por paulo eneas
Como resultado da pressão nas redes sociais e da opinião pública em geral, e também em decorrência da percepção da repulsa e da rejeição que sua figura causa junto aos brasileiros, o deputado Rodrigo Maia afirmou hoje ser “contra o parlamentarismo”.

Uma afirmação que não corresponde a suas ações concretas recentes, que incluem a iniciativa de sequestrar R$30 bilhões do Orçamento Federal para serem geridos pelo Congresso, e a tentativa de impor uma camisa de força ao Poder Executivo na execução da peça orçamentária.

A afirmação do deputado também não está em linha com sua presença em evento na Embaixada da Espanha no Brasil no dia 22/02, que relatamos no artigo ATITUDE INACEITÁVEL: RODRIGO MAIA FALA DE PARLAMENTARISMO EM EMBAIXADA DA ESPANHA, em que a discussão era justamente sobre parlamentarismo. O evento foi divulgado pela própria embaixada nas redes sociais, que posteriormente apagou o comunicado devido à péssima repercussão.

A fala do deputado também não corresponde ao conteúdo de suas conversas com autoridades no exterior, divulgado por seus interlocutores, entre eles o premier socialista espanhol, onde novamente o tema do parlamentarismo esteve presente.

Pouco importa o que Rodrigo Maia pensa sobre o parlamentarismo, se é a favor ou contra. A rigor, o “pensamento” de Rodrigo Maia a respeito de qualquer assunto está entre as grandes irrelevâncias nacionais, dada sua mediocridade como político que chegou à chefia do parlamento brasileiro por uma combinação de circunstâncias que podem ser sintetizadas no aforismo homem errado, no lugar errado e na hora errada.

Uma desculpa esfarrapada
Em sua desculpa esfarrapada para justificar seu aparente recuo, Rodrigo Maia diz ter ido à Europa para tratar do acordo Mercosul – União Europeia, sinalizando sua intenção de fazer em relação a este acordo o mesmo que ele fez em relação à reforma da previdência: tentar capitalizar politicamente para si um feito cujo mérito exclusivo é do Governo Bolsonaro e para o qual o deputado em nada contribuiu.

O acordo Mercosul – União Europeia foi conseguido graças ao empenho da diplomacia brasileira, chefiada pelo chanceler Ernesto Araújo que, juntamente com demais ministros, conseguiu fechar um dos maiores acordos comerciais do mundo. Desafiamos Rodrigo Maia a dar evidências de que ele tenha agregado um cêntimo em seu périplo europeu ao que já foi conseguido pela nossa diplomacia comercial por meio do acordo.

E aproveitamos também para perguntar a Rodrigo Maia em que momento ele recebeu mandato da presidência rotativa do Mercosul, que nesse momento é exercida por Mario Abdo Benitez, presidente do Paraguai, para falar em nome do bloco com interlocutores europeus.

Engenheiro de obra pronta que não se contenta com sua mediocridade
Resta evidente que Rodrigo Maia não se contenta em posar de um imaginário primeiro-ministro brasileiro sem ter mandato, qualificação e competência e amparo constitucional para tal: ele arvora-se agora à condição de chanceler continental, imaginando-se dotado de alguma qualificação superior para tratar de acordos multilaterais.

Novamente aqui a conduta de Rodrigo Maia pode ser resumida em um aforismo: engenheiro de obra pronta. Um engenheiro de obra pronta que não está à “altura altíssima” de ocupar o cargo que ocupa, pois trata-se do homem errado no lugar errado e no momento errado por circunstâncias fortuitas da história.

Rodrigo Maia, cujo apelido é Botafogo na lista de propinas de Odebrecht, é um personagem político que pretende-se maior que seu diminuto tamanho, cuja passagem pela chefia do legislativo nacional tem tanta relevância e robustez quanto a de um Severino Cavalcante.

Com a diferença que este último não atentou contra as instituições, não pretendeu mudar sorrateiramente o sistema de governo, não foi golpista tentando derrubar um governante legitimamente eleito, e limitou-se a exercer a sua mediocridade. Uma mediocridade que não basta a Rodrigo Maia, ainda que ele a tenha de sobra. Ele a complementa com suas veleidades golpistas.