Iniciado o novo governo, o Presidente Bolsonaro pôs fim à prática do toma-lá dá-cá, que consistia no fatiamento da máquina pública entre grupos políticos sob pretexto governabilidade ou de “articulação política”, para a formação de maioria parlamentar. A prática foi substituída pela recuperação do caráter republicano nas relações entre executivo e legislativo.

No entanto, a eventual derrubada dos vetos presidenciais à lei de diretrizes orçamentárias poderá reinstalar essa prática internamente no poder legislativo. Pois ficando o comando do parlamento na condição de dono e executor (inconstitucional) de parcela do orçamento público federal via emendas parlamentares, o restante dos parlamentares ficarão na dependência dos interesses de Rodrigo Maia e de David Alcolumbre para ver seus pleitos atendidos.

Ou seja, será inaugurado um novo toma-lá dá-cá, mas dessa vez não mais entre o executivo e o legislativo, mas dentro do próprio legislativo. Resta saber se a maioria dos parlamentares, inclusive aqueles da esquerda e do Centrão, estarão dispostos a ficar reféns dos interesses de Rodrigo Maia e de David Alcolumbre.


 

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