por paulo eneas
Foi criado há anos um clichê e um lugar-comum segundo os quais a chefia da Secretaria de Cultura deve ser ocupada por pessoa com “trânsito na classe artística”. Trata-se de uma expressão cifrada para dizer que os órgãos de cultura do Estado existem para estar a serviço de interesses corporativos e demandas sindicais de artistas.

Essa afirmação é equivalente à suposição de que os órgãos de saúde existem para atender interesses dos médicos, ou de que o MEC existe para atender professores, o que é um completo non-sense. Esse tipo de mal-entendido, decorrente de anos de sequestro dos órgãos de cultura do Estado por parte da esquerda, precisa ser desfeito tendo em mente o seguinte:

a) Órgãos de cultura do Estado não existem para atender demandas de artistas, mas para preservar patrimônio histórico-cultural e para fazer a aplicação isonômica das leis obrigatórias de “incentivo” à cultura, enquanto tais leis existirem.

b) Órgãos de cultura do Estado não têm que ser chefiados por artistas, pois podem surgir até mesmo conflitos de interesses. Esses órgãos devem ser chefiados por gestores, alinhados com as diretrizes centrais do programa de governo aprovado nas urnas.

c) Esses gestores não precisam ter “trânsito com a classe artística”, mas ter competência de gestão e capacidade de dialogar com todos os segmentos da sociedade, inclusive com artistas, para deixar claro que as demandas apresentada serão atendidas desde que estejam na forma da lei, e em linha com as diretrizes centrais do governo.

A ausência desse entendimento sobre o que deve ser um órgão de cultura do Estado, que existe por imposição legal, nesse marco histórico do Brasil, tem levado a uma série de inconsequências e erros do Governo Federal no trato dessa questão.

Erros estes que somente têm beneficiado a esquerda, conforme mostramos na extensa reportagem ESQUERDA MANOBRA PARA CONTINUAR APARELHANDO SECRETARIA DE CULTURA, publicada no último sábado.


 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE