por paulo eneas
A entrevista dada à Rede Globo neste domingo (12/04) pelo ainda Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, atendeu a um cálculo político preciso e cínico daquele que tem mostrado ser o mais traiçoeiro e desleal dos auxiliares diretos do Presidente Bolsonaro. O cálculo de Mandetta consiste em forçar sua demissão, apostando no aprofundamento da epidemia logo após sua saída, com o aumento do número de casos confirmados e de óbitos.

Nesse cenário hipotético futuro de comoção nacional, o agora ex-ministro teria amplo espaço na grande imprensa, como ocorreu com Santos Cruz e o falecido ex-ministro Gustavo Bebianno, para dizer que ele estava correto e que o culpado pela expansão da epidemia terá sido o Presidente Bolsonaro.

Esse cálculo político explica as absurdidades afirmadas pelo ainda ministro durante a entrevista, onde deixou claro sua decisão fazer o embate político contra o Presidente Bolsonaro o dizer que a pessoas não sabem se “seguem o que diz o presidente, ou se seguem o que diz o ministro”, como se fosse possível e sustentável haver uma voz explicitamente discordante no ministério em relação às diretrizes dadas pelo chefe do Poder Executivo.

A entrevista deixou patente também a incompetência de Luiz Henrique Mandetta em relação a abordagem científica da epidemia, pois ele voltou a projetar um suposto pico de contágios para as semanas vindouras sem dar qualquer evidência científica para essa afirmação. Mandetta já afirmou que o pico de contágios poderia ocorrer entre março e junho, ou seja: o ainda ministro traidor não tem a menor ideia de quando este pico irá ocorrer ou mesmo se já está ou não ocorrendo.

Em uma situação de normalidade, Luiz Henrique Mandetta já teria sido demitido há algumas semanas. Sua permanência ainda no Ministério da Saúde decorre de uma excepcionalidade nunca vivida no País: uma ação coordenada de inimigos internos e externos que possuem pessoas a mando no interior do próprio Governo Federal, como é o caso de Henrique Mandetta, que utilizam-se do drama real da epidemia com o objetivo explícito de minar o Governo Bolsonaro.

O desafio do Presidente Bolsonaro nesse momento é determinar o timing correto para exonerar Henrique Mandetta, que não poderá de forma alguma permanecer no cargo. E esse timing, que será determinado pelo presidente com base em sua vasta experiência política, será tal a fazer fracassar a estratégia explicitamente desleal e traiçoeira do ainda ministro de usar a epidemia para catapultar sua medíocre e derrotada carreira política.


 

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