por evandro pontes
Em outubro do ano passado, o jornalista Felipe Brasil, que atende pelo vulgo de “Juveninho”, perfil falso por ele criado com o intuito de fazer proselitismo poético de baixo estrato e postagens de soft porn, empenhou-se em uma matéria na Revista Crusoé sobre a tal máquina do Gabinete do Ódio.

A narrativa, que se escora em prints vazados de um grupo de WhatsApp de adolescentes, encampa a versão abertamente veiculada por Luciano Ayan (pseudônimo do homem preso na 6ª feira de manhã sob suspeita de lavagem de dinheiro dentre outras “maravilhas”) de que há no entorno da Presidência da República um núcleo com o objetivo de perturbar a reputação de adversários políticos.

Juveninho transformava, assim, em pura técnica lavajatista, um mero recalque em “evidências penais”. O núcleo daquela matéria de Outubro de 2019 alimentou não apenas as fantasias da CPMI das Fake News, como também o tal Inquérito do Fim do Mundo. A Revista Crusoé, de investigada, se torna dínamo das ilegalidades praticadas pelo STF.

Por trás de tudo isso, um presidiário: Luciano Ayan.

Na própria sexta- feira, dia da prisão do investigado por crimes que somam valores na casa dos 400 milhões de reais, a própria Revista Crusoé solta matéria baseada na narrativa do acusado: na capa lê-se “A Prova”, junto de fotos do Presidente Bolsonaro, do deputado federal Eduardo Bolsonaro, e do vereador e cientista político Carlos Bolsonaro. Lê-se ainda na chamada dessa central de narrativas o seguinte texto:

“Uma investigação do Facebook comprova o que uma reportagem publicada por Crusoé há nove meses mostrava: o gabinete do presidente da República está ligado a uma azeitada rede de difamação e fake news”.

O blog louva assim matéria própria, mas baseada em narrativa de líder do MBL preso no dia em que a revista foi lançada.  Se isso não bastasse, a revista, ainda após a prisão de Ayan, dobrou a aposta na falsa narrativa e vem disparando mailings com os seguintes dizeres:

“Ao revelar que um dos expoentes do ódio atua a poucos passos do gabinete presidencial, o Facebook colocou Jair Bolsonaro mais próximo ainda do inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal e apura as supostas ameaças a integrantes da corte. Ao mostrar que a engrenagem funciona desde a campanha, acabou por municiar as ações que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral contra a chapa Bolsonaro-Hamilton Mourão. Os dois casos se entrelaçam”.

O gibi em forma de jornalismo aposta em uma mentira cristalina desvendada pela Justiça de São Paulo, e tenta equiparar “uma investigação do Facebook” ao nível de uma investigação da Polícia Civil, do Ministério Público e da Justiça de São Paulo, que já desvendaram o uso de dezenas de empresas de fachada, volumes monstruosos de dinheiro utilizados em simulação cível e uma cadeia de gente envolvida em propagação de mentiras e assassinatos de reputação que, ao que parece, inclui o Juveninho, que usa o detento Luciano Ayan como “fonte”.

Sim – o blog e o gibi dobraram suas apostas na mentira e na aleivosia, alvo de uma operação policial monstruosa em São Paulo que acabou sendo noticiada mal e porcamente pelo blog, no dia da prisão de Luciano Ayan.

Imprensa mainstream calou-se: Folha, Estadão, Globo, Veja, Isto É se calaram. O blog só reproduziu a cobertura superficial da prisão feita pela CNN Brasil. A razão cristalina disso é que o cartel da imprensa mainstream, em uníssono, tem ligações com esse esquema de lavagem de dinheiro e produção de narrativas falsas: por isso, e não por outro motivo, vários jornalistas e parlamentares e respectivos assessores, correram às suas contas de Twitter para apagar as ligações que tinham com Luciano Ayan.

São inúmeros jornalistas que assim procederam, pois, obviamente, a primeira fase da operação estourada na sexta-feira deve chegar em níveis mais elevados do poder público e da imprensa em geral.

CPMI da Fake News, Inquérito do Fim do Mundo, Inquérito dos “atos anti-democráticos”: tudo isso está baseado nessas “investigações jornalísticas” que se utilizaram do “trabalho” do detento Luciano Ayan, com o único fim de atacar gente que não concorda com eles e com os métodos deles. A máquina repressiva estatal foi de forma clara e indubitável usada para perseguir adversários políticos, ao modo de Mao Tsé-tung.

Mas se isso não bastasse, o blog, ao invés de “mudar de assunto”, age como um toxicômano e “dobra a dose”: ao insistir na narrativa do presidiário, jornalistas que seguem propagando a versão fantasiosa de um acusado de lavar 400 milhões de reais pensam que estão “se aproximando do Planalto”, quando na verdade estão apenas permitindo que a Polícia e o Ministério Público de São Paulo se aproximem deles.


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