por paulo eneas
A posse do novo Ministro da Educação, Carlos Alberto Dacotelli, que estava marcada para esta terça-feira (30/06), foi adiada para uma data indefinida. O adiamento deveu-se aos vários questionamentos que surgiram a respeito das credenciais acadêmicas de Dacotelli, que serão agora verificadas pela ABIN e pelo TCU por ordem do Presidente Bolsonaro. Existe até mesmo a possibilidade, segundo nossas fontes, de a nomeação ser cancelada.

Carlos Alberto Decotelli havia trabalhado no MEC até agosto do ano passado, na direção do FNDE, de onde saiu por problemas de baixo desempenho. Sua indicação para o MEC partiu da ala militar do governo e foi motivada pela intenção desta ala de ter um técnico “ideologicamente neutro” no ministério.

Uma intenção baseada numa suposição descabida, própria da mentalidade tecnocrata-positivista de parte do estamento militar brasileiro, que acredita na noção ingênua de que existe atividade política puramente técnica e isenta de viés ideológico. O principal responsável pela indicação de Dacotelli foi o Almirante Flávio Augusto Viana Rocha, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Os questionamentos quanto às credenciais acadêmicas de Carlos Alberto Dacotelli revelam também uma debilidade assombrosa do governo federal: a incapacidade de os serviços de inteligência e segurança internas fazer um background checking de postulantes a cargos importantes no governo. Esse trabalho de verificação de histórico dos postulantes deveria ser feito pela Casa Civil e ABIN.

Mas o próprio Presidente Bolsonaro já revelou, em reunião ministerial cujo vídeo veio a público, que ele não confia ou não pode contar com os serviços de inteligência e de informação do Estado brasileiro. O episódio envolvendo Carlos Alberto Dacotelli e o possível cancelamento de sua indicação mostram que o presidente estava correto ao apontar essa debilidade.


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