Ilmo. Sr. Dr. Dep. Federal Eduardo Nantes Bolsonaro, GORB

Apesar da faculdade que o breve convívio nos franqueou para assumir um tom mais “pessoal”, hesitei, optando por uma direção mais formal nesta missiva.

Na data de hoje V. Exa. usou vossa conta de twitter para recomendar a audição de minha participação semanal no programa Ta em Shokkk da Shock Wave Radio, quando abordamos as pertinentes questões sobre a eleição nos EUA bem como um debate aprofundado sobre uma postagem do amigo em comum Flávio Morgenstern.

O programa transcorreu bem e mais uma vez tivemos a oportunidade, Juliana V. e eu de justificarmos nossa decisão de nos afastarmos das redes sociais para fazer um trabalho de “guerra cultural” de médio para longo prazo, algo que também o fez Morgenstern.

Na breve divergência que abri em face da postagem de Morgenstern, mais uma vez tanto eu quanto a rádio, marcou-se a preocupação em definir qual o nosso papel no auxílio para a prevalência das pautas conservadoras em prol do nosso BRASIL.

Minha ausência da plataforma Twitter tem levado inúmeras contas (e a razão pouco me importa) a eleger-me como “vilão” ou uma espécie de “traidor” do governo que V. Exa. apoia no Congresso Nacional, na qualidade de deputado federal mais votado da História. Já tive a oportunidade de brincar com os números e lembrar que V. Exa. vale, matematicamente, por 27 Maias, mas politicamente por um Afonso Pena.

Mas a leitura após a minha ausência nas redes fez-se rapidamente em tom de “traição”, ao passo que os verdadeiros traidores do governo de Jair Messias Bolsonaro seguem incólumes de críticas. Aproveitando da minha ausência, falam o que querem pois sabem que não serão incomodados, ao passo que essa mesma coragem não se vê para atacar perfis de traidores inquestionáveis, como de deputados como A. Frota e Joice Hasselman ou perfis como do youtuber Nando Moura.

Do meu lado, as críticas não me incomodam e com elas eu consigo crescer, desde que essas críticas sejam baseadas em fatos verdadeiros e não em narrativas de gente perdida.

Dizer que meu ofício se tornou o de uma pessoa que “detona[m] seu pai e o governo” [sic] não é algo malicioso, mas mentiroso.

V. Exa. me conhece pessoalmente.

Desafortunadamente a pandemia interrompeu um projeto importante de ação popular que discutíamos e cuja estrutura ilegal montada contra o governo Bolsonaro, partiu de informações que o nosso jornalismo investigativo desvendou.

Fizemos lives sobre o tema e sempre dando caminhos para que o governo Bolsonaro pudesse se proteger da forma mais correta e adequada. Dei minha palavra (que fica mantida) de apresentar parecer jurídico pro bono causae no momento em que V. Exa. solicitar.

Nos encontramos meses depois na casa do querido Professor Olavo e lá deixei mais claro os detalhes do meu pensamento e as sementes do que eu entendia ser um problema (a época, futuro, e hoje um problema presente) para o Presidente Jair Bolsonaro, sobretudo quando a conversa trouxe luzes filosóficas com excelentes contribuições dos amigos Felipe Pedri e Sérgio Sant’Anna.

Disse a V. Exa., ao Professor Olavo e a quem quisesse ouvir que o maior perigo para o governo de Jair Bolsonaro residia na sua porosidade às ideias liberais e mais conciliadoras (digamos assim, “de centro”).

Isso pode, de fato, fazer-me um apoiador mais radical e, porque não admitir, bastante “inconveniente” muita vez – mas jamais um opositor.

O rigor pela coerência do pensamento e a feroz oposição que exerço a qualquer ideia de cunho socialista, ao lado de iniciativas que me parecem erros que possam prejudicar o governo e até as suas chances em 2022, me colocam vez ou outra na posição de crítico de ações, mas, nunca, jamais, de pessoas.

V. Exa. poderá procurar em todas as minhas manifestações por escrito e verbais se há críticas a pessoa de quem quer que seja – encontrará um ou outro isentão ou socialista recebendo um contraponto ad hominem, jamais um soldado em nossa trincheira. Mas se o soldado sair num tiroteio “sem vestir a bandoleira”, V. Exa. verá que a cena do Capitão Nascimento no Tropa de Elite é poética se comparada a forma como reajo.

Mas a reação é sempre em face de atos que me parecem equivocados: tal qual a do soldado que abandona a trincheira sem calçar a bandoleira.

E essa confusão entre a crítica de atos e a oposição direta à pessoa é a marca do analfabetismo funcional, doença que agora chega tardiamente na direita pela mão de alguns neoconservadores.

Não foi assim quando do lançamento da ideia de torná-lo Embaixador brasileiro nos EUA, ideia que apoiei não para aquele momento, mas uma vez passada as eleições de 2020 por lá. A crítica a esse timing não foi bem vista por parte do eleitorado, mas até então, poucos analfabetos funcionais rondavam a direita, de modo que boa parte entendeu a preocupação com o ato em respeito à pessoa de V. Exa. na linha de ser contra a indicação de V.Exa. naquele momento. Fizemos lives no Crítica Nacional eu e o amigo Paulo Eneas. O mesmo quando Sergio Moro resolveu criticar-lhe pela postura tomada no juiz de garantias, ponto em que, tecnicamente, defendi a presidência da república.

