por evandro pontes
A ideia, em si estapafúrdia sob o ponto de vista do marketing, de tratar os eleitores fieis de Bolsonaro em comparação ao desenho animado dos Minions, criada na esquerda, visa única e exclusivamente associar as adoráveis figuras de Gru, pela sua fidelidade e suposta irracionalidade, a uma militância que se quer ver “a-crítica”.

Pura bobagem.

A começar pela ideia de que apoiadores do governo têm características “a-crítica” ou são tolerantes em relação aos eventuais erros do governo Bolsonaro. Aqui mesmo neste Crítica Nacional, em várias passagens o posicionamento foi enfaticamente contra ao adotado pelo governo Bolsonaro. Um exemplo? A questão da ida de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada Brasileira dos EUA.

Afastando assim essa ideia sem pé nem cabeça, tem-se em segundo plano o erro cometido em uma das estratégias mais valiosas da luta política, que gira em torno da depreciação do adversário político por meio de apelidos. Scott Adams em Win Bigly dedica algumas páginas ao superior domínio que Donald Trump tem em tratar seus adversários por meio de apelidos jocosos e à absoluta inabilidade que os Democratas demonstram no domínio dessa mesma técnica.

Note-se que um dos mais bem sucedidos homens na arte de dar apelidos é justamente o filósofo Olavo de Carvalho. Extrai-se daí a profunda importância dessa técnica que parece fútil ou ingênua, mas, de modo profundo, jamais será.

No Brasil ocorre o mesmo – deram à militância bolsonarista o apelido que vêm à mente de todos a imagem de uma série de personagens adoráveis e amados por adultos e crianças. O fato de crianças amarem essas criaturas é um indício do erro estratégico cometido: como não amar os minions, criaturas engraçadas e sobretudo leais ao seu patrão, acolhedor de órfãos e chamado de “favorito”?

A dimensão desse erro estratégico explica em grande parte o reiterado insucesso nos ataques da mídia “prudente e sofisticada” contra a engraçada militância boquirrota que imita seus líderes e tem em Carlos Bolsonaro seu demiurgo mais perfeito.

Volto-me contudo para essa militância prudente a sofisticada que, de semanas pra cá, não apenas passou a agir como verdadeiros minions, mas lembra muito, não as criaturas amarelas do primeiro filme, mas as roxas do segundo: raivosas, destrutivas, fisicamente desprovidas de uniformidade e ação leal.

Essa militância incorporada em uma mídia cada vez mais histérica e irracional, vem fazendo uma defesa cheia de ódio de sua coleguinha petista Patricia C. Mello.

A defesa é sempre pessoal, irracional, cheia de adjetivos e discursos de efeito e absolutamente desprovidas de fatos e provas acerca do objeto central da matéria fraudulenta veiculada pela Folha em plena campanha eleitoral.

Ficou absolutamente provado que a repórter faltou com a verdade em relação aos supostos disparos da campanha de Bolsonaro, ficando ainda provado, de outro lado, que quem usou o serviço foi o PT e não Bolsonaro.

O mesmo PT e a campanha de Haddad, inclusive, foram condenados pelo TSE pela prática que a incauta jornalista reputou à campanha de Bolsonaro, no melhor estilo “acuse-os do que você faz”.

Pois bem.

Não satisfeito com o espetáculo do descortinamento dessa mentira, a classe jornalística sustentada pela isentosfera reagiu como os minions roxos, em uma verdadeira explosão da Mediaminion nesta semana.

A Mediaminion também vem usando esse artifício para esconder a interrupção de dois temas que moveram os jornais tempos atrás: a Lavajato e a Vazajato.

Do nada, esqueceram das condenações de Lula, dos processos, de Zé Dirceu, de Bumlai, de Palocci, de Mantega, dos diretores da Petrobrás, das bandalheiras no BNDES, bem como dos jornalistas que hackearam autoridades, da denúncia contra Gleen Greenwald (misteriosamente rejeitada por um juiz que já deu decisões polêmicas no passado), das delações dos hackers, dos políticos (como Cabral e o próprio Palocci) e, last but not least, do envolvimento dos veículos dessa mesma mídia com esses mesmos casos.

Ou será que as pessoas se esqueceram que Veja, Folha e Band aceitaram dar guarida para a Vazajato enquanto outros veículos já tiveram a PF em sua porta, incluindo em relações esquisitas em meio a operação Lavajato?

Recentemente investiram pesado na “CPMI das Fake News”, mudaram de assunto e passaram a cantilenar a ladainha das “milícias virtuais”, esquecendo por completo Lavajato e Vazajato (misteriosamente as primeiras a fazê-lo foram os veículos mais “lavajatistas” dentre todos).

Os processos das autoridades começam a ganhar contornos finais no STF e a Mediaminion calou-se, destilando suas “críticas” para defender as leviandades da Folha na fake news do WhatsApp.

Se a turma da “prudência e sofisticação” fosse ao menos verdadeiramente sofisticada, eu fecharia este texto lembrando que pode haver “algo de podre no Reino das folhas”, mas como a sofisticação decantada é forma acabada da mais pura covardia, podemos dizer que o que há, de fato, no ar, é uma gritaria bastante estranha e suspeita, acobertando, com os gritos em prol da jornalista em questão, sussurros por enquanto inaudíveis.