por paulo eneas
O ministro Celso de Mello do STF suspendeu na noite desta segunda-feira (17/08) dois processos que estavam em andamento no Conselho Nacional do Ministério Público Federal contra o procurador Deltan Dallagnol. Estes dois processos, juntamente com um terceiro que será julgado nesta terça-feira pelo conselho, poderiam resultar no afastamento do procurador de suas funções e, portanto, da Operação Lava jato. A decisão do ministro ainda será avaliada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal.

Com a decisão, Deltan Dallagnol sai fortalecido. Sai também fortalecido o lavajatismo: o conjunto de práticas adotadas por um grupo restrito de procuradores, liderados por Deltan Dallagnol e outros que já se aposentaram e que hoje fazem parte da equipe de blogueiros do site O Antagonista, que caracteriza-se pela atuação política e pela seletividade na escolha de quem investigar.

O lavajatismo, que constitui-se na prática em um Partido dos Procuradores, liderado por Deltan Dallagnol e pelo blogueiro Sergio Moro, tornou-se no principal empecilho ao avanço da Lava Jato nos últimos anos, justamente pelo viés político de sua atuação.

Um viés que ficou evidenciado pela blindagem feita aos tucanos ao longo desses anos, que serviu para passar para a opinião pública a percepção equivocada de que somente petistas e políticos de partidos estritamente fisiológicos estariam envolvidos com corrupção, isentando assim os tucanos.

A Lava Jato no Governo Bolsonaro
Os tucanos somente começaram a ser investigados pela Lava Jato no Governo Bolsonaro, especialmente após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, e a ida de Augusto Aras para a Procuradoria Geral da República. A despeito disso, o lavajatismo ainda controla a Lava Jato em grande parte e tornou-se uma caixa preta, reunindo dados de milhares e milhares de pessoas que são investigadas sem que elas saibam exatamente o porquê.

Recentemente a justiça impediu a Procuradoria Geral da República de ter acesso aos dados da Lava Jato. Deste modo, um grupo restrito de procuradores com ligações sabidas com o blogueiro e operador político Sergio Moro, que já não mais exerce qualquer função institucional pública, continua de posse exclusiva de um conjunto gigantesco de informações sobre milhares de pessoas, especialmente políticos e empresários.

Considerando o caráter explicitamente político da atuação destes procuradores “donos” da Lava Jato e operadores do lavajatismo, a começar por Deltan Dallagnol, a posse destas informações constitui-se em um formidável ferramenta de pressão e atuação política contra adversários e desafetos.

A possível continuidade de Deltan Dallagnol à frente da força-tarefa da Lava Jato representará, portanto, a continuidade dos vícios e da seletividade da operação, que já foram apontados entre outros pelo próprio Procurador Geral, Augusto Aras.

A aliança do lavajatismo político com a grande imprensa
A natureza real do que representa o lavajatismo político liderado por Deltan Dallagnol, e indiretamente por Sergio Moro, e o quanto ele é nocivo para a própria Laja Jato, jamais é revelada pela grande imprensa.

Ao contrário, veículos como o blog O Antagonista, porta-voz oficioso do Partido do Procuradores que tem no lavajatismo a sua “ideologia”, retratam a situação por meio de uma narrativa simplista e falseadora, que confunde e mistura o lavajatismo com o Lava Jato, e que vende a ideia de que o combate a esse lavajatismo político é o mesmo que combater a Lava Jato e, por consequência, proteger corruptos.

Nada pode ser mais falso, pois foi justamente no Governo Bolsonaro que a Lava Jato avançou no combate a corrupção, independentemente da cor político-partidária dos investigados, como podem atestar hoje os grão-tucanos investigados pela operação: Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves, antes devidamente blindados na era Sergio Moro. E isso somente ocorreu quando a trama do lavajatismo político, liderada por Deltan Dallagnol e ainda de algum modo por Sérgio Moro, começou a ser percebida e desvendada.


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