por paulo eneas
O crime organizado do Rio de Janeiro (RJ) está usando da epidemia do vírus chinês para impor toque de recolher nas favelas da cidade. Conforme um áudio que recebemos e reproduzimos abaixo, um carro de som do crime organizado circula na favela do Acari ordenando a população a ficar em casa e ameaçando quem descumprir a ordem.

O veículo apresenta-se como “carro da lapada” e anuncia que quem descumprir a ordem do crime organizado e permanecer nas ruas após às 19h30min sofrerá consequências. Nesse caso, as consequências são agressões físicas por meio de chibatadas, ou lapadas. A mensagem dos traficantes também ordena que as pessoas somente saiam de casa usando máscaras.

A ação do crime organizado intimidando a população a cumprir uma quarentena ilegal que está destruindo a economia do Rio de Janeiro mostra uma convergência de interesses do mundo do crime e do Governador do Estado, Wilson Witzel, que já manifestou sua vontade de estender a quarentena por até dois anos.

Juntamente com o áudio, recebemos também fotos de pessoas com marcas de chibatadas (lapadas) nas costas, e que teriam sofrido agressões por parte dos traficantes. Estas pessoas teriam descumprido as ordens do crime organizado e do Governo do Estado, e rompido o toque de recolher e a cessação das atividades comerciais nas favelas por conta da quarentena.

Ex-ministro Mandetta havia sugerido dialogar com o crime organizado
Em uma entrevista concedida em 8 de abril, o então Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, havia feita a inaceitável e absurda sugestão de que o poder público deveria “abrir diálogo” com o crime organizado e o tráfico de drogas para unirem esforços no combate a epidemia nas áreas controladas pelos criminosos. O vídeo com o trecho da entrevista do ex-ministro pode ser visto mais abaixo.

Tudo indica que o governo carioca já deu andamento a esse diálogo. Pois não é crível admitir que os interesses do governo estadual carioca e do crime organizado na manutenção da quarentena ilegal e na destruição da economia do estado tenham se convergido de maneira espontânea.

E esta convergência de interesses fica manifesta se lembrarmos que atividade econômica ilegal do crime organizado, o tráfico de drogas, jamais será afetada ou interrompida pela quarentena e pela cessação imposta pelo poder público às atividades econômicas legais formais ou informais, que são as únicas que perdem estas medidas ilegais.

O saldo líquido desse cenário de absoluta anomia, onde crime organizado e o poder público convergem nos mesmos interesses e adotam medidas semelhantes para reprimir a população – seja por meio de detenções ilegais ou tortura via chibatadas – é a destruição da economia e o fortalecimento político e econômico do crime organizado e seus aliados políticos. O mesmo processo que assistimos na implantação da ditadura narco-comunista na Venezuela.

Carro de som do crime organizado impõe toque de recolher na favela do Acari.

 

Ex-ministro Mandetta sugere dialogar com crime organizado para combater a epidemia.