por paulo eneas
A estratégia de confinamento ou de quarentena horizontal é inútil para prevenir o contágio por vírus em uma epidemia. Não existe evidência científica alguma de que o isolamento das pessoas dentro de casa, impedindo-as de trabalhar e de exercer seu livre direito de ir e vir, constitua em medida profilática efetiva para conter a expansão de um surto epidêmico.

Vamos ser enfáticos: não existe uma única evidência científica ou estudo de caso ou registro de caso baseado em experiências com epidemias virais no passado que mostrem, para além de qualquer dúvida razoável, que o confinamento de pessoas dentro de suas casas constitui-se em medida efetiva para conter a expansão de uma epidemia viral.

Muitos países do Ocidente adotaram a estratégia desastrosa do confinamento logo no início da epidemia, e isso não impediu que o número de contágios e de óbitos nesses países fosse diferente daquele dos países que não adotaram essa medida, como Suécia, Costa Rica, Japão e alguns outros.

Com o Brasil não foi diferente. A ausência de uma estratégia nacional para lidar com a epidemia, aliada às interferência da nossa corte suprema no Governo Federal, fez com que cada governador de Estado adotasse as medidas que bem entender, inclusive e principalmente medidas ilegais, o que levou muitos a dar vazão a suas veleidades autoritárias e antidemocráticas, impondo um isolamento completo e a cessação das atividades econômicas de seus Estados.

O saldo líquido desta desastrada experiência anti-democrática levada a cabo sem qualquer fundamentação científica estamos vendo agora, cerca de um mês após o início dessa irracionalidade. O Estado que aplicou medidas mais duras, São Paulo, acumula quase metade dos casos de contágio e de óbitos, evidenciando que a quarentena horizontal não serviu (como já se sabia que não serviria) para conter a expensão do vírus.

A quarentena serviu somente para paralisar a economia, gerar desemprego e fechamento de empresas, e produzir agressões aos direitos individuais previstos na Constituição Federal.

Mas diante deste retumbante fracasso, governadores como João Doria, Camilo Santana, Wilson Witzel e outros decidem oferecer à população mais do mesmo: endurecer as medidas, que irão afetar ainda mais a economia e cercear liberdades, e que terão zero efeito na contenção do vírus.