por paulo eneas
A principal, e mentirosa, alegação feita por Sérgio Moro para sua saída intempestiva do governo foi a de que estaria havendo uma suposta interferência política do Presidente Bolsonaro na Polícia Federal.

Uma alegação mentirosa e leviana, que Sérgio Moro terá que explicar no processo aberto pela Procuradoria Geral da República, onde ele precisará dar evidências dessa suposta interferência, e responder por crime de prevaricação por não tê-la denunciado, ou então responder por crime de denunciação caluniosa contra o Presidente da República.

A alegação de Sérgio Moro foi eminentemente política, e fez parte de um roteiro elaborado com a intenção explícita de implodir o Governo Bolsonaro, valendo-se do prestígio que o então ministro e ex-juiz desfrutava junto à opinião pública. Sérgio Moro colocou esse prestígio a serviço de um projeto de poder que passa pela derrubada do governo, e ele próprio foi o protagonista desta tentativa de derrubada.

Acuse-os do que você mesmo faz
A acusação que Sergio Moro faz ao Presidente Bolsonaro de suposta interferência política na Polícia Federal parece corresponder à máxima atribuída a Lenin, que exorta os revolucionários a xingar seus inimigos daquilo que eles próprios, os revolucionários, são e de acusar estes inimigos de fazer aquilo que os revolucionários fazem.

No caso da interferência política na Polícia Federal, um ofício enviado ao então Delegado Geral Maurício Valeixo pela Associação Nacional de Delegados da Polícia Federal traz graves acusações de ingerência política na instituição e descumprimento de normas constitucionais por parte do Ministério da Justiça, chefiado por Sergio Moro, em sua relação com a Polícia Federal.

O documento da associação, identificado como sendo Ofício No 045/2019, foi enviado ao Diretor Geral da Polícia Federal em 29/10/2019. O documento, que pode ser visto na íntegra nesse link aqui, é assinador por Edvandir Felix da Silva, presidente da entidade. O ofício lista 18 (dezoito) itens de queixa da Polícia Federal em relação ao tratamento que a entidade vinha recebendo do então ministro da Justiça, Sergio Moro, e do próprio diretor Geral, Maurício Valeixo.

Em um dos itens do documento, o Ministério da Justiça é acusado pela associação de ignorar o ordenamento jurídico e permitir a exclusão da Polícia Federal da coordenação de sua principal função, que é a de investigar.

Em outro item, a associação acusa o Ministério da Justiça de interferir no entendimento jurídico da autoridade policial quanto à instauração de inquéritos de usurpação de funções. Em outro trecho do documento, o Ministério da Justiça é acusado de contrariar a Constituição Federal ao conferir a outro órgão atribuições que são exclusivas da Polícia Federal.

O que podemos depreender destas acusações é que a Polícia Federal vinha sofrendo interferência sim em seu funcionamento, mas esta interferência vinha do próprio ministério da Justiça comandado por Sergio Moro, e não vinda do Presidente da República.

Ao acusar levianamente o presidente de fazer aquilo que, segundo a associação dos delegados, era praticado por ele próprio, Sergio Moro seguiu a máxima atribuída a Lenin e mostrou exatamente em que campo político ele se situa.