por paulo eneas
O ministro Alexandre de Moraes do STF suspendeu a nomeação do delegado Alexandre Ramagem para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão do ministro atende pedido do PDT, que alega um suposto abuso de poder por parte do Presidente Bolsonaro, que havia escolhido Ramagem para substituir Maurício Valeixo, ex-diretor indicado pelo ex-ministro Sérgio Moro.

Em sua decisão, Alexandre de Moraes alega um suposto desvio de finalidade da parte da Presidente da República ao nomear Alexandre Ramagem para a direção da Polícia Federal, sem no entanto indicar que suposto desvio seria este, uma vez que o nomeado atende os requisitos previstos em lei para ocupar o cargo de diretor. A lei também estabelece que cabe ao Presidente da República nomear o diretor-geral da Polícia Federal.

A decisão de suspender a nomeação de Alexandre Ramagem escancara um fato inegável: grande parte do estamento burocrático, ou do “mecanismo” que de fato exerce o poder no Brasil, não quer ver a elucidação do caso Adélio Bispo, o criminoso que tentou assassinar a mando o então candidato Jair Bolsonaro.

A elucidação desse crime irá seguramente expor figuras de proa desse mecanismo de poder. É nesse fato, jamais admitido pela grande imprensa, que reside o motivo pelo qual até hoje não foi feito esforço algum para descobrir os mandantes deste crime.

E a evidência disso é que durante toda a gestão do ex-diretor Maurício Valeixo, amigo de longa data e indicado pelo ex-ministro Sergio Moro, não houve empenho da Polícia Federal para avançar nas investigações. Por outro lado, a indicação de Alexandre Ramagem, que foi bem recebida pela Federação Nacional dos Policias Federais, criou a expectativa de que o crime de Adélio Bispo seria agora de fato investigado.

A possibilidade de elucidação desse crime foi o estopim para a saída de Sérgio Moro do governo. Moro não admitiria em hipótese alguma a nomeação de um diretor da Polícia Federal disposto a investigar realmente esse crime. Quando sua saída tornou-se inevitável, Sérgio Moro tentou emplacar Disney Rosseti na direção da Polícia Federal.

Disney Rosseti era o número dois na hierarquia da instituição e é ligado a Alexandre de Moraes, do STF. O mesmo que agora impediu a nomeação de Alexandre Ramagem. Uma hipotética nomeação de Disney Rosseti, como Sérgio Moro desejava e que não encontraria objeção alguma da parte de Alexandre de Moraes, significaria que o caso Adélio Bispo continuaria exatamente onde está: sem chegar aos mandantes.

Alexandre de Moraes é o ministro do STF que comanda o inquérito inconstitucional conduzido pelo STF para investigar, ilegalmente, parlamentares e as principais lideranças da sociedade que apoiam o Presidente Bolsonaro.


 

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