a posição do Brasil em relação ao plano não vá muito além destas declarações protocolares, uma vez que o plano é atentatório à segurança de Israel, ao propor a criação de um imaginário Estado Palestino.

E como o Brasil não é um ator geopolítico externo relevante nos conflitos do Oriente Médio, não há necessidade de arcar com o ônus político-diplomático de posicionar-se ostensivamente contra o plano apresentado por Donald Trump, ainda que este posicionamento viesse a estar em linha com a diretriz correta de nossa política externa.

Portanto, o Brasil pode perfeitamente manifestar seu apoio às intenções que moveram este e outros planos anteriores igualmente fracassados, sem no entanto endossar os termos do plano proposto, como a sugestão da divisão de Jerusalém entre dois Estados.

Um eventual endosso explícito dos termos do plano representaria, isto sim, um desvio acentuado da diretriz até aqui correta de nossa política externa, chefiada e conduzida com maestria pelo chanceler Ernesto Araújo.