por camila abdo e paulo eneas
O procurador-geral da República, Augusto Aras, retomou a negociação de um acordo de delação premiada com o advogado Rodrigo Tacla Duran. A delação tem relação direta com o advogado Carlos Zucolotto, amigo do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro. O advogado era operador financeiro da Odebrecht em contas no exterior, e teve seu acordo recusado por suspeita de omissão de atos ilícitos e ocultação de recursos.

Por sua vez, Tacla Duran, que está foragido na Espanha onde tem cidadania, também teve a sua proposta de delação rejeitada em 2016 pela Lava-Jato. Duran afirma ter pago dinheiro ao advogado Carlos Zucolotto para obter vantagens em seu acordo de delação. A delação de Duran envolve Zucolotto.

Ambos já foram investigados pela própria PGR, e a investigação foi arquivada em 2018, sob a gestão de Raquel Dodge, sob o argumento de que não ficou comprovada a prática de crimes.

Carlos Zucolotto é padrinho de casamento do ex-ministro Sérgio Moro, e afirmou em entrevista à Revista Veja em 04/06 que o ex-juiz poderia ficar tranquilo sobre a delação de Tacla Duran: “Falei muito pouco [com Moro]. Comentei com ele sobre [a PGR] reabrir, ele falou ‘cara, fica tranquilo, não tem nada de problema nisso, acho que a PGR não vai tocar adiante isso, não tem base nenhuma’”, diz ele, que é ex-sócio da mulher de Moro, a advogada Rosângela Wolff Moro.

Tecla Duran afirma que Carlos Zucolotto lhe disse que poderia influenciar e intermediar acordos de delação premiada junto à força-tarefa da Lava-Jato no Paraná à época em que Sergio Moro era juiz federal. Em troca, segundo Tacla Durán, Carlos Zucolotto teria pedido 5 milhões de dólares.

Por sua vez, Carlos Já Zucolloto afirmou à Veja que “Não sei se a PGR vai reabrir o caso, não existem novas provas, não existe nada. O Tecla Duran é um foragido da Justiça, operador da Odebrecht, ele inventar algo pra reabrir o caso e procurar a PGR, eu não duvido, mas acho difícil isso ir adiante. Não tem um fundamento, não tem um documento, uma prova, nada, as argumentações são muito frágeis. Acho que a PGR não vai cair nessa”.

A reação de Sérgio Moro
O ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro se diz indignado perplexo com a decisão do Ministério Público Federal de retomar as tratativas com Duran. Em nota distribuída à imprensa na semana passada, Sérgio Moro disse:

“Sobre a matéria Aras retoma delação que atinge amigo de Moro, publicada no Jornal O Globo nesta quarta-feira 03/06/2020 venho informar que:

Os relatos de Rodrigo Tacla Duran sobre a suposta extorsão que teria sofrido na Operação Lava Jato, com envolvimento de um amigo pessoal, Carlos Zucolotto Júnior, já foram investigados na Procuradoria-Geral da República e foram arquivados em 27/09/2018, com parecer do então Vice-Procurador-Geral da República (Notícia de fato 1.00.000.010357/2018-88).

Na ocasião, o relato não verdadeiro prestado por acusado foragido do país teve o destino apropriado: o arquivamento. Como sempre frisei, ninguém está acima da lei, por tal razão, disponho-me a prestar qualquer esclarecimento que se vislumbre necessário sobre os fatos acima. Contudo, causa-me perplexidade e indignação que tal investigação, baseada em relato inverídico de suposto lavador profissional de dinheiro, e que já havia sido arquivada em 2018, tenha sido retomada e a ela dado seguimento pela atual gestão da Procuradoria-Geral da República logo após a minha saída, em 22/04/2020, do Governo do Presidente Jair Bolsonaro.

Lamento, outrossim, que mais uma vez o nome de um amigo seja utilizado indevidamente para atacar a mim e o trabalho feito na Operação Lava Jato, uma das maiores ações anticorrupção já realizadas no Brasil.”

Com informações de O Globo, Veja e Correio Braziliense


 

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