por camila abdo e paulo eneas
O premier britânico Boris Johnson anunciou na última terça-feira (14/07) que o Reino Unido irá banir o uso de equipamentos da empresa chinesa Huawei em suas redes de comunicação de tecnologia 5G, conforme mostramos neste artigo do Crítica Nacional publicado na mesma data.

Em resposta à decisão do Reino Unido, o regime de ditadura comunista chinesa, que responde por cerca de 6% do comércio exterior do Reino Unido, prometeu retaliação e  consequências, afirmando que a decisão gera desconfiança para todas as outras empresas chinesas que investem no Reine Unido.

Também como já informamos esse mês, os Estados Unidos tomaram decisão no mesmo sentido: o presidente norte-americano Donald Trump considera ao regime de ditadura comunista da China uma ameaça geopolítica e à segurança nacional dos norte-americanos.

Por sua vez, o Canadá seguiu a mesma política do Reino Unido e dos Estados Unidos e fechou as portas para as empresas chinesas. Duas operadoras de telecomunicações canadenses, a BCE Inc., que é controladora da Bell, e  Telus Corp, decidiram agora usar equipamentos da Nokia e Ericsson para construir suas redes 5G de próxima geração no Canadá.

Outro país que dispensou a China foi o Vietnã, que passou a desenvolver sua própria tecnologia 5G. Além disso, a Polônia assinou um acordo de cooperação com os EUA para a nova tecnologia 5G, excluindo a possibilidade de empresas chinesas, que são braços e extensões do Partido Comunista Chinês, entrarem naquele país do leste europeu.

O Brasil está em vias de fechar contratos de tecnologia 5G com as empresas de telecomunicações europeias, Ericsson e Nokia, enquanto os Estados Unidos estão conversando com o governo brasileiro, e propondo financiar a operação de infraestrutura de 5G em nosso país, sob a condição de que o Brasil deixe a Huawei fora das negociações.

No mês de junho, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília divulgou uma declaração de Mike Pompeo, secretário de Estado, onde destacava que cidadãos do mundo inteiro estão cada vez mais cientes do perigo representado pelo estado de vigilância do Partido Comunista Chinês:

“A maré está se voltando contra a Huawei, à medida que cidadãos de todo o mundo estão acordando para o perigo do estado de vigilância do Partido Comunista Chinês”, disse Mike Pompeo. “Os acordos da Huawei com operadoras de telecomunicações em todo o mundo estão evaporando, porque os países estão permitindo apenas fornecedores confiáveis em suas redes 5G”, acrescentou.

Caso o alerta dos Estados Unidos tenha êxito sobre o Brasil, isso representará uma grande perda para a gigante chinesa de telecomunicações, pois a empresa reforçou sua presença no mercado brasileiro nas últimas duas décadas, durante o período de governo de Lula e Dilma.

A Huawei conduziu testes 5G para as quatro principais empresas de telecomunicações nacionais: a Telefônica Brasil, TIM, Claro e Oi, e está ajudando estas empresas a modernizar sua infraestrutura, antes do leilão esperado do espectro 5G, que deve ocorrer em 2021. A empresa também prometeu instalar uma fábrica em São Paulo até 2022, com um investimento de 800 milhões de dólares.

O embaixador norte-americano Todd Chapman alertou: “Quem quer fazer investimentos em países onde suas informações não serão protegidas?”

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, divulgou parecer sobre o assunto em junho de 2020. No documento, o chanceler brasileiros defende o banimento completo da Huawei. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a orientação contraria a avaliação técnica do corpo do Itamaraty, que estava alinhada com o Ministério da Ciência e Tecnologia, e se alinha ao posicionamento do general da reserva Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

Além disso, o governo e a Anatel também estão avaliando propostas de empresas como a norte-americana Qualcomm, com planos para 2021/2022. Com informações da Nexo e do Conexão Politica.