por evandro pontes
Não foi exatamente a operação Lava Jato que descortinou que a corrupção é arma essencial da esquerda. Foram os fatos da vida. Kruschev, ao denunciar os crimes de Stalin, falava da corrupção. Há tempos que estudiosos da política cubana ressaltam isso. Götz Aly, ao escrever sobre o Estado Social de Hitler, descortinou todo o esquema de corrupção do Nacional-Socialismo alemão. Esquerdas e corrupção funcionam como duas peças de um mesmo relógio.

A Operação Lava Jato, ao investigar as peripécias políticas do PT, apenas deu números robustos a isso. No seu interior, gestou uma técnica de investigação hoje conhecida por lavajatismo, controversa porém eficiente para “crimes de inteligência”, inadequada e imprópria para “crimes comuns”.

Essa diferença se dá, na verdade, no âmbito do processo penal – para constituir as provas de uma condenação por corrupção, o acusador precisa inverter a lógica investigativa e trabalhar por indução (provas indiciárias) e não por dedução. Tenho ao menos 4 textos acadêmicos sobre o tema: é sobre a controversa e espinhosa interpretação ao art. 239 do Código de Processo Penal.

Pois bem, questões técnicas à parte, tão logo o governo petista foi removido do poder e as provas e indícios de corrupção colheram o PSDB em cheio, a Operação Lava Jato começou a “pisar no freio”. Sempre alertei que a Operação Lava Jato, se tivesse que ser destruída, seria destruída de dentro pra fora, jamais de fora pra dentro.

Além do encalço ao PSDB, outra característica marcou a mudança de rumos da Lava Jato nos idos de 2017, quando Rodrigo Janot ainda estava na PGR: foi quando o follow the money chegou na Suíça e em países como Cuba, Angola, Venezuela, República Dominicana, Nicarágua e Portugal. Esse tracking dos valores roubados acompanhava, item, o alcance das políticas e dos investimentos orientados pelo Foro de São Paulo, hoje Grupo de Puebla.

O lavajatismo (e não a Operação Lava Jato), ao interromper as investigações quando elas chegaram no âmago do financiamento das políticas de esquerda não só no Brasil, mas pelo mundo, deu a pista de como o próprio núcleo da Força Tarefa curitibana deu início ao seu desmantelamento de dentro pra fora.

O lavajatismo sempre operou de mãos dadas com a imprensa, técnica erigida pelo então Professor Sérgio Moro, como já comprovei em outras oportunidades quando trouxe trechos de estudos que tal professor fez em 2004 das técnicas da Operação Mani Pulite (Operação Mãos Limpas). Em seu Considerações sobre a operação Mani Pulite, Moro, citando Mark Gilbert, já dizia:

“para desgosto dos líderes do Partido Socialista Italiano, que, por certo, nunca pararam de manipular a imprensa, a investigação da mani pulite vazava como uma peneira. Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no L’Espresso, no La Republica, e em outros jornais e revistas simpatizantes.

Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações, os vazamentos serviam a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva” (grifei).

Sua conclusão ia nestes termos:

“A publicidade conferida às investigações teve o efeito salutar de alertar os investigados em potencial sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações. Mais importante: garantiu o apoio da opinião pública às ações judiciais, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados, o que, como visto, foi de fato tentado.

Há sempre o risco de lesão indevida à honra do investigado ou acusado. Cabe aqui, porém, o cuidado na desvelação de fatos relativos à investigação, e não a proibição abstrata de divulgação, pois a publicidade tem objetivos legítimos e que não podem ser alcançados por outros meios. As prisões, confissões e a publicidade conferida às informações obtidas geram um círculo virtuoso, consistindo na única explicação possível para a magnitude dos resultados obtidos pela operação mani pulite” (grifei).

Essa parceria foi recentemente publicizada quando Sergio Moro e Carlos Lima se tornaram funcionários de um dos veículos da maior cobertura da Operação Lava Jato: o grupo dos Antagonistas.

Eis que agora esse mesmo grupo faz denúncias do fim da Operação (como se isso fosse o fim do combate a corrupção), por força do afastamento do esquerdista Deltan Dallagnol do comando da Lava Jato, parada há anos por absoluta falta de iniciativa perante os canais internacionais e o Foro de São Paulo. O blog se ressente, na verdade, da perda de uma fonte e não do fim (de todo, improvável) do combate à corrupção pelo Ministério Público Federal.

Creditar que o combate à corrupção depende exclusivamente de uma pessoa não é apenas tratar com desdém sobre a competência de todo um órgão, o Ministério Público Federal, mas é sobretudo lamento de perdedor – sem as fontes, o blog perde a sua importância, sem que jamais tenha ocorrido o fim do combate à corrupção.

Uma das técnicas do lavajatismo é justamente confundir na cabeça do leitor a ideia de que Operação Lava Jato e Combate à Corrupção são a mesma coisa. Hoje sabemos que não é, sobretudo pelo acobertamento dado no âmbito dessa operação aos negócios do PSDB bem como do Foro de São Paulo.

O afastamento de Deltan Dallagnol, ao contrário do que pregam os blogs interessados em sua própria pauta e não na descoberta da verdade, é uma grande vitória do combate à corrupção e uma enorme derrota do lavajatismo, doença infantil do isentismo.


Crítica Nacional Notícias:


A FACE POLICIALESCA AUTORITÁRIA DO LAVAJATISMO TUCANO SE VOLTA CONTRA A DIREITA

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