por paulo eneas
Os treze meses e meio do Governo Bolsonaro são marcados por conquistas inegáveis nas áreas da segurança pública, da melhoria da infraestrutura nacional e na criação das condições para a retomada consistente do crescimento da economia. Os números destas áreas, que incluem desde os patamares históricos mínimos da taxa de juros até a redução verificada na criminalidade e na violência, somam-se ao sucesso da política externa.

O Governo Bolsonaro reposicionou o Brasil no cenário geopolítico internacional, onde deixamos de ser uma nação pária e um anão diplomático, para tornarmo-nos um player respeitado pela sua diplomacia soberana. A mudança da Embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém de algum modo simboliza e sintetiza essa nova era da política externa brasileira.

No entanto, esses sucessos visíveis que justificam todo o apoio que merece e precisa ser dado ao Governo Bolsonaro, não podem obliterar nossa capacidade de perceber as dificuldades e problemas presentes. E o principal problema do governo ao nosso ver reside no permanente enfraquecimento de sua ala conservadora, e o consequente fortalecimento do setor tecnocrático pragmático.

O risco de o governo acomodar-se em uma zona de conforto
Esse fortalecimento do setor tecnocrático pragmático tende a ter como efeito principal o deslocamento do governo para uma zona de conforto, onde os resultados positivos inegáveis da economia e do combate à criminalidade poderão colocar em segundo ou terceiro plano as pautas conservadoras que foram, elas sim, o motor da força social que levou o então candidato Jair Bolsonaro à chefia da Nação.

O avanço destas pautas conservadoras, cuja viabilização demanda uma estratégia de guerra política do conjunto do governo (e não apenas o esforço solitário do Presidente da República secundado por figuras como o Ministro Abraham Weintraub) deve e precisa ser a marca distintiva do Governo Bolsonaro, além obviamente dos resultados positivos nas economia. Mas o que observamos em meses recentes é que estas pautas têm ficado secundarizadas.

Pautas como a garantia do pleno acesso legal a armas, o enfrentamento às ONGs internacionais que atuam principalmente na região amazônica, a revogação da atual lei de imigração, a necessidade de reforma profunda das instâncias superiores do judiciário, uma diretriz clara na relação com a grande imprensa, entendendo que ela é inimiga do governo e da Nação, uma política agressiva na área da cultura, a criminalização dos partidos ligados ao Foro de São Paulo, entre outras, têm estado fora da agenda política.

O Governo Bolsonaro e o Movimento Conservador
O grande legado do Governo Bolsonaro tem que ser o fortalecimento do ainda incipiente e desorganizado movimento conservador brasileiro com sua verve cristã e anti-comunista. A imagem que temos hoje equivale àquele de duas retas paralelas, uma representando o Governo Bolsonaro e outra o Movimento Conservador: estas retas precisam a partir de um dado momento convergir e se cruzar.

No entanto, eventos como a mudança ocorrida na Casa Civil, com a saída de um político com uma clara matiz anti-comunista e sua substituição por um militar de viés técnico-pragmático não familiarizado com a guerra política contra os comunistas e o establishment, podem sinalizar que estas duas retas não irão convergir e se cruzar, podendo até mesmo haver o risco de afastarem-se.

Esse cenário, associado à insatisfação visível da base de apoio bolsonarista que, sem deixar de ser fiel e apoiadora do governo nos embates diários na opinião pública, não se conforma, por exemplo, com a maneira errada como está sendo conduzida a área da cultura (que corre o risco real de tornar-se um enclave esquerdista no Governo Bolsonaro), e que também não se conforma com a inércia e a má vontade de muitas áreas do governo em promover a despetização da máquina pública, levam-nos a um estado de alerta e apreensão, e a uma constatação inequívoca: os conservadores estão na berlinda no governo.

Este estado de coisas não é desejável e não pode permanecer. Nenhum governo pode fiar-se exclusivamente em resultados econômicos, e a própria experiência do regime militar brasileiro mostra isso: o sucesso e as conquistas inegáveis na economia resultaram, no campo da guerra política, na entrega do poder aos comunistas, de mão beijada, vinte anos depois.

Este erro não pode se repetir, e estamos convencidos da determinação do Presidente Bolsonaro em não permitir que esse erro venha a ocorrer de novo. No entanto, cabe agora ao presidente, e somente a ele, a quem apoiamos e defendemos, perceber esse cenário e fazer o ajuste de rumo necessário.


 

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