Recentemente após o segundo mês de confinamento e seguindo o recuo político dos governadores contra o Presidente Jair Bolsonaro, algumas decisões políticas foram alvo de alerta, por conta de uma leitura associada a um maior distanciamento das pautas conservadoras e de certo silêncio em face de abusos que vem sendo cometidos (especialmente por parte do Supremo Tribunal Federal) contra apoiadores e eleitores de V.Exa. (dentre os quais eu me incluo).

Tais críticas e cobranças públicas e mais incisivas vem sendo falsamente jogadas nas redes sociais como “sinal de traição”.

Mas eis que apresento aqui a V. Exa. o que entendo ser o périplo dos sinais de traição:

1. uso ostensivo de canais montados para criticar o governo sob a desculpa esfarrapada de “ocupação espaços” – uso esse que apenas beneficia o “entrevistado” pessoalmente e não auxilia em absolutamente nada o governo;

2. elogios constantes e uma abordagem cega, elogiando até quando há a necessidade, somada a falta de coragem e caráter, para apontar e sugerir o caminho que corresponde verdadeiramente “ao ronco das ruas”;

3. por parte de um soi disant conservador, um rompimento abrupto com Olavo de Carvalho;

4. a aproximação com inimigos, com elogios a políticos que criticam o Presidente Jair Bolsonaro (como Doria, Witzel, Maia, Alcolumbre ou apoio a medidas ilegais do STF contra seus apoiadores);

5. a flexibilização de pautas caras aos conservadores sob o falso manto da “governabilidade”, da “prudência” e da “sofisticação”.

V. Exa. poderá procurar os 5 indícios acima de minha parte: não encontrará – jamais pisei na Globo, CNN ou falei com Folha, Estadão, Veja e outros. Ocupar espaço eu já o faço na Shock Wave Radio e busco competir de igual para igual e não me render a cenários bonitos. Estive sim na Rede Século 21 inúmeras vezes, pois lá me sinto em casa – a proposta cristã dá ao entrevistado a certeza de que atingirá o público correto com a mensagem adequada.

V. Exa. nunca, jamais, em hipótese alguma verá um vídeo, uma nota, um “áudio roubado” que seja elogiando qualquer adversário político do governo Bolsonaro, coisa que traidores fazem no minuto seguinte à traição. Vários deles foram para os braços de Doria, Moro, Mandetta, Joice, Frota e outros traidores verdadeiramente declarados. V. Exa. não verá uma palavra de desapreço que seja a Olavo de Carvalho, homem a quem devo boa parte de meu recente amadurecimento intelectual diante de temas políticos.

De minha parte, V. Exa. verá até um enrijecimento das minhas ponderações diante de pautas conservadoras, dai as recentes críticas a atos que tenho visto no entorno do governo Bolsonaro: a manutenção de um travesti em uma das Diretorias do MDH, comprometido com a ideologia de gênero e com governos anteriores foi sim alvo de minhas críticas, que na boca de incautos se tornou “perseguição a Min. Damares”; a leniência no trato do projeto de lei do Abortoduto (leniência inclusive, data maxima venia concessa, por parte de V. Exa. de quem eu esperava ver mais incisividade no combate a esse projeto hediondo, nefasto, rude e asqueroso); a leniência no trato da questão da reversão das políticas de desarmamento, objeto inclusive de fala memorável do PR Jair Bolsonaro na famigerada reunião ministerial, mas cuja fala não vimos ser convertida em ação concreta.

Há ainda outras pautas que venho cobrando: voto impresso, combate a políticas de quotas raciais, a luta mais ampla pela liberdade religiosa e o combate ao ataque a cristãos no Brasil. São cobranças duras, mas legítimas e constantes do Plano de Governo. São cobranças que faço e farei pelo bem não apenas do governo, mas do BRASIL.

Além disso, há escolhas ministeriais ao meu ver equivocadas, como a do quase-Ministro Decotelli e a manutenção do Gen. E. Pazzuello em pasta tão importante e de onde tantos equívocos nasceram – eis o alvo das observações. Nunca, jamais, a pessoa do PR Jair Bolsonaro foi alvo de minhas preocupações, exceto quando cuidamos de sua saúde.

E óbvio, são críticas que refletem conversas de bastidores com grande conservadores e que visam alertar qual o sentimento de parte de vosso eleitorado. Isso obviamente deve ser balizado com as dificuldades que sabemos que V. Exas. têm no planalto central mas daqui, a distância, nem sempre nos parece clara.

Certo de que sua atenção lhe trouxe até o final desta missiva aberta, reitero aqui meu apoio ao único governo que se dignou a ouvir a voz conservadora no Brasil, reservando-me ao direito de expressar-me livremente onde eu bem entender que o caminho pode não apenas minar as pautas conservadoras mas, no médio e longo prazo, desidratar o bolsonarismo de seu núcleo mais pulsante e menos fisiológico e encantado: aqui, no combate feroz ao socialismo e suas formas mutantes.

Renovo meus altos protestos de estima e de elevada consideração,

Subscrevendo-me,

Cordialmente.
EVANDRO FERNANDES DE PONTES, Esq., BA, MBA, MJD*, SJD*, e, orgulhosamente, COF.