por paulo eneas
O ambiente político e institucional brasileiro está sendo pautado pelo cinismo levado às últimas consequências. Argumentos cínicos baseados unicamente em ilações ou mentiras cruas são usados por agentes políticos e até mesmo por autoridades do judiciário para justificar tomadas de decisões ilegais ou para a construção de narrativas políticas. O exercício do cinismo puro e simples tornou-se o novo padrão de desonestidade intelectual.

O cinismo presente na últimas horas traduziu-se na comparação estapafúrdia que vem sendo feita entre a indicação de Alexandre Ramagem para a direção Polícia Federal e a tentativa feita pela ex-presidente petista Dilma Rousseff de nomear Lula ministro de seu governo. O ministro Alexandre de Morais do STF usou esse paralelo em sua decisão.

A comparação é estapafúrdia e infundada, por que Dilma tentou fazer do criminoso Lula seu ministro com o único objetivo de conceder-lhe privilégio de foro, uma vez que o chefe petista estava sendo investigado na primeira instância da justiça por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A tentativa de torná-lo ministro foi motivada unicamente por esta razão.

Por sua vez, Alexandre Ramagem é um policial federal de carreira, que não é acusado de crime algum, e não está sendo investigado. Sua indicação para o cargo de diretor da Polícia Federal atendeu todas as exigências legais, e ao fazer a indicação o Presidente da República tão somente exerceu sua prorrogativa, e sua obrigação, prevista em lei: nomear o diretor-geral da Polícia Federal.

Comparar os dois episódios é um exercício de cinismo e de desonestidade intelectual próprios daqueles que fingem não enxergar o que os seus olhos veem: as forças políticas de todo o estamento burocrático, incluindo setores do judiciário e toda a grande imprensa, operam no sentido de tentar paralisar ou mesmo derrubar o Governo Bolsonaro.